__________ Itapema, suas histórias... __________

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ESTALEIROS ITAPEMENSES

'ITAPEMA REPARO DE BARCOS' - TELA DE GIOVANNI ÓPPIDO.

Ainda nos primórdios do Porto, a margem esquerda itapemense, dentro da atividade portuária, serviu ao trabalho de carpintaria naval, reparo de mastros e velas, mão-de-obra de trabalhadores navais.
Por aqui construíam-se, aparelhavam-se antigamente rijos cascos de madeira de lei, com mastros pesados de velame. Bergantis, escaléres, veleiros, eram o mister destes estaleiros itapemenses. Dos trabalhos respeitantes à profissão de marinheiro, viviam então muitos homens em todo o litoral,  a confeccionar avariada vestimenta dos mastros e seu velame, conserto de leme, que empregavam mestres navais, carpinteiros, entralhadores etc.
Nas margens do Bairro Vila Bocaina desenvolveram-se diversas atividades marítimas, uma delas foi a carpintaria naval com o Estaleiro Lazzarini e outro do Mestre José dos Santos Cláudio, cujo estaleiro no ano de 1914 figurava na revista 'A FITA', quando do lançamento ao mar da lancha a motor "Brioso" construída para a Companhia de Pesca "Santos". Evocados na poesia de Lydio Martins Correa:
          "(...)Aí rebocadores
           Foram construídos nesses arredores,
           No estaleiro naval... eu lembro ainda,..."
ESTALEIRO MESTRE JOSÉ DOS SANTOS CLÁUDIO - BOCAINA 1914 [ITAPEMA/SP].
ESPECTADORES EM LANÇAMENTO DE BARCO AO MAR - ESTALEIRO MESTRE JOSÉ DOS SANTOS CLÁUDIO [ITAPEMA/SP].
ESTALEIRO DO MESTRE JOSÉ DOS SANTOS CLÁUDIO [ITAPEMA/SP - 1914].

Em 04 de Agosto de 1931, o jornal 'A TRIBUNA' traz matéria sobre os trabalhos no Estaleiro Lazzarini. Destacando a construção de imponente barco nos estaleiros do construtor naval, Sr. Vicente Lazzarini, para a Sociedade de Navegação Itanhaém Ltda, destinado ao transporte de bananas. Sob o traçado do técnico Sr. Júlio Ruiz.
Considerada a mais importante construção naval feita naquele momento no Estado paulista, inteiramente com materiais nacionais. A embarcação tinha 25 metros de comprimento, de boca 6 m e de pontal 2,40 m, deslocando 160 toneladas. Toda a sua estrutura em madeira de lei, podendo-se concluir, pelo conjunto do cavelame, da sua grande resistência. Tudo de procedência nacional, inclusive pregos de ferro ou de cobre, cavilhas, arrebites e outros acessórios de metal, fornecidos pela 'Casa Pharol', à Praça Iguatemy Martins (Santos).
Os motores, 2 à diesel têm 50 H.P. cada um, de fabricação alemã.
O custo estimado é de 180:000$000. E previsto o mês de outubro para lançá-lo à água.
As Firmas proprietárias são: Simões, MIchel e Cia - Miguel, Dias e Clérigo - O. Ribeiro Filho - Praça e Amargos - Fortes e Martinez - Arnaud e Irmãos Rodrigues - Dr. Affonso Krug - José Ribeiro de Araújo e Antenor de Azzevedo. Todas proprietárias de bananais em Itanhaém e nossa região, também pertencentes ao Centro de Agricultores de Santos.
ESTALEIRO LAZARRINI - EMBARCAÇÃO A MOTOR EM CONSTRUÇÃO [ITAPEMA/SP - 1931].

Ao longo da margem de ITAPEMA/SP abrigavam-se estaleiros desde a Bocaina até as imediações da "Prainha", à desembocadura do Rio Santo Amaro. Havia intensa atividade nestes estaleiros de reparo e construção de traineiras, catráias, pequenos barcos em madeira e rebocadores.
DOCA DE ATRACAÇÃO E PONTE INCLINADA JUNTO AS INSTALAÇÕES DO FAROL [FORTE] DE ITAPEMA/SP.
BARCA A VAPOR 'VICENTE DE CARVALHO' NO ESTALEIRO PARA REPAROS - ITAPEMA/SP.

Casos em que os estaleiros forneciam água, tintas, lubrificantes, conserto de peças para os navios atracados durante estadia tanto na Bocaina, quanto por todo o Porto santense. Sendo a Wilson Sons & Co., proprietária de alguns deles. Ali estabelecido na margem estuarina itapemense, o Estaleiro da Família Lamosa.
ESTALEIROS NA MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP - LITORAL PAULISTA [1963].
ANTIGO ESTALEIRO MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP [DÉCADA DE 1960].
MARGEM ITAPEMENSE/SP ONDE ABRIGAM-SE ESTALEIROS NAVAIS - LITORAL PAULISTA [ANOS DE 1960].
ANTIGO ESTALEIRO - MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP.

