__________ Itapema, suas histórias... __________

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ITAPEMA - Aspectos geográficos, naturais, urbanos e sociais

PANORÂMICA DA ENTRADA MARÍTIMA DE ITAPEMA/SP.

ITAPEMA/SP - BRASIL (cidade portuária-estuarina), no Litoral Paulista (a Leste do Estado), topograficamente esta localizada a Noroeste da Ilha de Santo Amaro, cerca de três milhas estuário adentro, afastada do Oceano Atlântico. Assinalada sob o Trópico de Capricórnio (América do Sul), cujas coordenadas geográficas são as seguintes: Longitude - 46:17:20.88 e Latitude - 23:56:44.75, em Altitude de 3, 00 m acima do nível do mar. Anteriormente conhecida como Distrito de Vicente de Carvalho.
Assenta-se numa planície entre a escarpa da Serra do Mar e o Estuário do Porto (chamado pelos antigos indígenas de Guarapiçumã), também fazendo limites ao Norte pelo Canal da Bertioga e a Leste com a Estância Balneária.
MAPA DO ESTADO DE SÃO PAULO ASSINALANDO A ILHA DE SANTO AMARO À BORDA DO OCEANO ATLÂNTICO.
O DRAGÃO ALADO DA ILHA DE SANTO AMARO, ONDE ESTÁ SITUADA ITAPEMA/SP.
VISTA AÉREA A PARTIR DO FORTE DE ITAPEMA (ANOS 80).
FORTE DE ITAPEMA/SP (1906).

O topônimo ITAPEMA está relacionado ao pinhão rochoso granítico, que deu origem ao seu nome primevo, onde foi erguido o Forte de Itapema (Século XVI), ícone emblemático da História da cidade:
Procede do Tupi: ITA "pedra", PÊ "quebrar, torcer, dobrar", e o sufixo MA (breve) para formar supino - como ensina João Mendes de Almeida, com o significado de "morro quebrado mais de uma vez ou pedra muito quebrada". Designa-se ainda o nome ITA (pedra) - PEMBA (lascada) que deriva da forma como os nativos referiam-se ao local, em função do pinhão rochoso (granítico geográfico, Pedra do Itapema).
 PARTE DO PINHÃO ROCHOSO GRANÍTICO - PEDRA DO ITAPEMA.

ITAPEMA apresenta Clima Litorâneo de transição, tanto do ponto de vista das classificações analíticas quanto das pluviométricas. Assim sendo, possui clima Inter-Tropical (quente e úmido), com Temperaturas variando entre Máxima de 38ºC e Mínima de 10ºC. Umidade Relativa do Ar em 77%. E Média Anual de Chuvas de 178,5mm.
A Tábua de Marés pode assim variar:
Maré comum: 2,30m (Lua cheia) - dois dias antes e até três dias depois.
Maré comum: 1,60m (Quarto crescente ou Minguante) - dois dias antes até três dias depois.
Maior preamar: 2,70m (observada acima do zero hidrográfico).
Baixamar comum: 0,45m (em dia de Lua).
Baixamar comum: 1,10m (em dia de Quarto crescente).
Em geral as grandes Baixamarés comumente descem a menos de 0,33m.
MARGEM ESQUERDA, ITAPEMA/SP.

Os ventos predominantes são: o vento 'S' e o 'E', oriundos respectivamente do anticiclone polar e do anticiclone atlântico, constituindo vento prevalecente, o vento Sul ('S') com variação Sudeste ('SE'). Entretanto, nos meses de inverno e início da primavera passa a dominar o vento Sudoeste ('SW'), especialmente em Agosto. Sentindo-se também com mais frequência, nessa mesma época do ano, os efeitos do Noroeste ('NW').
À ESQUERDA DO ESTUÁRIO, A PORTUÁRIA ITAPEMA/SP.
 ITAPEMA/SP (1939) NA MARGEM ESQUERDA DO ESTUÁRIO (GUARAPIÇUMÃ).
 À ESQUERDA ITAPEMA/SP NA MARGEM DA ILHA DE SANTO AMARO.

