__________ Itapema, suas histórias... __________

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MORRINHOS [BAIRRO ITAPEMENSE]

VISTA GERAL DA REGIÃO DO BAIRRO MORRINHOS - ITAPEMA/SP [2010].

Desde os primórdios da Capitania de Santo Amaro (Século XVI), a região do Crumaú e do Rio Maratuá, local de assentamento do Bairro Morrinhos, consignado às terras de ITAPEMA/SP, abrigou Sítios, Moendas, Fazendas, Engenhos e Feitoria de Curtume, subsistindo sitiantes, escravos e trabalhadores rurais. Conforme vemos nomeado, descrito e assinalado em Levantamentos Geográficos e/ou Censos realizados neste período.
Mapas da época apontam a implantação de Engenhos como o do Governador ou do Trato, fundado por iniciativa de Martim Afonso de Souza e seu irmão Pero Lopes de Souza (Donatário da Capitania santo-amarense), junto ao Rio Crumaú (1534). Engenho de Nossa Senhora da Apresentação (pertencente a Manoel de Oliveira Gago (1560), ficava ao final do Rio Crumaú com saída para o Rio Bertioga). Engenho Nossa Senhora da Aparecida, fundado por Gonçalo Afonso (1560) nas imediações do Rio Crumaú.
Na metade do Século XVIII também foi possuidor de terras o Capitão José Bonifácio de Andrada, "cujas terras estavam situadas no Sítio do Porto de Santo Amaro (extensão de terra conhecida com "Casa Grande") englobando Morrinhos, Saco do Funil e adjacências, nas fraldas do Morro dos Macacos entre os Sítios Cachoeira e o Glória."
REGIÃO DO CRUMAÚ ADJACÊNCIAS DO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].

Aviso Régio, de 21 de Outubro de 1817, assim descreve denominações, extensões, senhorios, títulos de terras da região da Ilha de Santo Amaro:
Morrinho - Cinquenta braças de testada e trezentos de fundo, até o cume mais alto, parte de um lado com terras do Estaleiro, e de outro com terras de Manoel Rodrigues; pertencente ao Capitão-mór João Baptista da Silva Ramos, por título de compra; estão arrendadas para a Feitoria da Casca de Mangue para Curtume.
Crumahú - Mil braças de testada e quatrocentos e cinquenta de fundo até o rio do morro, parte de um lado com terras do Emboaba, e de outro com terras do Capitão Manoel Alvarenga Braga, é patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Apresentação, ereta no mesmo sítio do qual é administrador o Tenente-Coronel José Vicente de Oliveira, parente dos intuidores, cultivada por Pedro Francisco da Costa.
S. João do Crumaú - Quinhentas braças de testada e trezentos de fundo até o pico do morro, parte de um lado com terras de Nossa Senhora da Apresentação, e de outro com terras de João Antonio de Souza, pertencente ao Capitão Manoel de Alvarenga Braga, por título de compra.
Maratão-há - Trezentas braças de testada e quinhentos de fundo, parte de um lado com o Rio chamado Maratão-há, e de outro com outro rio que vai para o Sítio do Sacco, os fundos parte com terras do Convento do Carmo, e do dito Saco; pertencente ao Capitão Manoel Alvarenga Braga por título de compra.
Emboaba - Duzentas braças de testada e outras tantas de fundo, parte de um lado com terras da Capela do Crumahú; o dono destas terras passou-se a muitos anos para as Minas, e nunca mais se soube dele; sem cultura.
Varjão, ou Sambaqui - Mil braças de testada, e trezentos de fundo, parte dos fundos com terras do Padre Antonio José Pinto, chamado Emboaba, e de outro com o Rio chamado Agoa Branca; pertencente aos herdeiros do falecido Sargento-mór Manoel Angelo de Aguiar; sem cultura.
Glebas da região de Morrinhos foram de propriedade da Ordem Terceira do Carmo, a qual recebeu sesmarias. Aos poucos, estas terras seriam vendidas para a monocultura de plantação de Banana.
GLEBA INICIAL DE ASSENTAMENTO DO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].

No ano de 1957, Arqueólogos do Instituto de Pré-História da USP organizaram uma Expedição Franco-Brasileira, chefiada pelo Arqueólogo Paulo Duarte. Tinha por interesse escavações arqueológicas nas terras da Ilha de Santo Amaro. O objeto de pesquisa são os Sambaquis e/ou Sambakis, depósitos do cotidiano de antigos povos. Também conhecido pelos Caiçaras como "casqueiro". Jazidas paleoetnológicas milenares que ocorrem ao longo da Costa, ou em lagos e rios litorâneos, regiões onde estes silvícolas agrupavam-se para comer. Caracterizavam-se pela presença de cinza e carvão entre as espessas camadas de conchas. Antiquíssimos depósitos de crustáceos, moluscos, restos de pesca ou caça, armas, adornos, utensílios domésticos e esqueletos de animais, acumulados por povos primitivos que habitavam o Litoral em épocas remotas. Semelhantes acúmulos formavam verdadeiras colinas de despojos que registram seu modo de vida e costumes. Faziam ainda nestes amontoados seus enterramentos rituais, daí encontrar-se também fósseis humanos.
Desencavam primeiramente nas imediações do Rio Maratauá, dito por alguns Maratuã e ainda Maratuá, um esqueleto feminino de aproximados 6.000 anos (60 Séculos), segundo atesta prova feita através do processo de datação Carbono 14. Foi batizado com a simpática alcunha de "Miss Sambaqui", hoje exposto no 'Museu de Arqueologia da Universidade de São Paulo'. Parte dos demais achados, que remontam ao ano de 1915 a.C. (3.906 anos de idade) foram levados para o 'Museu do Homem', na cidade de Paris. Fósseis todos esses que correspondem as escavações do "Homem de Maratuá".
Geograficamente a localização do sítio e do Rio Maratauá está nos limites itapemenses. Logo, o primeiro e mais remoto achado arqueológico da Ilha de Santo Amaro, e um dos mais antigos do Estado de São Paulo (Tombado pela USP) se deu em ITAPEMA/SP.
A própria designação da localidade como "Morrinho", hoje bairro, viria desta elevação no terreno, sendo ajuntamento dos Sambaquis. Utilizados pelos habitantes e comerciantes como cal para argamassa de construções sociais, religiosas e Fortes militares.
IMAGEM VIA SATÉLITE IMEDIAÇÕES DO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].