O Sistema de Travessia Marítima de Barcas de Itapema, também possuía uma doca ao lado da Estação para manutenção de sua frota.
Tinha instalações aqui pelos anos de 1960, o Estaleiro dos irmãos Manoel e Albino Marques Nabeto, junto ao atracadouro de catráias.
Outro próspero Estaleiro de construção naval era o 'Moura & Irmão', especializado na feitura de barcos de cabotagem e pesca, lanchas, chatas etc.
ESTALEIRO DOS IRMÃOS MANOEL E ALBINO MARQUES NABETO [ITAPEMA/SP].
ANÚNCIO DO ESTALEIRO 'MOURA & IRMÃO' [ITAPEMA/SP].
ESTALEIRO 'MOURA & IRMÃO' - BARCO EM CONSTRUÇÃO [ITAPEMA/SP].
DOCA DO SISTEMA DE TRAVESSIA MARÍTIMA DE ITAPEMA/SP PARA REPARO DAS BARCAS.

A paisagem de estaleiros itapemenses à margem esquerda da Ilha de Santo Amaro, inspirou muitos pintores em suas telas como Ianelli, Óppido, Oehlmeyer, Costa Simões, Athayde Lopes, Jorge Araújo e Marangoni. Registro singular da portuária marinha itapemense.
'ESTALEIRO EM ITAPEMA' - TELA DE EDGARD OEHLMEYER.
'TRAINEIRA EM REPAROS' [ITAPEMA/SP] - TELA DE ATHAYDE LOPES.

Descreve o Capitão Jessé Rolim, que "a Salgado Filho era um enorme aparato de maritimidade. Tinha cara que fazia remo de caxeta, consertava redes. A gente via aquelas redes enormes penduradas lá, estaleiros... (...)O Itapema girava em torno da pesca, do aparato marítimo. A maioria dos rapazes, das pessoas daqui trabalhavam em relação à pesca, consertando motores, calafetando embarcações, trabalhando nos estaleiros..."
PREPARO DE EMBARCAÇÃO NUM ESTALEIRO NA DESEMBOCADURA DO RIO SANTO AMARO.
DURVAL AGUIAR NO SEU ESTALEIRO [ITAPEMA/SP].
EQUIPE DO ESTALEIRO 'MOURA & IRMÃO' [ITAPEMA/SP].
PESSOAL DO ESTALEIRO 'MOURA & IRMÃO' A BORDO DE BARCO EM CONSTRUÇÃO [ITAPEMA/SP].
TRABALHADORES DA ATIVIDADE MARÍTIMA - MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP.
BARCA ITAPEMENSE/SP NO ESTALEIRO.

A faixa de marinha ativa, ao longo da margem estuarina itapemense, onde trabalham estaleiros de reparos, tanto como construção de barcos de madeira e outras embarcações. São ao todo, conforme dados de 1961, sete (7) estaleiros que ocupam mais de 40 operários. Empenhados nessa faina naval seguindo os anos: Estaleiro do Durval Aguiar, Estaleiro do Cardoso, Estaleiro Estrela, dentre alguns.
ESTALEIRO ESTRELA MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP - LITORAL PAULISTA.
PESSOAL DO ESTALEIRO ESTRELA PREPARANDO EMBARCAÇÃO [ITAPEMA/SP].
ATIVIDADE MARÍTIMA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP - LITORAL PAULISTA.
EMBARCAÇÃO ATRACADA NO ESTALEIRO ESTRELA - MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP.

Todavia houve um declínio do setor. Processos de manufatura e materiais industrializados (aço, alumínio, resina), despendendo mais maquinário, equipamentos, ferramentas, a carpintaria na construção naval teve seu mercado restringido ao atendimento da demanda por barcos pesqueiros e de lazer, algumas embarcações de apoio marítimo, senão às atividades ligadas ao reparo naval.
E mesmo aqueles que dominavam o trabalho com metal construindo rebocadores, barcas, balsas, atracadouros flutuantes, se viram tolhidos pelos acontecimentos futuros.
Com a passagem da malha ferroviária da antiga R.F.F.S.A., em fins dos anos de 1970, margeando o Distrito, desapropriou os terrenos à beira da Rua Salgado Filho, diversos estaleiros tiveram que mudar-se por falta de espaço físico. Outros sucumbiram a baixa da atividade nos antigos moldes, restando apenas uns poucos.
A MARGEM ITAPEMENSE/SP UTILIZADA PARA DESMONTE DE EMBARCAÇÕES AVARIADAS.
    A MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP USADA NO DESMANCHE DE EMBARCAÇÕES - LITORAL PAULISTA.

