__________ Itapema, suas histórias... __________

segunda-feira, 2 de maio de 2011

OS HUMILDES HERDARÃO ITAPEMA



Quem passava pela Rua Bahia e a 24 de Agosto, tomando a Rua Pará em direção ao centro admirava-se. Numa das mesinhas de concreto no triângulo isóceles da Praça da Bíblia, um casal de mendigos jantava à luz de velas com pompa e circunstância. Da sacada de um dos sobrados em frente, o morador fazia ver alertando os seus para o burlesco.
Saboroso banquete patrocinado por regalados despachos das encruzilhadas. Velas pretas nos castiçais de longnecks e uma taça de sidra borbulhante entre os dedos dela em chagas.
 PRAÇA DA BÍBLIA [VILA ALICE] - ITAPEMA/SP.

A infringir o silêncio, o raspar dos talheres nas latas de goiabada como prato... Era uma galinha cozida na rua, mas por que não achar ser um faisão? Não era tudo "ciscante"? Ele cuspiu longe uma conta de búzio.
- Tua mãe não te deu modos?
- Nunca pensei que dendê fosse tão bom!
- Vamos guardar um pouco desse inhame...
Por dentro dele ruminava satisfação, como se as dificuldades não existissem. Empanturrara-se daquela gororoba digna dos deuses... Que sofisticado o agridoce de outros restos da guarnição! Digeria entre arrotos e baforadas de charuto o repasto. Orixás e caboclos comiam excelentemente bem.



Barriga cheia estirou o corpanzil na grama. Por entre a erva rala um grilo cricrilava soturno... Deixou que os pensamentos desmanchassem com a fumaça, volteando no halo da  alta luminária em forma de trevo.
Donde estava podia ver o simplório monumento com o livro sagrado aberto no Salmo 23:
- "O Senhor é meu pastor nada me faltará." - Soltou as palavras entre a fumaça.
Insistentemente o grilo solitário repetia nos seus ouvidos...
"Cri, Cri, Cri..."

terça-feira, 19 de abril de 2011

"MALUCOS-BELEZA" DO ITAPEMA


Algo que desde cedo intrigou-me em ITAPEMA/SP foram seus tipos excêntricos, os chamados loucos, a vagarem pelos bairros. Sempre me pareceram muitos. Talvez devido ao tamanho da cidade. A maior concentração num raio de 100 metros estive observando. Pelas estatísticas oficiais isso deve ser algo normalíssimo... E até brinco às vezes, estar relacionado com alguma substância na água qual bebemos.
Nas imediações de onde moro consigo enumerar pelo menos cinco casos de marcante excentricidade, digamos assim. Outro tanto de acometidos por distúrbios controlados à base de remédios. Também vi pessoas de trajetória sã enveredarem de repente nos labirintos da "loucura"... Quem sabe, seja só paranóia minha. Não transformemos o Distrito no cenário insano de um conto de Machado de Assis.
Entretanto,  tal peculiaridade não chega a ser defeito pois promove situações saborosíssimas. Em sua maioria são pessoas amistosas, sem grandes problemas para a ordem pública. Como o camarada que se ri sem razão aparente, mas de uma marotice a garimpar moedas para a pinga. Outro achando-se motorista seguia pelas ruas de volante em mãos a dirigir um carro imaginário, e conforme dizem teria sofrido numa trombada.
"ELE NÃO SABE AONDE TÁ INDO, MAS TÁ NO CAMINHO DELE..."

Ainda aquele que solta descabidos imprompérios e esbraveja com um suposto alguém. Ou o catatônico capaz de ficar horas imóvel nos lugares mais inusitados. Recentemente, a extravagância motivou certo tipo a figurar nesta nossa extensa galeria. O tal reproduz a pedidos os jargões das campanhas publicitárias da tv.
Meu amigo Sebastian Michellod, suíço-portenho (Documentarista de viagem), do Blog 'CARNETS D'AMÉRIQUE LATINE', que por aqui esteve em 2008, olhar atento, captou com suas lentes algumas dessas figuras.
"EU JURO QUE É MELHOR NÃO SER UM NORMAL... MAIS LOUCO É QUEM ME DIZ, E NÃO FELIZ..."