Nos nossos dias, em 30 de Janeiro de 1980, o BNH (Banco Nacional da Habitação) deu aval para o andamento do Programa de Desfavelamento, projetado pela Prefeitura da Sede Balneária, nas áreas da Cachoeira, Vila Zilda e mais outro terreno de várzea onde se cultivava Bananas. Esta última área denominava-se 'Sítio Morrinho' e seriam abertas ruas e avenidas, haveria espaço para construção de Escolas, Centro Comercial, Posto Médico etc.
Entretanto, somente em 1987 seria iniciada a ocupação demográfica do 'Sítio Morrinho'. Inicialmente seriam remanejadas 250 famílias pré-cadastradas vindas da Vila Sônia, Vila Júlia, Vila Baiana e outros pontos do Distrito itapemense. Naquele ano havia 42 favelas na Ilha de Santo Amaro e o objetivo para o novo Bairro era acomodar ao decorrer da urbanização, algo em torno de 2.500 famílias na nova área. O empreendimento inicial de Morrinhos (ITAPEMA/SP) teria 665.840 metros quadrados, com acordo firmado para a construção das casas em regime de mutirão, haveria água encanada, energia elétrica e esgoto. Tais medidas prometidas e supostamente planejadas não impediram invasões da área.
OCUPAÇÃO BAIRRO MORRINHOS EM 1987 [ITAPEMA/SP].
  
No dia 25/02/1987, a Câmara de Vereadores, através de seu representante constatou que a área a ser habitada não contemplava estruturas urbanas básicas adequadas para sua ocupação. Foi verificada a ausência de iluminação pública, não existia água encanada, terrenos em desníveis, pouca Segurança Pública, denúncia de aquisição de lotes para revenda, além de já existirem 40 barracos erguidos antes mesmo da concessão do assentamento. Os novos moradores que ali estavam alegaram ter a permissão do Poder Público Municipal, todavia queixavam-se que não havia uma Linha de ônibus sequer.
PLANTA URBANA DO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
IMAGEM VIA SATÉLITE PLANTA URBANA DE MORRINHOS [ITAPEMA/SP].

Quarenta e cinco dias depois, foi autorizada a efetiva ocupação do 'Sítio Morrinho'. As Autoridades admitiam que as obras não estavam totalmente concluídas, faltava água, saneamento básico, rede elétrica e serviços públicos. Contudo, um itinerário de ônibus foi implantado em caráter emergencial, passando pelo Bairro apenas seis vezes por dia.
As dificuldades nunca foram poucas nesta região. Antes toda a água fornecida aos moradores dali vinha do Saco do Funil (área do Bairro Morrinhos), não havia a captação em Jurubatuba. Foi feita uma represa no sopé do Morro do Macaco, junto ao  hoje Túnel Juscelino Kubitschek e a água era bombeada até o Morro e armazenada em reservatórios para ser distribuída.
ACESSO AO BAIRRO MORRINHOS PELA RODOVIA DOMÊNICO RANGONI [ITAPEMA/SP].
AV. LYDIO MARTINS CORRÊA - VIA DE ACESSO AO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
AV. LYDIO MARTINS CORRÊA ACESSO AO BAIRRO ITAPEMEMSE MORRINHOS [OUTUBRO/2011].
ENTRADA DO BAIRRO MORRINHOS EM ITAPEMA /SP [2010].

Somente no ano de 1992, que a CESP injetou recursos para a instalação de iluminação pública em Morrinhos (ITAPEMA/SP). Também neste ano foi concluída a construção do Conjunto Habitacional 'Ulisses Guimarães', com 480 apartamentos entregues a famílias de baixa renda do município. Desta feita teve o Bairro a inclusão do Cemitério de Morrinhos, sito à Av. Lydio Martins Corrêa.
AV. ANTENOR PIMENTEL - BAIRRO MORRINHOS EM ITAPEMA/SP [MARÇO/2010].
CONJUNTO HABITACIONAL NO BAIRRO DE MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
OUTROS PRÉDIOS DE CONJUNTO HABITACIONAL EM MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
COTIDIANO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
PRAÇA NO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
OUTRO ÂNGULO DA PRAÇA EM MORRINHOS [ITAPEMA/SP].

Assim o Bairro Morrinhos seria urbanizado, de maneira precária e gradativa. Sofrendo constantes ocupações irregulares das áreas de Mangue, da Restinga remanescente, dentre outras, a despeito da negligente Sede Balneária, que agravaram ainda mais os problemas sociais. Até o final de 2009, os residentes de determinadas glebas do Bairro (intitulados Morrinhos III e IV) não possuíam água encanada, sendo este bem social básico conquistado por intermédio de Ação Judicial.
RUA PAVIMENTADA BAIRRO MORRINHOS EM ITAPEMA/SP [FEVEREIRO/2010].
A URBE ITAPEMENSE/SP EM MORRINHOS.
AMANHECER PROS LADOS DE MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
HABITANTES ITAPEMENSES BAIRRO MORRINHOS.
VIDA DE GADO NO BAIRRO MORRINHOS EM ITAPEMA/SP [MARÇO/2010].
ÁREA OCUPADA EM MORRINHOS [ITAPEMA/SP].
CREPÚSCULO BAIRRO MORRINHOS [ITAPEMA/SP]
NOITE EM MORRINHOS BAIRRO ITAPEMENSE/SP.

Em 2010 pela estatística do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Bairro Morrinhos contava com 24.387 mil moradores e um crescente comércio local, reforçando a capacidade econômica do Distrito como gerador de renda.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ITINERÁRIO: ITAPEMA MACABRO

LINHA ESTAÇÃO DAS BARCAS - PARQUE ESTUÁRIO [ITAPEMA/SP] MARÇO DE 1963.

Quando o amor lhe apareceu, num Baile de Carnaval no "Cinema Grande" e que a moça residia numa das ruas do Parque Estuário, não parecia ser um entrave ao romance. Poderia visitá-la de bicicleta. Lonjuras não impediriam o cupido, batia pernas por tudo que é lugar pelo Itapema. Frequentava no "Fundão do Pae Cará", o Campo do E. C. Monteiro da Cruz desempenhando seu talento futebolístico.
Acontece que a beldade itapemense estudava Pedagogia, na vizinha cidade santense. Ocorria de acompanhá-la até em casa de ônibus, saindo do "Pontão das Barcas"... O namorico no banco do portão, ia esquentando o sereno e as horas passavam. Naqueles tempos retornava tarde da noite. Morando na Rua Itapema, no quarteirão do velho Forte, voltar de a pé em incertas noites chuvosas, desprotegido, era um bom chão a palmilhar.
Havia um ônibus que fazia a Linha Estação das Barcas - Parque Estuário, com Ponto Final ao lado do Cemitério da Consolação de Itapema. Os passageiros tomavam ali a Condução, alguns desciam em frente a Padaria 'Vera Cruz', na esquina onde ficava a Lavandeira, centro comercial do Distrito.
CENTRO COMERCIAL DE ITAPEMA 1973 - AV. THIAGO FERREIRA, DO OUTRO LADO A PADARIA 'VERA CRUZ'.