Sendo banhada por região de formação estuarina, portanto marinha, ainda nota-se em ITAPEMA/SP a sedimentação intermediária correspondente aos mangues, que são bancos de lodo e areia, cuja vegetação é predominante em que suas raízes aéreas surgem nas proximidades dos cursos de água salobra, junto a região marítima.
EM PRIMEIRO PLANO (À DIREITA) ITAPEMA, NO LITORAL PAULISTA.
À ESQUERDA DO ESTUÁRIO, ITAPEMA/SP.
AO FUNDO NA MARGEM DA ILHA DE SANTO AMARO, ITAPEMA/SP.
À ESQUERDA DO ESTUÁRIO, A PORTUÁRIA ITAPEMA/SP.
ITAPEMA À NOROESTE DA ILHA DE SANTO AMARO - CONTINUAÇÃO DA RODOVIA PIAÇAGUERA.
AO FUNDO (À ESQUERDA) ITAPEMA/SP (PORTUÁRIA-ESTUARINA) NO LITORAL PAULISTA.

Seu ecossistema, bastante degradado, caracteristicamente, mescla Mata de Restinga e esses mangues. Noutros tempos, apresentava a formação de três morrotes isolados: Morro do Itapema (com cerca de 50 metros de altura), utilizado em parte como aterro para as instalações da Base Aérea. Morro do Leme ou do Toledo, suprimido também para aterro do sítio da unidade militar da Força Aérea brasileira. Morro Magdatá ou Marinho, nas imediações do Bairro Jardim Progresso.
MORRO DO ITAPEMA NESTE DETALHE DE FOTOGRAFIA AÉREA. 
B. CALIXTO REPRESENTA AO FUNDO O DISTRITO E NOTADAMENTE, O MORRO DE ITAPEMA.
DETALHE DE PLANTA URBANA ASSINALANDO O MORRO DE ITAPEMA E MORRO DO LEME (TOLEDO).
MORRO MAGDATÁ - ITAPEMA/SP.
MORRO MAGDATÁ AO FUNDO NA MARGEM ITAPEMENSE, VISTO SOBRE O CANAL DA BERTIOGA.
MORRO MAGDATÁ E REGIÃO DE MANGUE NA MARGEM ITAPEMENSE.
ESPORTISTA ÀS MARGENS DO MORRO MAGDATÁ - ITAPEMA/SP

O solo dividido em 3 espécies: planície enxuta - restingas, paludais (vargens charcadas, manguezais) e morrotes, tal qual citado. A característica principal dos solos está na sua heterogeneidade. A cobertura sedimentar é, em geral, formada por uma sequência de argila, bem como areias finas e grossas. A geologia ao se estudar o Ph dos solos em relação ao Litoral denota-se que, "todas essas localidades repousam em solo de constituição arqueana, representada por detritos de rochas cristalinas contendo areias de praia, tipo de solo das planícies litorâneas."
MATA DE RESTINGA EM SOLO ITAPEMENSE (MAGDATÁ).
VEGETAÇÃO DE RESTINGA REGIÃO DO MAGDATÁ (ITAPEMA/SP).
VARGEM CHARCADA NA RESTINGA (MORRINHOS) ITAPEMA/SP.
CHARCO E VEGETAÇÃO NA REGIÃO DE MORRINHOS.
VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE MATA DE RESTINGA (PIAÇAGUERA) EM ITAPEMA/SP.
VEGETAÇÃO DE RESTINGA ITAPEMA/SP.
VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE RESTINGA JUNTO AO RIO SANTO AMARO.

A Restinga compõem-se de "vegetação natural que ocorre em cima dos cordões arenosos paralelo ao oceano, constituído por vegetação lenhosa e densa, da parte interna e plena..."
As espécies vegetais recorrentes são os Manacás, Suinãs, Imbaúbas, Guapuruvus, Embiras, Caraguatás, Guambês, Aroeiras, Brejaúvas, Quiçaçás, Jerivás, Mulungus, Samambaiaçus (xaxins), Bambuzais, entre demais plantas na transição com a Mata Atlântica. Sua flora é bastante diversificada: Lélias, Bromélias, Lírios-do-brejo, Bicos-de-papagaio. Servindo de abrigo aos Tiês, Sabiás, Beija-flores, Cambacicas, Sanhaços, Juritis, Saruês, Teiús, Cágados, Capivaras, Jacarés (nos alagadiços), além de outros animais de pequeno porte. À borda da mata (capoeiras) proliferam ainda Tizius, Bicos-de-lata, Coleirinhas, Canários-da-terra, Tico-ticos, preás.
   VEGETAÇÃO DE MANGUE (CONCEIÇÃOZINHA) ITAPEMA/SP.
ANTIGO MANGUE EM ITAPEMA.
VEGETAÇÃO DE MANGUE NAS MARGENS DE ITAPEMA/SP.