Cujo serviço atém-se ao desmanche de velhos navios náufragos, barcos inutilizados, embarcações a pique. Ou a construção de balsas, barcaças, atracadouros flutuantes, artefatos flutuadores de sinalização marítima, realizando diferentes reparos navais e consertos mecânicos.
ESTALEIRO REMANESCENTE MARGEM ESQUERDA DE ITAPEMA/SP - JUNHO 2008.
ESTALEIRO MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP [2008].
ESTALEIRO MARGEM ESQUERDA DE ITAPEMA/SP.
ESTALEIRO MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP.
ATIVIDADE NAVAL MARGEM ESTUARINA ITAPEMENSE/SP - LITORAL PAULISTA [DÉCADA DE 2020].
OCUPAÇÃO DA MARGEM ITAPEMENSE/SP PELO TRABALHO NAVAL [ANOS DE 2020].
FAIXA DA MARINHA ITAPEMENSE/SP [DÉCADA DE 2020].

Sem a propriedade dos estaleiros houve aqueles, outrora excelentes mestres navais, naufragados pelas marés traiçoeiras das decisões políticas, que jamais levaram em conta a condição portuária de ITAPEMA/SP, as necessidades sociais do lugar.
Comentário recolhido sobre o assunto no facebook 'Saudoso Itapema' assevera:
"Luciano Stipanich. O verdadeiro herdeiro do talento na construção naval. Infelizmente morreu só, sofrendo de enfisema pulmonar e abandonado, morando num barraco no mangue próximo a Torre [de Alta Tensão - margem esquerda]. Fato curioso é que mesmo num barraco, se percebia a criatividade na construção em mais absoluta limpeza e organização. O incrível construtor da Caravela que ambientou episódios do seriado infantil 'Sítio do Pica-Pau Amarelo'. Morreu sonhando com uma desapropriação do mangue para poder resgatar a dignidade e ter um endereço."

Tal como diz a canção popular:
"(...)Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais..." - Quiçá! Bons ventos tragam um Capitão audacioso, que guie esta nau itapemense por águas melhores e faça daqui um Porto vindouro e seguro.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A PEDRA DE ITAPEMA

PINHÃO ROCHOSO GRANÍTICO DA PEDRA DE ITAPEMA/SP.

O topônimo ITAPEMA/SP está relacionado ao pinhão rochoso granítico, que deu origem ao seu nome primevo, onde foi erguido o Forte de Itapema (século XVI), ícone emblemático da História da cidade:
Procedendo do Tupi: ITA "pedra", PÉ "quebrar, torcer, dobrar", e o sufixo MA (breve) para formar supino - como ensina João Mendes de Almeida, com o significado de "morro quebrado mais de uma vez ou pedra muito quebrada". Designa-se ainda o nome ITA (pedra) - PEMBA (lascada) que deriva da forma como os nativos referiam-se ao local em função da formação rochosa (granítico geológico, Pedra de Itapema).
Constituída num colosso de rocha formado durante Eras geológicas. Arrecife aflorado na margem esquerda itapemense, avançando até o meio do estuário do Porto (onde sobressaíam picos à superfície d'água, com maré rasa) então submergindo em seu leito marinho, na extensão sul do canal portuário. Contando com cerca de 30 mil metros cúbicos de massa.
FORTE ITAPEMENSE ERGUIDO SOBRE O PINHÃO GRANÍTICO DA PEDRA DE ITAPEMA/SP.

Noutros tempos, os Navios-veleiros que adentravam o estuário do Porto (também dito pelos indígenas, Guarapiçumã) ou dependiam dos ventos favoráveis, senão tinham de ser rebocados por escaléres impulsionados a remo, cujo percurso era margeado por pequenas enseadas dotadas de bancos de areia ou pedras submersas, as quais provocavam grossas avarias nas embarcações. Muitos Capitães tiveram seus barcos perfurados pelos traiçoeiros obstáculos naturais do estuário, que infundiam terror a marujada. 
Embora com proporções propícias para a navegação, o Porto teve em seu estuário algumas formações rochosas que representavam empecilho significativo a expansão dos serviços portuários. Interferindo assim no tráfego normal das embarcações, agora aparelhadas de motores. Por esta razão em 1908, erguem Torre de 14 metros de altura e instalam holofote elétrico, convertendo o Forte de Itapema - em Farol, destinado a orientação naval no  canal do Porto.
O PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA ASSENTA O FAROL [FORTE] NA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP. 
PINHÃO GRANÍTICO À BEIRA DO FORTE [FAROL] DE ITAPEMA/SP.
PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA A FLOR D'ÁGUA DO FORTE ITAPEMENSE.
A PEDRA DE ITAPEMA - O FAROL ITAPEMENSE E O DISTRITO AO FUNDO.