Itinerário do qual se contavam coisas sinistras, desde sua primeira viagem inaugural:
Era uma noite comum da semana. O ônibus havia parado no fim da Linha do Parque Estuário esperando para fazer a última viagem, por volta de meia-noite. Nesse horário bem difícil ter muitos passageiros, quando muito uns 5 notívagos... O Coletivo já tinha saído do Portal do "Sumitério", e de repente o Cobrador e o Motorista pelo retrovisor, se espantaram ao verem o ônibus lotar de um minuto para outro, num vivo burburinho de passageiros. Estranharam, mas seguiram mudos pela Av. Presidente Vargas, cortando o bairro. Ao chegar na Av. Thiago Ferreira deram fé que o ônibus encontrava-se vazio, sem que ninguém tivesse descido. E se repetiu viagens seguidas... Falam que o Motorista e o Cobrador pediram as contas da Viação.
SERIA FATO UM ÔNIBUS-FANTASMA NUM ITINERÁRIO DE ITAPEMA/SP?

Um Ponto Final ao lado do Cemitério, já é bastante sugestivo para qualquer imaginação desconfiada. Numa ocasião, estava aguardando o ônibus aparecer e escutou vozes, risos, do lado de dentro do Campo Santo. Por ventura, os espíritos riam dele? Após alguns instantes de receio subiu no muro para ver, se esqueletos confabulavam sobre os túmulos... Eram apenas três malandros mocozados entre as cruzes, que queimavam um "baseado".
Tendo essa estória na cabeça, o sujeito viera algumas vezes no ônibus quase vazio. Como único passageiro, além do Cobrador e o Motorista, de olho nas ruas obscuras do Parque Estuário. Mais nenhuma viv'alma. Ninguém ocupando os assentos... Na dúvida, procurava sentar sozinho, nos fundos do Coletivo. Iluminado por uma trêmula luz dumas lanternas cravadas na lataria. A fim de não ser surpreendido por alguma alma penada. Não hesitaria pular fora do Ônibus-Fantasma... Daí o namoro acabou. A moça faleceu, dum mal repentino.
IMEDIAÇÕES DA ANTIGA PARADA DE ÔNIBUS - LINHA ESTAÇÃO DAS BARCAS/ PARQUE ESTUÁRIO - ITAPEMA/SP. 
  
Porém não pense ser previsível assim...
Numa dessas, próximo a meia-noite, um Homem chegara apressado. O vento fez tocar as doze badaladas no sino da Capela Mortuária. Tinha fila pra tomar a última Condução. Lotação esgotada. Esse tal se espremeu num banco ao lado de um passageiro esquálido, trazendo uma mala enorme. Distraiu-se olhando aqui e acolá pela escuridão as varandinhas iluminadas dos chalés, os passageiros refletidos nos vidros das janelas, ao voltar o rosto para os corredor... Chegavam nas imediações da Praça 14-Bis, passado o comércio "7 Portas". Ninguém mais naquele ônibus.
- Motorista, pára!... O Sr. viu isso!?... E vocês, são gente ou mortos-vivos?
- Eu não tou dirigindo o ônibus, porra...
- Quero descer, pelo amor de Deus! - Saltou mais adiante, perplexo, na calçada da Joalheria 'Pêndula de São Jorge'.
Portanto, cuidado ao tomar o ônibus altas horas da noite. Especialmente, o "Expresso da Madrugada". Arrastando maníacos etílicos, seres fêmeos decadentes, os trapos dos fins de festas. Nunca te passou pela cabeça que fosse uma horda de Demônios... Há, Há, Há!!... Há, Há, Há!!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

COMBATES NA BAIXADA PAULISTA EM 1932

ATAQUES AÉREOS NA FRENTE COSTEIRA - LITORAL PAULISTA 1932.

Tendo sido vitoriosa a Revolução Tenentista de 1930, liderados por Getúlio Vargas, suplantada a Velha República, os Liberais do Partido Democrático e as Elites Paulistas esperavam que o Brasil voltasse a normalidade democrática. Contudo, Vargas negava-se a estabelecer uma nova Constituinte. Bem como mantinha a Intervenção Administrativa nos Estados Brasileiros, cautelosamente de São Paulo.
Agitações políticas na Capital Paulista que antecederam a Guerra Civil, no mês de Julho, então nominada Revolução Constitucionalista de 1932, mobilizou diversas cidades do Estado de São Paulo, inclusive do Litoral Bandeirante. Autoridades Civis e Militares, Instituições agregaram-se entorno da Causa Paulista pela Constituição. Comícios de Propaganda pela mobilização civil foram realizados em Santos/SP e cidades vizinhas da Baixada, reunindo centenas de cidadãos e inúmeras famílias entusiasmadas com o Movimento Revolucionário.
Às 23:40 h., do dia 9 de Julho, o Coronel Euclides Figueiredo entrou no Comando da Região Militar de São Paulo, de dentro do Comando o Coronel Euclides passou a noite telegrafando aos Comandantes dos Quartéis Paulistas, comunicando o início da Revolução Constitucionalista de 1932.
"(...)Nesse primeiro dia de novidade emoção, conversas e controvérsias, discussões e comentários, tudo girando em torno do acontecimento e das primeiras notícias, nos lares, nas portas, nas praças, nos bares e nas ruas..." - Relata o Historiador Francisco Martins dos Santos. Assim como na Capital Paulista, na região da Baixada muitos foram tomados de comoção cívica. O Espírito de Sacrifício envolveu homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes. Estudantes, Profissionais Liberais, Professores, Advogados, Jornalistas, Operários, idosos e inocentes crianças. Afinal não era um Movimento Separatista, mas de Integridade Nacional. Portanto, Federalista e Civilista. Diante de um Governo dito Provisório caracterizado por ser centralizador, autoritário e dominado por Militares.
JORNAIS PAULISTAS ESTAMPAM AS NOTÍCIAS DA REVOLUÇÃO EM 1932.

Os jornais anunciavam a Guerra e conclamavam os Jovens Paulistas a se alistarem nos Batalhões. Em todos os pontos da cidade, onde quer que houvesse um aparelho de rádio ligado ouvia-se incessantemente a palavra flamejante dos oradores da Revolução, entremeada de Hinos Marciais e Marchas Militares incitando os populares à Guerra Cívica. A Mocidade impelida por um entusiasmo intraduzível correu a alistar-se decidida, corajosamente, a tomar parte nas trincheiras.