[Alguns dos tipos captados por Michellod]

Assim, numa paráfrase de um poema de Carlos Drummond de Andrade, tornam-se os doidos municipais respeitáveis em sua condição. Passeiam pela cidade sua loucura mansa e têm reconhecido seu direito legítimo à insanidade.
Muito conhecido é um senhor protestante, batizado por alguns "Beato Salu" [foto abaixo], acreditando há décadas ser o novo Profeta, brada sua bíblia no ar a predizer o final dos tempos. Entre sentenças desconexas pode-se entender do seu linguajar peculiar:






- A ira de Deus cairá como fogo... Ainda há chance, pecador! - Os automóveis zunem pela avenida. Ciclistas passam aos deboches, enquanto ele faz do canteiro central seu pulpito. - O Salvador Jesus te chama. Livra tua alma da iniquidade... Vê os sinais dos tempos? Pois de dois mil não passará!!...
De fato, num desses surtos aproximavamo-nos da virada do século XX. E ainda que eu tivesse ouvido umas tantas vezes semelhante previsão apocalíptica dos evangélicos, esta jamais confirmou-se. Embora não fosse novidade nenhuma. Até onde fui informado pela ciência, ser daqui a "zilhões" de anos quando o Sol se apagar ou o acaso do universo colocar um asteróide na trajetória do planeta Terra... Esse é o fim próximo!
Imagino se afinal ele se cansasse de esperar o Dia do Juízo. Indagaria o pastor de sua igreja a respeito, já que o mundo seguia seu curso normal. Depois de muitas explicações teológicas envoltas em mistérios humanamente incompreensíveis, este concluiria que nos tempos dos apóstolos não havia calculadora eletrônica por isso erraram na conta. Uma explicação bastante lógica, triste seria lançá-lo à realidade permanente.
Enfim, "Beato Salu" teria a merecida aposentadoria. Certo de que ao seu posto já havia candidato garantido.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

BEM-TE-VI DE OLHO NO ITAPEMA

POETA BEM-TE-VI [ORLANDO SANTANA DA CRUZ].

Orlando Santana da Cruz, nosso poeta Bem-te-vi (denominação também de outros cordelistas afamados), tem uma estampa emblemática própria das figuras sergipanas míticas da minha infância, que por vezes me deparo nas ruas de Itapema.
O cabelo grisalho colado ao crânio, os óculos de aros retangulares, hastes finas. Completa o figurino a calça social e camisa de botões com mangas curtas. Talvez por gosto, ele dispense o chapéu de feltro escuro. Seus modos conferem-lhe uma distinção sobrenatural.
Nordestino do litoral sergipano, mais especificamente do Porto Grande (povoado de poucos habitantes entre o rio e o mar). Lá as moradas eram modestos casébres de pau-a-pique cobertos com palha dos muitos coqueiros. Nas cercanias mangues repletos de Aratus e pomares naturais de árvores frutíferas, típicas da região. Festejavam o Reisado, o Cacumbi e outras expressões do Folclore local. Vivia-se da pesca, caça e da roça... Aliás nem existe mais, confessa entristecido o poeta num causo de sua infância, foi tragado pelas areias trazidas das dunas existentes nas proximidades.
"(...)restando do povoado apenas a saudade... Ali naquela humilde aldeia nasci e me criei até os doze anos..."
MANUSCRITO DO POETA BEM-TE-VI
  
Não é dado à muitas palavras, Seo Orlando. Mas versador de cordel como poucos. Trouxe no seu coração aquilo que via nas feiras daqueles rincões. E foi no grupo de estudos 'Movimento de Cordel' (1997), reunido na Casa de Cultura 'Jaime Cubero' - ITAPEMA/SP, que ele já prosa glosava:
"Agora que já peguei
Do cordel o fio da meada..." - Nunca mais parou de escrever. Olhar crítico sobre os desmantelos da cidade. Produzindo cordéis "de época ou ocasião", seguindo "a nova modalidade de Cordel, com menor número de estrofes, mais sintética...", do grupo de estudos 'Movimento de Cordel'. Um jornalismo popular a esclarecer o povo.