Os operadores portuários, Companhias marítimas, comerciantes dependentes das mercadorias trazidas pelos barcos e navios que transitavam pelo Porto, reclamavam pedindo a demolição destas rochas devido a localização desfavorável.
Olao Rodrigues (repórter) registra no início da década de 1970 haver no estuário entre a Ponte de Atracação das Barcas em Vicente de Carvalho e a enseada do Forte de Itapema, uma pedra submersa de grande porte, perigosa à navegação, em cuja área se assentavam bóias demarcatórias como aparelhos de segurança de tráfego. Era laje que apresentava profundidade de "menos de 3 metros", fazendo-se necessário o derrocamento (desmontagem, fragmentação com retirada dos pedaços) para deixá-la a menos de 12 metros do nível do mar, reduzida assim de quase 9 metros sua superfície em relação ao zero hidrográfico do Porto, sem portanto, maior perigo para a navegação do Estuário.
A BARCA ITAPEMENSE CRUZA O ESTUÁRIO AO LARGO DO FAROL E DO PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA [ANOS DE 1920].
PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA E O FAROL ITAPEMENSE - MARGEM ESQUERDA DO PORTO.
PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA QUE ASSENTA O FORTE [FAROL] ITAPEMENSE AVANÇA ESTUÁRIO ADENTRO [ANOS DE 1960].

Tal intervenção se fazia imprescindível, pois conforme a localização da Pedra de Itapema, o leito navegável fica estreitado. Se encontrando no caminho dos grandes navios. O granítico itapemense dificultava a navegação em mão-dupla no estuário do Porto. Com o alargamento de 150 para 220 metros entre uma margem e outra.
Pelo final dos anos de 1960, pretendia-se a derrocada da rocha abrindo-se concorrência que foi anulada.

[Localização  da Pedra de Itapema no estuário do Porto]
 
Outro aspecto deve-se ao fato de que os navios modernos (transatlânticos e cargueiros) estão cada vez mais avantajados, seu calado maior (distância entre a superfície da água e o fundo do casco) carecendo de mais profundidade para singrar melhor as águas do Porto. A dragagem de aprofundamento do canal portuário permitirá o aumento do calado do cais, dos originais 12 metros para 15 metros.
Análises precisam ser realizadas: Batimetria (verificação da profundidade do calado), características geológicas do maciço rochoso, equipamentos adequados, uso de explosivos.
Em 1970, efetivou-se nova tomada de preços (nº 27/70) promovida pela Companhia Docas (CDS), à conta dos recursos do Fundo de Melhoramentos do Porto. Quem executou o serviço pelo valor de Cr$ 530 mil cruzeiros, foi a Construtora Aulicino, de São Paulo. Que programou 22 explosões à dinamite, com prazo de execução até Novembro de 1970. Fiscalizada pela Inspetoria do Porto e do Departamento Nacional de Portos e Vias navegáveis.
ILUSTRAÇÃO DO MACIÇO GRANÍTICO NO LEITO MARINHO DO ESTUÁRIO DO PORTO.

Em meados dos anos 2000, novos levantamentos técnicos são feitos visando implodir uma vez mais o granítico rochoso da Pedra de Itapema.
Às 16:22 h., do dia 19 de Novembro de 2011, aconteceu a última detonação (de uma série) para derrocagem parcial da Pedra de Itapema, localizada na margem esquerda do estuário do Porto. Para isso, foram utilizados 1.251 quilos de explosivos distribuídos em 21 furos dispostos em três linhas. Operação a cargo do navio Yuan Dong 007, equipado com perfuratriz.
O tráfego na via aquaviária foi interrompido, inclusive das Barcas e catráias, durante as operações de detonação, afim de garantir a segurança das embarcações e trabalhadores que cruzam o canal portuário. Estando o perímetro da implosão sinalizado com bóias.
Antes que o serviço fosse realizado, a CODESP afirmou ter vistoriado o Forte de Itapema e a Estação das Barcas, de Vicente de Carvalho. Para assegurar a integridade das edificações situadas a até 500 metros. Além de outros estudos feitos com a finalidade de identificar as características da rocha, como tamanho e consistência. Levantamentos complementados pelo Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto no Meio-Ambiente (EIA-RIMA).
DETONAÇÃO DA PEDRA DE ITAPEMA/SP - MARGEM ESQUERDA DO PORTO [NOV/2011].
DETONAÇÃO DA PEDRA DE ITAPEMA/SP - MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE.
DETONAÇÃO DA PEDRA DE ITAPEMA/SP - MARGEM ESQUERDA DO PORTO [NOV/2011].