No teatro das Operações de Guerra da Revolução de 1932, o Litoral Paulista representava a Frente Costeira [ilustração ao lado]. O Litoral postou-se todo guarnecido pelas Forças Militares Constitucionalistas, com peças de Artilharia e soldados vigilantes diuturnamente, nas praias, em pontos estratégicos, sacos de areia como barricadas e trincheiras foram providenciadas. Na cidade de Santos/SP, consignada Sede Administrativa naqueles tempos, fez-se a centralização do recrutamento de voluntários. Formou-se os primeiros contingentes de soldados. Atraindo combatentes das cidades vizinhas do Litoral Paulista.
Regimentos Paulistas da região litorânea lutaram nas Frentes de Guerra do Interior de São Paulo contra as Tropas Federais do Ditador Getúlio Vargas. Ou mantiveram a Resistência na retaguarda da Frente Costeira. Protegendo o Porto, a Central Elétrica (Usina 'Henry Borden') em Cubatão/SP (na Serra do Mar), o Q.G. Revolucionário do Forte Itaipu (em Praia Grande/SP) e a costa marítima do Litoral Paulista. Formaram-se vários contingentes de voluntários do Tiro de Guerra Nº 11. Tiro de Guerra Nº 598 (Cia. DOCAS). Milícia Cívica Santista, que contribuiu fornecendo vários contingentes, organizando, equipando e municiando. Tiro Naval de Stos. 1º Batalhão de Voluntários de Stos, depois classificado para 7º Batalhão de Caçadores da Reserva (7º B.C.R.) formado pelas 1ª, 2ª e 3ª Cias. Falange Acadêmica, constituída por Professores, Advogados e Estudiosos. Legião Negra e outros Batalhões incorporados por voluntários e reservistas das cidades da Baixada Paulista.
Houve até um Senhor (aposentado de Cubatão/SP), de 90 anos, Domingos Francisco que engajou-se na Revolução como combatente, não admitido pelo avançado da idade. Alguns falsificavam a idade para recrutamento.
O Estado-Maior Revolucionário envia telegrama para adesão do Forte Itaipu:
"S. Paulo, 10 de Julho - 17 Horas - Comandante Itaipu - Resposta vosso pedido de informações. São Paulo, completa ordem. Força Pública, Federal e população inteiramente solidária, Movimento Revolucionário, Constitucionalização do país. Guarnição Mato Grosso conosco... (...)Pedimos urgente transmitir resto vossa Guarnição. Aguardamos confiantes vosso apoio nossa Causa Nacional... (...)Pelo Capitão Menna Barreto, Sub-Chefe E.M."

No dia 10 de Julho o 6º Regimento de Cavalaria de Stos, já está de prontidão. Nesta mesma data, em caminhões seguiu para a Baixada Paulista um Pelotão de Infantaria do Exército, sob Comando do Capitão Gama. Esse Pelotão vem reforçar a Guarnição do Exército que aqui se encontra e será abrigado no Quartel do Destacamento da Força Pública, à Rua São Leopoldo.
O Comando Militar da Praça de Santos, sob orientação do Major Loretti toma as primeiras providências para defesa do Litoral, com barricadas nas praias. Naqueles dias foi instalado, numa das salas da Delegacia Regional de Polícia (onde funcionava a Técnica Policial), o Comando da Praça Militar. O Forte Itaipu, cuja oficialidade aderiu a Revolução de 1932 estava em constante prontidão. Um Avião Constitucionalista deveria a partir de 11 de Julho, fazer Vôos de Reconhecimento.
Interditado o Porto Santista para cercear a entrada de mercadorias e armas no Estado de São Paulo. O Governo Provisório envia mensagens indicando que os navios desviem de rota. Getúlio Vargas baixa Decreto proibindo a navegação aos Navios Nacionais e Estrangeiros em todos os Portos Paulistas. 
Navios de Guerra da Esquadra Naval Brasileira e aviões partiram da Baía da Guanabara, Rio de janeiro, em direção ao Litoral de São Paulo. 
Uma proclamação da 'Milícia Cívica Santista' (quando foi criada), emitida a 11 de Julho foi a chamada para o Recrutamento Constitucionalista. Seu Comando está a cargo de Espíndola Mendes. Estado-maior: Chefe-Militar, Major Alípio Ferraz. Chefes Civis, Uriel de Carvalho e Roberto Caiuby, além duma dezena de Revolucionários atuantes.  
Adesão no mesmo dia 11, assinada pelos Diretores do PRP - Partido Republicano Paulista (J. Carvalhal Filho, Alberto Cintra, Renato Pinho, J. M. Alfaia Rodrigues e Adelson Nogueira Barreto).
Os Acadêmicos desta cidade, congratulando-se em torno da Causa de São Paulo, duma Constituição pela Letra da Lei ou o Fuzil, organizaram a 'Falange Acadêmica'. Constituída por Professores, Advogados e Estudiosos, tendo sido nomeado para dirigi-la o seguinte Estado-Maior: Profº Luiz Silva. Dr. Murtinho de Souza e Dr. Gervásio Bonavides. Comandante-em-Chefe, Profº André Freire. Ajudante de Ordens, Alfredo Comito. 




12 de Julho. Avistou-se desde as primeiras horas da manhã, na região da Baixada Paulista hidroaviões num Vôo de Reconhecimento, desaparecendo depois em direção ao Norte. A Estação de Fornecimento de Energia Elétrica (Usina 'Henry Borden'), em Cubatão/SP está guardada por Tropas Constitucionalistas estacionadas na raiz da Serra do Mar. Chegou à tarde o 6º Batalhão da Força Pública do Estado, sob Comando do Tenente-Coronel Índio do Brasil. Esse Batalhão foi alojado no edifício onde funcionou a Escola de Aprendizes Marinheiros. Na manhã seguinte, guarnecia as praias próximas com Artilharia. Parte desta Tropa, com o respectivo Material de Campanha seguiu para a Bertioga/SP a fim de guarnecer aquele local. Também desembarcou nesta tarde, um Pelotão do 4º B.C., de Sant'Anna, da Capital, sob Comando de um 1º Tenente.
Além da Guarnição do Forte Itaipu, da Companhia de Metralhadora do 6º R.I. e de 450 Homens do Destacamento da Força Pública, estão concentrados em Santos/SP, para qualquer eventualidade, 400 Homens da 'Milícia Cívica Santista', aquartelados na Imigração e 200 Homens da 'Milícia do Corpo Municipal de Bombeiros'. Para transporte rápido dessas Forças, tal se torne necessário, dispõe o Comando Militar de 8 caminhões e 30 automóveis, todos com os respectivos motoristas. 
Ao largo do Porto de São Sebastião (perto da Ilha Montão de Trigo), fundearam 6 Destróieres, 6 Hidroaviões, Navios-Patrulha e embarcações auxiliares da Esquadra Naval, conjunto da Força Marítima e Aérea Ditatorial. Tendo por Base aquela região, onde a Frota ancora para abastecimento e manutenção. O Comandante do Forte Itaipu, na perspectiva de um ataque posta a Fortificação caiçara em prontidão. As ordens à população é de que se abrigasse. O Comandante radiotelegrafou para o Navio Getulista concitando-o a aderir à Causa Constitucionalista. A Guarnição do Forte Itaipu pôs-se em alerta e poderosos holofotes devassam a Barra à noite, num trabalho de vigilância.
Como medida de defesa do Porto Santense foram colocadas minas explosivas em toda extensão da Barra Grande da Ilha de Santo Amaro. A parti daí, da orla das praias avistava-se a passagem dos aviões em Patrulha, Navios bélicos cruzavam ao largo do Farol da Moela.
RETAGUARDA DA ESQUADRA E AVIAÇÃO NAVAL NO LITORAL DE SÃO PAULO [1932].