"Quando pagamos passagem
 No preço está embutido
 Colocação de mais ônibus
 Pro povo ser atendido,
 Mas o que vemos deveras
 É nos pontos muita espera
 E o povo espremido."



[imagem à esquerda, o livro que resultou do grupo de estudos da Casa de Cultura 'Jaime Cubero'.]

Repórter da população sem deixar de ser poeta. Contundente como as vezes não é o jornal oficial, refletindo a realidade de maneira objetiva.
"Em Vicente de Carvalho
 Tem que dirigir com arte
 Há buraco em toda parte
 Está faltando cascalho
 E quem vai para o trabalho
 Da estrada é dependente
 E o carro se ressente
 Ao passar pela lombada
 Rua mal sinalizada
 Pode causar acidente..."

"Até nos Prontos-Socorros
 Falta ali tudo também
 Remédios e ambulâncias
 São coisas que não se tem
 Funcionários, enfermeiros
 Ganhando pouco vintém"

 CORDEL CIDADÃO DO POETA BEM-TE-VI. 

Bem-te-vi, poeta cultivador da literatura popular em versos, divulga esporadicamente seus cordéis através de publicações alternativas, ou envia aos amigos. Toda vida preocupado com os destinos do município e fustigando a classe política.
                         "Se realmente existisse
                          Um pouco de sinceridade
                          Ao invés de hipocrisia
                          Egoísmo e falsidade
                          Esta cidade seria
                          Quem sabe talvez um dia
                          Um paraíso de verdade..."

terça-feira, 22 de março de 2011

URBE ITAPEMENSE

UM OLHAR SOBRE A URBANIDADE DE ITAPEMA/SP.

Não falemos em Arquitetura, segundo convenções estílisticas, mas neste desenho díspare da cidade. Paisagem comum nas periferias brasileiras. Este ecletismo quase indefinível de formas, materiais e cores. Em Vicente de Carvalho [ITAPEMA/SP] não vem a ser diferente. Precisamente, é no interior dos bairros que esta percepção se notabiliza.
Daquilo que se poupou da demolição e foi construído nessa constante transformação de Itapema permanece algum registro histórico das primeiras construções, e novos empreendimentos marcam sua presença pela urbe do Distrito. 
Superada a fase de estilo constante dos chalés avarandados (de origem inglesa) em madeira e suas variantes (modelo e tamanho), também das casas de alvenaria com perfil de construção dos chalés, pois ainda assemelham-se à estas habitações iniciais.
EIS ALGUNS EXEMPLARES DOS TÍPICOS CHALÉS ITAPEMENSES.
 
 OS CHALÉS ERAM ASSENTADOS SOBRE PILARES DE PEDRA CONTRA A UMIDADE DO SOLO. OS PORÕES DESSAS MORADIAS NÃO EXCEDIAM MUITO MAIS DE 1 METRO, SENDO NÃO-HABITÁVEL. UTILIZADO COMO DEPÓSITO DE FERRAMENTAS, TRANQUEIRAS OU TOCA DOS CACHORROS.
A COZINHA QUASE SEMPRE DISPOSTA NOS FUNDOS EM ALVENARIA.







[VIMOS A SEGUIR DOIS CHALÉS REMODELADOS. TANTO PELO HIBRÍDISMO EM ALVENARIA, SEJA COM ELEMENTOS DO NEO-CLASSICISMO.]