As intervenções ocorreram no período de baixa maré, quando geralmente apresenta menor circulação de navios. Sempre em intervalos de 3 horas.
Mergulhadores estarão trabalhando no local para a retirada dos pedregulhos da implosão da Pedra de Itapema, do fundo do estuário. Serão retirados 11.260 mil metros cúbicos do granítico itapemense.
A STER Engenharia, empresa responsável pelo serviço, fará a dragagem do material derrocado. A retirada dos fragmentos deve ser feita por intermédio de uma Draga Clamshell (com garras mecânicas em formato de concha), sendo transportado em barcaças.
Os serviços foram  custeados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), orçado em R$ 25.592.142,96 milhões de reais. As atividades desenvolvidas no decurso das operações de derrocagem acompanhadas pelo Consórcio CHL, contratado pela Secretaria dos Portos (SEP), para fiscalização do empreendimento (dragagem de aprofundamento e derrocagem de formações rochosas). Ainda, Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (FUNDESPA) - responsável pelo Programa de Mitigação dos Impactos do serviço.
O FORTE [FAROL] ITAPEMENSE E O PINHÃO DA PEDRA DE ITAPEMA.
PINHÃO GRANÍTICO DA PEDRA DE ITAPEMA À BEIRA DO FORTE [FAROL] ITAPEMENSE.

[Pedra de Itapema vista da margem esquerda] 




Parte da pedra permanece lá, incrustada na margem itapemense num pinhão granítico, aflorado à beira do Forte de Itapema, a testemunhar a solidez resistente do lugar.
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FRANCISCO NUNES CUBAS - Capitão FORTE DE ITAPEMA



Figura pouco comentada da ocupação quinhentista do sudeste, além do interior brasileiro, FRANCISCO NUNES CUBAS (sobrinho de Brás Cubas [Brasão a esquerda], fundador da Vila de Santos), teria nascido em 1534, certas genealogias datam 1547. Filho de Gonçalo Nunes Cubas, seria homônimo de um tio seu (tripulante da Armada Afonsina).
A família de Francisco Nunes Cubas possuía terras na Ilha Barnabé, margem esquerda do Estuário do Porto (Largo de Caneú), ilhota defronte a Vila de Santos, onde cultivavam cana-de-açúcar, arroz e outros gêneros, mantinham criação de porcos.
MAPA DA REGIÃO DO ESTUÁRIO DO PORTO - NA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE ASSINALA UM SÍTIO E O FORTE DE ITAPEMA/SP.

Dados de 'Inventários e Testamentos' publicados pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, era sua conjugue Izabel Justiniano Adorno, cujo casamento aconteceu em 1571, gerando uma filha Anna Maria Justiniano Adorno.
O Capitão Francisco Nunes Cubas tornou-se o primeiro comandante do Forte de Itapema (Forte Vera Cruz), nomeado por D. João V. Em 1617, comprou estas terras pertencentes a Jorge Ferreira (Senhor de Itapema), na Ilha de Santo Amaro e outras posses por provisão do Governador Geral D. Francisco de Souza.
PLANTA E PERFIL DO FORTE DE ITAPEMA/SP.

Foi ainda um Bandeirante Paulista. As Bandeiras Paulistas foram expedições exploratórias no território brasileiro colonial. O movimento das Bandeiras possibilitou o desbravamento interior do Brasil. Nisso criaram rotas, caminhos. Ampliou consolidando a ocupação Lusa. A ação dos Bandeirantes contribuiu para a manutenção da economia da Colônia portuguesa e riquezas a Coroa Lusitana.
PARTIDA DA BANDEIRA - PINTURA DE ALMEIDA JÚNIOR.

Com o século XVII começa a Épica Era das Bandeiras Paulistas e sua penetração definitiva Brasil adentro. Estas tiveram especial relevância, por serem pioneiras, não se limitaram a desbravar os caminhos e assim, abrir espaço ao povoamento do Sul, que era a região mais próxima, mas penetraram na direção Centro-Oeste. Ocupando estas Regiões que passaram a corresponder ao Território Brasileiro, ao arrepio dos limites fixados pelo Tratado de Tordesilhas. Outras Bandeiras seguiram até o Nordeste.
Como dito, eram Expedições empreendidas a época do Brasil colônia com fins diversos. Exploração do território, expansão das fronteiras, busca de riquezas minerais, captura ou extermínio de escravos indígenas, ou ainda Africanos.
As Bandeiras eram constituídas por Fidalgos portugueses, colonos, estrangeiros, clérigos, mamelucos (mestiços) e índios amansados. As vezes agrupamentos de algumas dezenas, três centenas ou poucos milhares de homens. 
BANDEIRANTES AS MARGENS DO RIO TIETÊ, NAS REDONDEZAS DE SÃO PAULO DE PIRATININGA.