Em 13 de Julho, de manhã, seguiram Tropas para a Praia Grande/SP a fim de guarnecê-la em pontos estratégicos tomados pela Artilharia. Por esta data já 300 e tantos rapazes estavam alistados no 1º Batalhão de Voluntários. Também neste dia 13, resolvia o Tiro de Guerra Nº 11 providenciar a mobilização dos seus reservistas iniciando a convocação do voluntariado.
A Diretoria da ACS - Associação Comercial de Santos, na pessoa do seu Presidente Antonio Teixeira de Assumpção Netto, solidariza-se com a Causa Constitucionalista e presta-se à colaboração do Movimento Revolucionário Paulista. 
No dia 14 de Julho reúnem-se os reservistas do Tiro Naval. Nesta mesma data seguiram para São Paulo, os primeiros voluntários do Batalhão arregimentado pelo Partido Democrático (PD), em número de 53 partidários destinados ao acantonamento na Escola Normal, transformada em Quartel. O Jornal Paulistano 'Folha da Manhã', edição do dia 14, informa que a situação das cidades da região continuavam perfeitamente calma, frente o atual Estado de Guerra. Motivada e confiante a população. O movimento que se registra, é o que resulta naturalmente do momento vivido: curiosos que se encontram pelas ruas à cata de novidades e o movimento das Forças Militares e Reservistas aqui acantonadas.
Assumiu o cargo de Comandante da Praça Militar, o Major Carlos Reis Junior (que dirigia a Guarnição Destacada no alto da Serra), pelo fato de ter de assumir o Comando do Forte Itaipu o Major Loretti, que exercia o cargo de Comandante na Praça. O novo Comandante Carlos Reis baixou a seguinte Circular:
"Tendo o Comando das Forças em Operações resolvido unificar a ação do Destacamento do alto da Serra, com a Praça de Santos assumi também o Comando desta Praça, na qualidade de mais antigo. Voltando o Sr. Major Euclydes Loretti Ferreira ao Comando do Forte Itaipu."
[Cartaz de Propaganda Revolucionária 1932]

Por esses dias, Francisco Itapema Alves (Membro da 'Bandeira Cívica Paulista') e outros Constitucionalistas mobilizam a Sociedade e os Meios de Comunicação conforme notícia de sua Sucursal, o Jornal Paulistano 'Folha da Manhã', do dia 14 de Julho:
"11 [Segunda-Feira] (Da sucursal da 'Folha da Manhã') - Está promovendo Comícios nesta cidade a "Bandeira Cívica", composta dos Drs. José Soares de Mello (Chefe), José A. Prado Forjaz, Candido Leme Junior, Francisco Itapema Alves, Constantino Fraga Junior, Synésio Rocha e Theodorico de Oliveira. Essa "Bandeira" tem visitado as Autoridades e Imprensas locais, bem como a "Milícia Santista", que conta já com mais de 500 Alistados." - Nos dias seguintes, o Jornal continua repercutindo o trabalho revolucionário da "Bandeira Cívica", de Propaganda e Mobilização da Sociedade em prol da Revolução, que esteve em 16 de Julho, num Sábado, às 20 Horas na vizinha cidade de São Vicente/SP, onde realizou uma reunião no 'Cine Central', falando diversos oradores. Entre eles, Francisco Itapema Alves.
"23 [Sábado] (Da sucursal da 'Folha da Manhã') - Está em Santos o Dr. José Soares de Mello, Promotor Público nessa Capital, o Delegado do Departamento de Mobilização Civil da 15ª Zona, com Sede em Santos e que tem como Auxiliares os Drs. Francisco Itapema Alves e José Almeida Prado."
INFORME DE JORNAL DÁ CONTA DA ATIVIDADE REVOLUCIONÁRIA DE FRANCISCO ITAPEMA ALVES [1932].
A 'BANDEIRA CÍVICA' [INTEGRADA POR FRANCISCO ITAPEMA ALVES] ATUA NAS CIDADES DO LITORAL PAULISTA - REVOLUÇÃO DE 1932.
NOTÍCIA SOBRE O TRABALHO DE FRANCISCO ITAPEMA ALVES DURANTE A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

Em 16 de Julho são organizados os Batalhões de Reservistas 'dos Operários' e da 'Legião Negra'.
A Sociedade Exportadora de Frutas Limitada, atendendo ao pedido do Dr. Horácio Rodrigues, Chefe do Serviço de Abastecimento às Tropas em Operações, remeteu para as diversas Frentes de Combate, 132 Toneladas de Bananas, assim discriminadas: Buri (15.900 Kg), Cachoeira (21.400 Kg), Bragança (6.900 Kg), Itapetininga (7.900 Kg).
Algum abastecimento chegava feito por Caminhões pela Estrada da Serra do Mar. O Q.G. Revolucionário providenciou a remessa de Ração para 3 mil soldados estacionados na Baixada Paulista, Ração que é para 8 dias.
Notícia do Jornal Paulistano 'Folha da Manhã', em 16 de Julho de 1932, informa que o Aviador José Daniel de Camargo seguiu para São Paulo, afim de oferecer os seus serviços ao Comando da Aviação Constitucionalista. O jovem Aviador Civil que fez o Curso de Aviação na Base Aérea [Itapema/SP], como discípulo do Aviador Reynaldo Gonçalves, tendo sido Brevetado pelo Aero Clube de São Paulo. O Quartel da 'Milícia Cívica Santista' foi transferido do edifício do Grupo Escolar da Imigração para as instalações do Grupo Escolar 'Cesário Bastos', em Vila Matias.
O Tiro Naval realizou às 15:00 Horas da tarde Passeata pelas ruas centrais da cidade, sendo vivamente aclamado pelo Povo. o 1º Sargento do Tiro Naval, Armando Erbisti enviou Comunicado à Imprensa pactuando seu Compromisso:
"Os Atiradores abaixo assinados declaram, sob Palavra de Honra, que se comprometem a cerrar fileiras, e com a máxima dedicação defenderem até a morte a atitude do glorioso Estado de São Paulo, que vencerá ou lutará até ver tombado o seu último Soldado."
MANIFESTAÇÕES ACONTECEM EM SANTOS/SP AO DECORRER DA REVOLUÇÃO DE 1932.