NESTAS FOTOS CASAS EM ITAPEMA/SP COM PERFIL INSPIRADO NOS ANTIGOS CHALÉS.

Como foram característicos os sobrados de 1 pavimento, onde famílias (quase sempre portugueses e libanezes) mantinham comércio embaixo (padaria, bar, mercearia, casa de móveis) e moradia no andar de cima.
Construíu-se seguidamente a esses, prédios que embaixo dispõe de negócios e nos pisos superiores residências (destacamos o Ed. Brasília [em 2 pavimentos], no Nº 380 da Av. Thiago Ferreira e o Ed. Três Marias no mesmo logradouro, abrigando ainda hoje uma das mais antigas 'Casa do Norte', próximo ao terminal de ônibus). Ou ainda, prédios de conjuntos comerciais de 2 a 3 pavimentos. 






[SOBRADOS DE 1 PAVIMENTO COM RESIDÊNCIA NO ANDAR DE CIMA.]

VARIAÇÃO DO SOBRADO DE 1 PAVIMENTO COM VÁRIOS APARTAMENTOS, EXCLUSIVAMENTE COMERCIAL.









[NESTA FOTO À DIREITA ED. BRASÍLIA - DEC. 60. NA IMAGEM ABAIXO,  DIAS DE HOJE.]





[O LONGEVO ED. TRÊS MARIAS]













[AQUI OUTROS  EXEMPLARES DE PRÉDIOS DE 2 PAVIMENTOS. COMÉRCIO NO TÉRREO E RESIDENCIAL NOS PISOS SUPERIORES.]


CONJUNTOS COMERCIAIS - PRÉDIO DE 2 PAVIMENTOS.

Anterior a estes, as antigas lojas de comércio e suas fachadas recortadas em forma de "podium". Na Av. Thiago Ferreira encontramos um exemplar sugeneris no Nº 563, plisado ao redor do beiral com cumeeiras e ostentando uma quartinha de São Jorge, outro mais característico na Av. Presidente Vargas Nº 350.
ANTIGA LOJA DE COMÉRCIO REMANESCENTE NA AV. THIAGO FERREIRA - ITAPEMA/SP.



[OUTRA ANTIGA LOJA DE COMÉRCIO  DOS ANOS 50.]


Erguemo-nos então, nesta miscelânea atual de estilos em que transmutam-se os baixos casarios, bem como "puxadinhos" e meias-águas nas áreas restritas dos quintais.
A necessidade de espaço das famílias itapemenses estimulou a proliferação de sobrados residenciais por todos os bairros, numa variedade de conceitos e perfis dos encontrados comparativamente no Jardim Progresso.
Determinadas regiões  viram surgir edifícios de 3 a 5 andares: Ed. Vigo II na Agenor de Assis, o conjunto residencial Gisele na Padre Anchieta, os INOOCOPs no Monteiro da Cruz (Conjunto Santos Dumont) e Jardim Conceiçãozinha (Conjunto Santo Amaro), CDHU em Morrinhos e o Ed. Michelle na João Veneziano para citar exemplos mais notórios.





SOBRADO RESIDENCIAL - ITAPEMA/SP

EDÍFICIOS DE 3 ANDARES, BLOCO ÚNICO, NO DISTRITO DE VTE. CARVALHO - ITAPEMA/SP.

INOOCOP/BNH - CONJUNTO SANTOS DUMONT (CONSTRUÍDO NO FINAL DA DÉC. 70)




[CONJUNTO SANTO AMARO - BNH]





[CDHU 4 ANDARES, NO BAIRRO DE MORRINHOS - ITAPEMA/SP.]

  ED. MICHELLE - 5 ANDARES.