Os cursos d'água (rios) eram naturalmente o meio de transporte acessível. Contudo, como não se interligavam, em pontos tomados aleatoriamente abriam-se picadas, até o encontro de nova via fluvial. Viajando em grandes canoas levavam mantimentos, utensílios, ferramentas, armas e munições. Febres, a fome, os animais selvagens e indígenas inimigos levaram ao extermínio de sucessivas Bandeiras.
Além do português os Bandeirantes também falavam a língua Tupi, língua esta que era por vezes a utilizada cotidianamente por eles (Nhangatu). Foi com termos Tupis que os Bandeirantes nomearam vários lugares por onde passavam, originando muitos dos atuais topônimos brasileiros.
A maioria dos Bandeirantes, andava descalço. Sendo que geralmente usavam chapelões, levavam como equipamento as botas e as alpargatas, comumente feitas de couro, coletes. Armaduras e armas como as espadas, lanças, facas, os punhais, terçados, alfanjes, machados. Os arcos e flechas indígenas, tacapes, bordunas. As pistolas, espingardas, os arcabuzes, mosquetes e bacamartes.
ILUSTRAÇÃO ACAMPAMENTO BANDEIRANTE.
 
A cargo das Bandeiras Paulistas somou-se a questão das Missões Jesuíticas envolvendo o Paraguai e parte fronteiriça do Brasil. Ou seja, domínio da Região Sul e Centro-Oeste então abrigando Autoridades espanholas, colonos, padres divergentes da Companhia de Jesus e militares, um empecilho a expansão portuguesa.
Os Jesuítas posicionaram-se contrários ao aprisionamento de nativos. Conseguiam incorporar os indígenas ao trabalho nas suas fazendas utilizando a catequese. Por isso, os colonizadores portugueses consideravam-nos concorrentes desleais.
Na primeira metade do século XVII intensificaram grandemente as incursões naqueles rincões do Brasil. Ali se erguia um baluarte contra as pretensões da Coroa Lusitana.
BANDEIRA ATACA INDÍGENAS - GRAVURA RUGENDAS.
 
O padre Ferrufino, Procurador-Geral da Companhia de Jesus relatava (1633) que os Paulistas haviam destruído, "com impiedade e crueldade nunca vista uma das mais numerosas e florescente província". Mais de mil almas haviam sido chacinadas, escravizadas e dispersas.
Apenas o início de um tormento, descreve outro padre. A longa caminhada dos apresados nativos até São Paulo prometia horrores como "matar os enfermos, velhos, aleijados e crianças que impedem os pais ou parentes a seguirem a viagem com a pressa e expediência que eles pretendem". - Dando de comer nacos das vítimas a seus cães.
Sobre tais ataques contam ainda, levavam tudo a sangue, fogo cerrado, matando e roubando sem perdoar os que acolhiam-se ao lugar sagrado da igreja, profanando sacrílegamente.
INDÍGENAS APRESADOS POR BANDEIRANTES - GRAVURA DEBRET.

Profanavam templos, destruíam as santas imagens, matavam Missionários e maltratavam outros. Quem tais horrores praticava não podia ser gente católica embora nestas Bandeiras marchassem Capelães, sim, mas clérigos transviados (comumente de outras Ordens Eclesiásticas). Protestavam Jesuítas e Autoridades espanholas.
Os Bandeirantes Paulistas eram chamados pelos espanhóis de "maloqueros", cuja audácia devassava terras ditas da Coroa Hispânica. Gente ímpia, que cometia as maiores crueldades, traições e velhacarias, que nenhum vassalo da Coroa católica faria e jamais fizeram.
"Essa gente não teme excomunhões, não obedece as cédulas reais, não faz caso da justiça de Deus nem dos homens!..." - Escreve o Provincial Nicolau Duran.
Faziam de sua vida de latrocínios, um viver tão infame e indigno de cristãos. Muitos passavam cinco, dez, dezoito anos na selva, vivendo feito brutos sem dar-se conta de suas casas e de suas mulheres legítimas.
 CONFRONTO ENTRE BANDEIRANTES E INDÍGENAS PROVÍNCIA DE S. PAULO DE PIRATININGA - GRAVURA DEBRET.