17 de Julho. Pela manhã aeronaves da Aviação Naval Getulista sobrevoaram a região para reconhecimento e distribuindo um Manifesto contrário a Causa Constitucionalista. Um desses aviões, quando regressava à sua Base, sofreu sério acidente, precipitando-se caiu no mar à 15 milhas da Ilha da Queimada Grande, soçobrando imediatamente e vitimando toda Tripulação. Comunicado por meio de rádio ao Contra-Almirante Américo dos Reis (Comandante da 1ª Divisão) a bordo do Cruzador 'Rio Grande do Sul', que se acha fundeado nas águas de São Sebastião/SP, retaguarda das Forças Federais Aéreas e Navais.
Frente Costeira. O Comandante do Scout (Navio-Patrulha) 'Bahia', da 2ª Divisão Naval, radiotelegrafou ao Major Carlos Reis Junior (Comandante da Praça de Stos), solicitando envio ao Canal da Bertioga (Forte São João) uma Lancha para reconduzir a Santos/SP, o Dr. Carlos Cyrillo Junior (Oficial de Ligação entre o Comando da Praça de Santos e o Quartel General das Forças Constitucionalistas), prestes a seguir para a Capital da República a bordo do Destróier 'Matto Grosso'. O Major Reis Junior, de conformidade com esse radiotelegrama, enviou ao local indicado uma lancha da Polícia Marítima, saída de Itapema/SP. Telegrafia das 23:55 Horas, espera a todo momento no Cais do Porto o Dr. Cyrillo (um dos defensores da Causa Paulista de uma Constituição), que por fim embarcou.
SÃO PAULO HÁ DE ESCREVER A CONSTITUINTE COM A PENA OU O FUZIL.

Nesse ambiente eletrizante e de inabalável Civismo, que empolgava a cidade Santense e outras cidades da Baixada Paulista, formou-se em 18 de Julho, inicialmente no Litoral um contingente de quase 500 moços e homens de meia-idade. É o 1º Batalhão de Voluntários. Embarcam para São Paulo às 10:00 Horas deste dia. Queriam ser a Linha de Frente a repelir o adversário ditatorial. Empunhando um fuzil, manejando uma metralhadora ou trocar golpes de baioneta. Sem se preocuparem com as consequências da Luta. Como morrem os Heróis autênticos. Tombada a Matéria. De pé, o indestrutível Ideal. 
Segue também neste dia 18, para o Front Constitucionalista os reservistas do Tiro Naval, debaixo de estrondosa ovação de compacta multidão que afluiu à Gare da Inglesa (S.P.R.) São Paulo Railway, para levar-lhes as despedidas e palavras de entusiasmo. 
Ainda nesta data aviões e hidroplanos da Ditadura Varguista voaram sobre a região novamente, por volta das 13:00 Horas, lançado aqui Manifestos e Jornais da Capital Federal, em pacotes. Um deles tendo passado pelo Forte Itaipu foi alvejado.
Pelo dia seguinte, 19 de Julho, aproximaram-se da Ilha de Santo Amaro/SP navios da Esquadra Naval para atentarem contra o Porto de Santos. Logo entrou em alerta o Forte Itaipu, vigilante em defesa da Frente Costeira. São ouvidos disparos que ecoam pelas cidades do Litoral.
O Aviador João Negrão veio à Baixada Paulista pelo dia 20 para pilotar o 'Late 28', da Cia. Laterole, que se acha nas águas da Praia Grande/SP (Forte Itaipu). Esta aeronave comporta 8 passageiros, 1 Piloto e 2 Observadores.
21 de Julho. Embarcou em trem da Sorocabana, passando por Juquiá, a 1ª Cia. da 'Milícia Cívica Santista', que foi fortificar o Litoral Sul de São Paulo. Prossegue com grande entusiasmo o alistamento no Batalhão Operário.
Os Tiros de Guerra Nº 11 e 598 (Cia. DOCAS) já estão em perfeita forma, aguardando ordens superiores para marcharem ao Campo de Batalha.
CONVOCAÇÃO PUBLICADA NO JORNAL 'A TRIBUNA', QUE SE ESTENDEU DURANTE TODA CAMPANHA CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

A 'Milícia Cívica Santista' está com o seu Quartel instalado no edifício do Grupo Escolar 'Dr. Cesário Bastos', em Vila Matias. Até agora é de 889 o número de inscritos. Já foram organizadas 4 Companhias, equipadas e municiadas. A Milícia está contribuindo fornecendo vários contingentes, que há dias vem guarnecendo o Litoral Paulista, desde o Perequê, na Ilha de Santo Amaro, até Itanhaém.
O Batalhão da Reserva de Stos foi aquartelado no prédio da Escola Barnabé, ali também serão instaladas as oficinas de confecção de fardamentos, ficando sob a Chefia da Senhorita Ida Trilli.
A correspondência para os Soldados Constitucionalistas somente pode ser feita por intermédio do Correio Militar do M.M.D.C., cuja Agência funciona à Rua Martim Afonso Nº 9, sobrado.
Em 22 de Julho (Sexta-feira), o General Isidoro Dias, um dos Líderes Constitucionalistas, visita a Frente Costeira da Revolução. O Militar hospedou-se no 'Parque Balneário Hotel', após o jantar foi ao Forte Itaipu, sendo ali recebido pelo Major Loretti e respectiva Oficialidade. O General Isidoro Dias percorreu todas as dependências da Fortificação litorânea, ficando satisfeito com as providências tomadas.
Dentre as medidas estratégicas, havia no Forte Itaipu um possante Canhão 150, de boca para o mar, pronto a entrar em ação para a defesa da Frente Costeira. Acontece, porém, que num dos setores da Linha de Frente Sul, do Interior Paulista, fazia-se necessário aquela peça de Artilharia. Os soldados aquartelados no Forte Itaipu, durante a noite, removeram o Canhão 150 enviando-o para o Front. Em substituição, utilizaram-se de um embuste: um grosso troco de madeira, numa estrutura bélica imitando o Canhão de verdade. Foi assim que consegui-se ludibriar a Esquadra e a Aviação Naval. Fiando-se na Artilharia de menor monta para alvejar os aviões inimigos.
Durante sua estada, o General Isidoro Dias esteve ainda na Delegacia Regional de Polícia, o qual foi saudado pelo Dr. João Clímaco (Delegado Regional), Tenente-Coronel Mello Mattos (novo Comandante Militar da Praça de Stos), além de outros Oficiais presentes. O General recebeu inúmeros cumprimentos, tendo por essa ocasião, o Tiro Naval desfilado em sua homenagem.
No dia 23 de Julho, por volta das 10:00 Horas da Manhã, um HIdroavião Savoia-Marchetti da Aviação Naval voava cruzando todo o Litoral e atentando contra a posição do Forte Itaipu, para depois rumar na direção Norte.
HIDROAVIÃO SAVOIA-MARCHETTI EM ÁGUAS ITAPEMENSES, SIMILAR AO UTILIZADO NA REVOLUÇÃO DE 1932.