Em termos característicos certas construções merecem menção à parte. Neste caso, o hoje "casarão" no Nº 308 da Av. Thiago Ferreira [foto ao lado] com decoração neo-clássica imitativa nas colunas, barras superiores da varanda de entrada, batente da janela frontal e pilastras do portão de acesso. Seria reforma do chalé remanscente, que serviu de sede à antiga sub-prefeitura do Itapema. Conforme verificamos mediante foto [abaixo] de 1964, do livro 'A Baixada Santista, aspectos geográficos', Vol. III.
ITAPEMA/SP - ANOS 60. OS CHALÉS DE VARIADOS ESTILOS DOMINAVAM A PAISAGEM URBANA.






Noutro aspecto, o prédio [imagem à esquerda] utilizado por muitos anos pela CRVC (Coordenadoria Regional de Vicente de Carvalho), com seu traço "arquitetônico" sóbrio, de linhas retas, as vertentes descaídas para o centro formando a letra "M", numa projeção quase tridimensional pelo terreno, ali no Nº 500 entre a Rua Cunhambebe e Av. São Paulo. Inicialmente funcionou como Centro Cultural 'Geraldo Ferraz', abrigava a Biblioteca e mantinha acervo histórico com objetos pessoais do autor. Foi desmantelado pelos políticos inconsequentes que a partir de 1980 "governaram" esta cidade.
 O PRÉDIO DA ANTIGA CRVC VISTO POR OUTRO ÂNGULO.
Mencionamos também as Vilas Militares da Base Aérea (Itapema - SP), uma na Rua Duque de Caxias com suas casas térreas de duas "águas", o alpendre rebaixado destacando-se do telhado principal e a parede em diagonal.






A outra na Av. Presidente Castelo Branco [foto acima], geometria chã de cubos e ângulos retos.

CONSTRUÇÃO DA VILA MILITAR DENTRO DA BASE AÉREA, DEFRONTE AO LARGO DE SANTA RITA - ANOS 50.


Pela exclusividade o Edifício Itapema I (dez andares entregues em Abril de 1984), mais assemelhado aos "arranha-céus" de outras cidades, onde é permitida este tipo de edificação.
  ED. ITAPEMA I - O ÚNICO 10 ANDARES.


Escondido entre os limites da Área Militar está o Prédio do Comando da Base Aérea à sombra de uma dezena de Jerivás. Num estilo colonial, acrescentado de detalhes neo-clássicos nos 14 janelões inferiores e no frontão, com sacada sobre o pórtico, que divide a edificação em dois extensos segmentos horizontais.











[DETALHES ARQUITETÔNICOS DO PRÉDIO DO COMANDO DA BASE AÉREA - ITAPEMA/SP.]
PRÉDIO DA COMPANHIA NAS INSTALAÇÕES DA BASE AÉREA, SEGUINDO AS LINHAS ARQUITETÔNICAS DO CONJUNTO DE CONSTRUÇÕES EXISTENTE NA ÁREA MILITAR.

A partir da metade dos anos 80 dissiminou-se os conjuntos de sobrados geminados, inspirados nos modelos iniciais da Rua Alvorada e Rua Paraná, 108. Aproveitando reduzidos espaços ao estilo das primeiras "casas populares" dos bairros Pae Cará [COHAB], Santana, Esplanada do Castelo, Boa Esperança [INOOCOP], cujos aspectos originais têm sofrido modificações, ampliações em função do gosto e carência dos seus proprietários.
 SOBRADOS GEMINADOS DO JD. ALVORADA CONSTRUÍDOS NA DÉCADA DE 60 - DISTRITO DE VTE. CARVALHO.




[CONJUNTOS DE GEMINADOS TEM SIDO A OPÇÃO DO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO NO DISTRITO.]




[GEMINADOS - ITAPEMA/SP.]

 "CASAS POPULARES" DO PAE CARÁ - COHAB. CONSTRUÍDAS NOS ANOS 60.
"CASAS POPULARES" - JARDIM SANTANA.
"CASAS POPULARES" - JD. ESPLANADA DO CASTELO [ ITAPEMA/SP].
"CASAS POPULARES" - JD. BOA ESPERANÇA.