O Bandeirante Francisco Nunes Cubas tomou parte nas Expedições ao Guairá, província espanhola (1602) e a Santa Catarina (1615). Integrou as Bandeiras Paulistas, atrás de pedras e metais preciosos, escravos indígenas, travando batalhas com os nativos, espanhóis e Jesuítas opositores aos métodos dos Bandeirantes.
Segundo inventário da Bandeira de Nicolau Barreto (1602) seguiu pelo sertão de S. Paulo e terras brasilis adentro (pros lados do Guairá). Em Dezembro de 1615, participante duma outra de Lázaro da Costa, acampada no Sertão dos Carijós. Julho de 1637, integra a Bandeira capitaneada por Jerônimo Bueno internada as margens do Rio Taquari, afluente do Rio Paraguai.
Assumiu o cargo de Escrivão da Câmara santense. Em 14 de Maio de 1653, era Vereador na Vila de S. Vicente (sessão conjunta com os legislativos de Santos e S. Paulo), quando aprovou o retorno dos Jesuítas a Capitania piratininga, apesar dos antigos entreveros.
Reivindicou no ano de 1642, por ser filho e neto de conquistadores e povoadores, tendo toda sua descendência, bem como familiares habitando a Colônia brasileira, outrossim pelos serviços militares prestados, obteve uma légua de terra no Rio de São Francisco. 
   

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O ESPETACULAR PEDRO SUCURI

PEDRO SUCURI, SUPER-HERÓI DE ITAPEMA CITY (1949).

Pedro Sucuri, figura espetacular, uma lenda do antigo ITAPEMA/SP. Nosso homem bem que poderia ter existido como personagem de Histórias em Quadrinhos ou Seriados de Aventuras da TV: Jim das Selvas, Tarzan, entre outros mais. Dado seu porte atlético, ímpeto esportivo, capaz de proezas admiráveis. Para muitos daquela época, um Super-Herói nato. Pois fez parte da infância de saudosos moradores.
Também pescador, possuía habilidade incomum para o mergulho submarino. Com fôlego de peixe. Lembrado como o verdadeiro "Homem do Fundo do Mar", porque auxiliava os Bombeiros nas buscas dos afogados desaparecidos no Canal do Porto, pelas margens itapemenses e rios próximos. Guarnecido apenas de reserva pulmonar, dum calção de banho escuro.
PEDRO SUCURI MANOBRA SUA CANOA.

Pedro Sucuri e sua esposa D. Joana (de descendência indígena) eram oriundos de Propriá/SE, onde casaram e lá nasceram os filhos mais velhos: Odalmo, Olualdo e Lourdes. Em Natinópolis veio ao mundo a filha Odete. Ao aportar em ITAPEMA/SP nos anos de 1950, a família foi morar na Rua Particular Amaury, na região central do Distrito, onde nasceram os demais filhos: Beto, João, Miguel, Jurema, Ledo, Osmar, Odena e Odemir. Uma prole de 11 filhos, que D. Joana deu a luz, todos de parto natural.
D. JOANA E O LENDÁRIO PEDRO SUCURI.

Pedro Sucuri tinha um gosto exótico por bichos de estimação. Seu instinto de caçador explorado ainda na Restinga itapemense, habilitou-lhe manter cativo animais temíveis da fauna brasileira. Jacarés fizeram parte desse zoológico particular.
PEDRO SUCURI SEGURA UM JACARÉ (CAIMAN LATIROSTRIS).
PEDRO SUCURI TRATANDO UM JACARÉ (ITAPEMA/SP).

Estando no Estado do Mato Grosso, fins da década de 1940, capturou 11 cobras Sucuris (Eunectes murinus). Esta espécie, ainda chamada Anaconda, ganhou fama por ter apetite de engolir inteiro animais de grande porte: anta, gado e até gente. Sendo despachadas de trem a fim de que chegassem em Itapema. Devido as agruras da viagem 9 dessas cobras morreram pelo caminho. Duas que sobraram foram criadas em seu quintal no Bairro Jardim Santense. Ele e a família demonstrando destreza ao exibir as Sucuris para os vizinhos espantados.
PEDRO SUCURI DOMINA UMA ANACONDA (EUNECTES MURINUS).
PEDRO SUCURI MANIPULA UMA ANACONDA NO QUINTAL DE CASA EM ITAPEMA/SP.
FAMILIARES DE PEDRO SUCURI EXIBEM UMA ANACONDA (ITAPEMA/SP).
CRIANÇAS DA FAMÍLIA DE PEDRO SUCURI MANIPULAM UMA ANACONDA (ITAPEMA/SP).
MEMBROS DA FAMÍLIA DE PEDRO SUCURI POSAM COM A ANACONDA (ITAPEMA/SP).
CRIANÇA DA FAMÍLIA DE PEDRO SUCURI ENRODILHADA POR UMA ANACONDA (EUNECTES MURINUNS).
MULHERES DA FAMÍLIA DE PEDRO SUCURI SEGURAM UMA ANACONDA (ITAPEMA/SP).