24 de Julho. Realizou-se em Santos/SP, às 20:00 Horas, outra importante Passeata Cívica pelas ruas centrais da cidade. A multidão parou a Praça Mauá, onde de uma das sacadas do Palacete Mauá fizeram-se ouvir os Drs. José Amazonas, Olivério Amaral e Antonio Feliciano, tendo os discursos sido irradiados pela 'Rádio Clube de Stos'. A seguir, o cortejo prosseguiu para a Delegacia Regional de Polícia. Falou na sacada do Fórum, o Dr.  Pedro Rodovalho Marcondes Chaves (Juiz Criminal), também calorosamente aplaudido. Deixando a Delegacia Regional, os Manifestantes foram à Cruz Vermelha Brasileira, ali tomou a palavra o Sr. Flor Horácio Cyrillo (Presidente desta Instituição Humanitária), enaltecendo o valor da Cruzada Cívica por qual se batem unidos o Estado de São Paulo e Mato Grosso. Na Praça Rui Barbosa fez-se ouvir o voluntário Reginaldo de Carvalho, que mereceu calorosos aplausos. Logo depois, embarcaram para a Capital reservistas pertencentes ao Tiro de Guerra Nº 11 e Tiro de Guerra Nº 598 (Cia. DOCAS) e mais um contingente de Tropa da 'Legião Negra', aquartelada em São Paulo, na Chácara Carvalho. Fortalecendo as fileiras Constitucionalistas, a 'Milícia Cívica Santista' contabilizava 1.030 voluntários inscritos de Santos e cidades vizinhas.
Em 25 de Julho, partiram novas Tropas no Trem das 9:30 Horas da Sorocabana para fortalecer o Litoral Sul Paulista.
Numa resposta a aproximação da Esquadra Naval, das águas da Ilha de Santo Amaro/SP, na manhã do dia 26, houve uma primeira Batalha Naval em que 3 Aviões Constitucionalistas saíram do Campo de Marte para bombardear Navios de Guerra do Governo Federal, fundeados e guarnecidos atrás da Ilha da Moela, bloqueando assim o Porto.
[Ilustração - Soldado de Prontidão na Frente Costeira]

Nos dias 28 e 29 de Julho, Aviões da Ditadura sobrevoaram a região à grande altura, chamando a atenção dos habitantes locais. Depois de evoluírem nos céus do Litoral, os hidroaviões Savoia-Marchetti escoltados por aeroplanos Corsair incursionaram em direção da Serra do Mar. Voando sobre Cubatão/SP lançaram bombas num Ataque Aéreo à Usina Hidroelétrica 'Henry Borden', sem maiores consequências ou resultados significativos. Explosões ecoaram no paredão da Serra do Mar, sendo ouvidas à distância. Uma dessas bombas atingiu um galpão ali existente.
Dentre as Operações de Guerra deste mês, Batalhões do Tiro Naval, Tiro de Guerra Nº 35 e Nº 359, partiram na mata entre os dias 22 e 30 de Julho.
No final do mês, 30 de Julho, outro contingente de Tropas formadas por voluntários e reservistas é enviado daqui para os Campos de Batalha.
HIDROELÉTRICA 'HENRY BORDEN' NO PAREDÃO DA SERRA DO MAR - CUBATÃO/SP.

3 de Agosto. Às 16 Horas seguiu com destino a Frente Norte um caminhão da 'Milícia Cívica Santista' transportando material aos soldados que se acham no Campo de Batalha. Frutas estão sendo despachadas diariamente para os combatentes em vagões da S.P.R. (São Paulo Railway), repletos de bananas para os diversos setores em Operações. Durante o dia continuou o embarque dessa fruta, tendo a Companhia Exportadora de Frutas requisitado 8 vagões.
Em 12 de Agosto, rumou para a Capital Paulista a 1ª Cia do Batalhão de Operários.
Na Campanha do "Ouro para o Bem de São Paulo", em 16 de Agosto, o CIR - Clube Internacional de Regatas ofereceu toda a sua coleção do Quadro de Medalhas.
Justamente por ações como essa, numa retaguarda os Paulistas venceram todas as Batalhas, da resistência coesa de São Paulo, um Estado determinado. Nunca se havia visto tamanha mobilização em torno de uma Causa Política. Além dos milhares de voluntários civis, mulheres, idosos e até crianças atuaram na Retaguarda Paulista, seja para fabricarem uniformes e outros serviços.
Para fazer frente aos gastos com a Guerra, quem podia não e recusou a doar um pouco de ouro, contribuindo com alianças de casamento, anéis de formatura, jóias, durante a Campanha de arrecadação.
Donativos foram angariados junto a Sociedade para o Esforço de Guerra, alimentos, produtos foram solicitados aos negociantes. O 'Cine Bocaina' (em ITAPEMA/SP) ofereceria 787 Refeições e Guarujá 441 outras.
Nos dias 3 e 5 de Setembro, três Savoia-Marchetti escoltados por um Corsair atacaram com sucesso o Forte Itaipu. À tarde do dia 5, a partir das 14:30 Horas, quatro Hidroaviões Getulistas evoluíram sobre a região dirigindo-se para a Fortificação Caiçara, despejando cerca de 20 bombas, quase todas caídas nas rochas e dentro d'água, mas acertando algumas e destruindo a Rede Elétrica do Forte Itaipu, que desta forma ficou temporariamente sem ação.
EXPLOSÃO DO BOMBARDEIO AO FORTE ITAIPU - FRENTE COSTEIRA [1932].
ESTRAGOS NO FORTE ITAIPU (PRAIA GRANDE/SP) REVOLUÇÃO DE 1932.
AS VÍTIMAS DO BOMBARDEIO AO FORTE ITAIPU (PEIXES) EM 1932.
  