Alguns templos religiosos diferenciam-se na paisagem urbana. Já outros mantêm o formato triangular de suas "águas", ou simplórios recortes geométricos de seus frontispícios, as janelas ogivais longas e curtas, arredondadas ou agudas protegidas por vitrôs coloridos. Relacionamos alguns, independente do credo.
De perfil arquitetônico moderno a Igreja de Nossa Senhora das Graças, com linhas sinuosas e longas pilastras à vista recortando a estrutura do prédio. Cuja extrema direita ostenta um cruzeiro e o sino (numa espécie de "campanário" estilizado), tendo ao centro a altiva imagem de Nossa Senhora pintada sobre azulejos ao modo português.
 IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - VILA ALICE [DISTRITO DE VIC. DE CARVALHO/SP].




A Igreja de Nossa Senhora Aparecida [imagem à direita], na Av. Oswaldo Cruz, remodelada num aspecto medieval (revestimento parcial imitando tijolos), acréscimo de sacada, campanário, relógio, sino e anjos nos beirais. Projeto de Luiz Valdir Coelho.











[O SIMBÓLICO FORMATO CIRCULAR DA CAPELA DO CEMITÉRIO DISTRITAL DE VTE. CARVALHO.]


Na vertente protestante, o padrão repetitivo, mas gracioso, em tons cinzas, da 'Congregração Cristã do Brasil', frontão e pórtico arcados.
O templo Presbiteriano da Rua Pedro Lopes - Pae Cará, apesar dos traços maneiristas possui torre vazada num crucifixo que se ilumina à noite. [foto ao lado] 
 TEMPLO DA 'CONGREGAÇÃO CRISTÃ DO BRASIL' - VILA ALICE.

De conformação austera 'A Igreja de JESUS CRISTO dos Santos dos Últimos Dias', na Via Santos Dumont, com grandes vitrôs retangulares translúcidos e portentoso pináculo. Dentre estes, 'O Salão do Reino das Testemunhas de Jeová', na Rua Manoel de Góes Nº 244, é o mais original, sua frontaria remete a dois jotas estilizados.
  'IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS' (TEMPLO MÓRMON) - ITAPEMA/SP.
'SALÃO DO REINO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ' - JD. BOA ESPERANÇA.







[O TRADICIONALÍSSIMO TEMPLO BATISTA EM ITAPEMA/SP. CUJA FRONTARIA PASSOU POR REFORMAS, ANTES RECORTADA POR UM VÉRTICE AO INVÉS DESTE  ATUAL DESENHO OGIVAL. ALÉM DO ACRÉSCIMO DE SACADA E ESCADAS BI-LATERAIS.]









Citemos ainda que não de caráter religioso, o hermético prédio maçon [imagem à direita], sito à Rua Capitão Lessa, com seu frontão triangular sustentado por colunas cilíndricas, encimando o símbolo da magna ordem.
Como percebemos o acabamento destas construções utiliza múltiplos recursos, contribuindo para a mistura de estilos. Revestimentos de materiais e padrões diversos: cerâmicas, plaquetas de pedra, granilhas, pastilhas multicoloridas etc. Mesclam-se às composições: perfis coloniais de telhados e janelas, balaústres torneados ou imitativos do neo-clássico, gradis concêntricos e geométricos em ferro, esquadrias em alumínio, platimbandas e beirais azulejados, variados mosaicos pastilhados. Sendo tão ao gosto pessoal não há predominância de estilo, mas fusão dada a variedade de materiais oferecidos pelo mercado construtor.
Nota-se nas caminhadas pelas ruas dos 16 bairros itapemenses (fora o pavimento asfáltico dominante) o calçamento dito ecológico dos antigos paralelepípedos e sextavados hexagonais, resistentes ante o negro asfalto.
Certamente esta é uma imagem estrutural urbana que tende a transformar-se com a passagem das décadas, como ocorreu às primeiras construções.