Sobretudo, Pedro Sucuri foi extraordinário para as famílias itapemenses, as quais perderam seus entes queridos nas águas do Estuário do Porto. Mães, esposas chorosas, aterrorizadas por encontrar seus corpos comidos pelos siris, mastigados por cações ou perdidos para sempre no mangue lamacento. Pediam de dar dó... Que fosse um corpo inerte.
MOLEQUES AUDAZES NADAM NA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE.

Os Bombeiros não achavam. Fazia umas rezas consigo, mergulhava água salgada adentro transbordante de lágrimas sofridas, prendendo o quanto podia a respiração e trazia o corpo da vítima inchado de maré. Alguns meninos e rapazes tragados pelo descuido fatal.
 NA COMPANHIA DE UM AMIGO - PEDRO SUCURI.

Entretanto, Pedro Sucuri não somente trouxe nos braços defuntos incautos, marujo do Barqueiro Careonte. Duma feita, ouviu os gritos desesperados de que uma criança caíra na água, debaixo do píer, na saída da Barca. Foi momento de desabalada carreira e... Tchibum! O silêncio na superfície da água, Pedro Sucuri lá no fundo. Parecia tamanha eternidade... Ei-lo! Tomou do colo, o rebento que encantara a Mãe d'Água Janaína. Salvou um bebê de 9 meses de idade, que havia caído dos braços da jovem mãe direto nas águas itapemenses. Durante muitos de seus aniversários, a mãe levava esta criança a casa de Pedro Sucuri em gratidão por ter-lhe salvo a vida.
Tendo existido de fato. Um homem incrível, Pedro Sucuri ilustra maravilhosamente uma das páginas de nossa História itapemense. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sociedade @lternativa ITAPEMA Radical




Mais uma noitada no &.@ '&ociedade @lternativa', bodega descoladíssima nos rincões da província. Dois radicais livres, mas que nunca envelhecem, avistam-se pelas mesas da calçada.
- E aí, bródi!
- Colei!... Paga uma cerva?
- Até pago... Me descola um careta do teu. - Faz sinal pro camarada do balcão.
- Tô vindo do supletivo. Doido, tem um fessora no esquema que é muito dez!!
- Pensa que tá na creche...
- E eu não sou "maior" abandonado?... - Casca o bico.
- Minha escola é o skate, móra. Na veia! - Improvisando certa manobra radical batendo os tênis. - É foda, mol nóia... Não tô podendo dar um rolê. As street da cidade só cratera, calombo na pista... Tenho que andar de busão.
- Radicalizou, bródi. - Mostra os dedos satânicos.
O garçom chega com a cerveja.
- Pô, cumpadi... Põe aí um som manêro.
- Podis crê, bródi.
- Qualquer um do Pink, manja?...
- Que é Floyd!!... Tem pra ninguém, mermão. Aproveita pra espantar as moscas...
- Wohoo!! Esmerilhou, parça! - Cumprimentam-se espalmando as mãos no ar.
Cigarro retorcido pelo canto da boca, um deles resolve folhear o jornal deixado por cortesia no estabelecimento. O outro sacode convulsivamente harmônica a juba ao ritmo de Roger Waters e Cia. Dedilha os acordes numa sua guitarra imaginária.
- Bródi, saca aqui o que esse figura mandou vê nesta coluna.
Seu chapa apanha a página. Neurônios em franca atividade. Num gesto pensativo despeja o copo de "breja" goela abaixo.
- Cabuloso! Esse cara aqui as vezes... Pirei legal. Ecos Urbanos... Mór idéia, né!? Tem conserto o Homem não. Tá nas últimas horas.
- Ô... Nhéim-nhéim, véio. Papo brabo! - Solta a baforada de nicotina. - Desse pessoal dito consciente. Quer ensinar quem? Da vida nem sabe como ela é... Sabichão!
- É só uma "letra", bródi, tu tem que tá informado.
- Na falta de serventia pruma coisa isso ajuda... Papel pra limpar as beradas!
- De qualidade duvidosa...
Riem discretamente para que o editor do tabloide e freguês vip da casa, sentado numa mesa próxima não perceba.
- Quem disse que o nosso não é diplomado em "boston"... - Perdem a compostura. Gargalham tanto até que...
- Ihh, bródi!... - Deixa emitir uma bufa ruidosa, descontrolada. - A merenda tá dando revertério. Vou dar utilidade pro jornal agora. - Correu avexado em direção ao WC. O garçom tenta impedi-lo, tomar-lhe o 1ª HORA das mãos, alegando ter posto papel higiênico lá. - Na moral... Fica frio, bicho. É que só consigo "soltar um barro" lendo.