Durante a Batalha Naval ocorrida no dia 24 de Setembro de 1932, foram abatidos sobre as águas da Ilha de Santo Amaro/SP, os Aviadores José Ângelo Gomes Ribeiro Junior (Piloto) e Mário Machado Bittencourt (Metralhador). Nela o Avião Constitucionalista, "Kavuré-y" incendiou-se nos ares e precipitou-se no mar, após um ataque ao Cruzador 'Rio Grande do Sul', um dos Navios bélicos que bloqueavam a Barra Grande da Ilha de Santo Amaro e o Porto de Santos. O avião batizado "Kavuré-y", do tipo Curtiss Falcon, de fabricação norte-americana, afundou perto da Ilha da Moela, a uma profundidade entre 14 e 15 metros. Depois do Combate o que se encontrou de objetos veio boiar na Praia de Pitangueiras, um par de luvas do Piloto José Ângelo Gomes Ribeiro encontradas por Atílio Gelsomini. Alguns destroços desse Avião Constitucionalista foram recolhidos ao terraço do 'Petit Cassino', na Estância Balneária.
CRUZADOR 'RIO GRANDE DO SUL, PARTICIPANTE DA BATALHA NAVAL NAS ÁGUAS DA ILHA DE SANTO AMARO/SP EM 1932.

Em depoimento do Capitão-de-Mar-e-Guerra, Francisco Amaro, de 77 anos, e que na ocasião era Cabo-Sinaleiro do Cruzador 'Rio Grande do Sul', o Marinheiro recorda deste episódio quando 3 aviões surgiram de repente, interrompendo o momento de descanso da Tripulação:
"(...)Corri a avisar o Oficial do Dia, o Tenente Pitanga, encarregado da Artilharia. Soou o Alarme, as escadarias se entupiram de Homens, buscando proteção nas defesas de aço. Numa fração de segundos os aviões estavam sobre nós. O primeiro avião precipitava-se em pique vertiginoso. Nesse ínterim, o Marinheiro de 1ª Classe, de nome Rayol, podia ser visto disparando furiosamente os Hotchkiss anti-aéreas; o crepitar das metralhadoras confundia-se com a explosão violenta da bomba sobre nós lançada e que caiu bem próximo do costado. 2 Marinheiros foram feridos, com certa gravidade, pelos estilhaços que se espalharam pelo convés..." - Dali um instante, acrescenta Francisco Amaro.
"(...)O mesmo avião que se atrevera a atacar-nos primeiro, descia, repetindo o mesmo pique, mas agora envolto em chamas e num mergulho incrível, desapareceu nas águas, no mesmo ponto em que explodira a bomba. Quanto aos outros aviões, aparentemente temerosos de sorte idêntica, lançaram suas bombas ao mar e desapareceram..." - Retornando ao Planalto Paulista.
O CURTISS FALCON DOS AVIADORES CONSTITUCIONALISTAS JOSÉ GOMES RIBEIRO E MÁRIO BITTENCOURT [24/09/1932].

Todavia, a Frente Costeira encontrava-se bem guarnecida pelas Tropas Constitucionalistas, que mantinham um constante Serviço de Reconhecimento em todas as praias da região e canais de navegação. Havia soldados por toda a orla marítima. Quem não seguiu para as Frentes de Combate no Interior Paulista, serviu a Revolução substituindo os Soldados das Forças Públicas em funções como o de guardar Prédios Públicos, o Porto, as praias.
Muito embora não tenha havido combates terrestres na Linha Costeira, as Forças do Litoral contribuíram eficazmente ao Movimento Revolucionário, mantendo contingentes desde Bertioga/SP até Itanhaém/SP, mobilizadas em Iguape/SP. Diz o Historiador Aldo João Alberto:
"(...)E se é verdade que os voluntários destacados na Costa não arrostaram os perigos do Fogo, com exceção de uma ou outra tentativa de escalada Federal contra a Ilha de Santo Amaro, não se pode negar o valor da sua participação na defesa de São Paulo. Sofrendo terríveis umidades e desconfortos, nuvens de mosquitos e outros insetos em lugares insalubres, junto a mangues e lamarões imensos ou em praias desertas, junto a lagoas e alagados ameaçadores ou a Bananais antigos infestados de cobras venenosas..." - Tudo para evitar a invasão da Baixada Paulista pelas Forças Ditatoriais.
Ainda assim, havia momentos de descontração, segundo conta o Veterano Otto Gottelieb Ewald, durante Patrulha na Praia do Perequê, "estávamos ali para evitar que os Soldados Gaúchos desembarcassem. Então, à noite escutamos um barulho vindo do mato. De prontidão para atirar, para nossa surpresa sai uma vaca dali..."
SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS ENTRINCHEIRADOS NA FRENTE COSTEIRA [1932].
GUARNIÇÃO CONSTITUCIONALISTA FORTE SÃO JOÃO (BERTIOGA/SP) - FRENTE COSTEIRA. [1932].
COMBATENTES EM TRINCHEIRA NO LITORAL PAULISTA DURANTE A REVOLUÇÃO DE 1932.
SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS FORTE SÃO JOÃO (BERTIOGA/SP) - FRENTE COSTEIRA [1932].
 BATALHÃO DE IGUAPE/SP (FRENTE COSTEIRA) CAMPANHA CONSTITUCIONALISTA DE 1932.
'RIO UNA' - BARCO A VAPOR TRANSPORTA TROPAS REVOLUCIONÁRIAS DE JUQUIÁ/SP À CANANÉIA/SP - FRENTE COSTEIRA [1932].

Oficialmente a Guerra Cívica de 1932, terminou às 8:00 Horas, do dia 2 de Outubro, com a assinatura do Armistício.
Na Frente Costeira, mobilizou-se mais de 4 mil Soldados Constitucionalistas, armados com fuzis, metralhadoras e granadas. Guarnecendo todo o Litoral Paulista, onde se empregou Artilharia pesada, Bombardeios Aéreos, naqueles 83 dias de Conflito Bélico. 
Em 3 de Outubro, o Jornal 'A Tribuna' publicaria em sua edição:
"O Governo do Estado considera-se Deposto. O Coronel Herculano de Carvalho assumiu o Governo Militar da Capital."
Em perfeita concordância com a Delegacia Regional de Polícia (então sob os cuidados do Tenente Augusto Césarro Nascimento) e atendendo ao atual momento o Comando do 6º B.C.P. solicita a população Ordem Pública nas ruas.


Mas, como escreveu Menotti Del Picchia, "no seu martírio de Hoje, nas bocas abertas de suas feridas, no seu majestoso sofrimento, há uma Voz que fala à consciência do País, com o mesmo ardor com que suas Armas falaram nas Trincheiras: Dai-nos a Lei." - E com a Revolução Cívica Paulista veio a Constituição Brasileira de 1934.
Contudo, a sanha autoritária do Presidente Vargas não se aquietou. Como apontavam os Liberais Paulistas, Getúlio era de fato um Ditador. Em Novembro de 1937, Vargas fecha o Congresso Nacional Brasileiro, rasga a Constituição e instala o Estado Novo...