Os diversos mangues primevos e remanescentes, que beiram o Canal da Bertioga, Rio Santo Amaro e o Estuário do Porto resistem vicejando Siriúbas (mangue-preto), Guapirá (mangue-amarelo), Garapari (mangue-vermelho ou bravo), Avicênias (mangue-branco ou manso). Nos dias de trovoada os manguezais acusam a presença andarilha de Uçás, Aratus, e Guaiás, numa vegetação incrustada de Sururus.
ANTIGO TRECHO DE RESTINGA E MANGUE (PRAINHA) ÀS MARGENS DO ESTUÁRIO (ITAPEMA/SP).
TRECHO DE RESTINGA E MANGUE (CONCEIÇÃOZINHA) UM DOS CAIS ONDE SE DESENVOLVEU O PORTO EM ITAPEMA/SP. (ANOS 50)
REGIÃO DE MANGUE EM ITAPEMA, NAS IMEDIAÇÕES DO MORRO MAGDATÁ.

Nossos rios, na verdade, constituem-se (alguns em vias de canalização) em braços-de-mar (gamboas), com fluxo e refluxo decorrente das marés. São eles:
Rio Santo Amaro de Guaibê - (que já teve nascente de água doce) rico em amborés, majubas e outros peixes. 
Rio Crumahú - conhecido pelos índios como rio das tainhas (crumãs).
Esses dois rios (acima citados) unidos no seu percurso definem os limites geográficos naturais entre ITAPEMA/SP e a Estância Balneária.
Rio Maratuá (ou Maratauá) - cujas margens contém depósitos arqueológicos de sambaquis.
Rio Acaraú - que abriga ainda alguns Jacarés-do-papo amarelo, onde se pescava Carás, Siris, além de ter sido navegável. O nome do rio é derivado da Língua Tupi significando "rio das garças", devido ao número considerável dessas aves nas margens do Acaraú. Margeia os bairros de Parque Estuário, Jardim Progresso, alcançando o canal da Av. Antonio Freire e Av. Mário Daige nos bairros de Vila Áurea. Pae Cará, Esplanada do Castelo e Jardim Boa Esperança. 
Rio da Pouca Saúde (também chamado Gamboa do Juca) - ligado aos meandros do Sítio Conceiçãozinha. 
Outros de menor proporção: Rio Perdido. Dos Patos. Volta Grande. Comprido.
RIO SANTO AMARO - TRAJETO PARA O ESTUÁRIO DO PORTO (ITAPEMA/SP).
   RIO SANTO AMARO DE GUAIBÊ, DIVISA ENTRE ITAPEMA/SP E A ESTÂNCIA BALNEÁRIA.
CHATÃO UTILIZADO PARA EXTRAÇÃO DE AREIA NO RIO SANTO AMARO (ANOS 80).
ANTIGO COLETORES DE VÍVERES DAS MARGENS E  DO RIO SANTO AMARO. 
TRECHO DO RIO ACARAÚ NA ÁREA URBANA ITAPEMENSE.
RIO ACARAÚ NOS SEUS TEMPOS AINDA NAVEGÁVEIS (1976) ITAPEMA/SP.
GARÇA E BIGUÁ PESCAM NUM CURSO DO RIO ACARAÚ.
CAYMAN LATIROSTIS (JACARÉ-DO-PAPO AMARELO) NO RIO ACARAÚ.
RIO MARATUÁ (ITAPEMA/SP).
REGIÃO DO RIO MARATUÁ (ITAPEMA/SP) , ONDE SE ENCONTRAM SAMBAQUIS.
VEGETAÇÃO DE MANGUEZAL JUNTO AO RIO MARATUÁ.
REGIÃO DO RIO MARATUÁ (ITAPEMA/SP).
ESCAVAÇÃO DE FÓSSIL DO HOMEM DE MARATAÚA. NUM SÍTIO ARQUEOLÓGICO PELAS MARGENS DO RIO.
RIO CRUMAHÚ NAS IMEDIAÇÕES DE MORRINHOS (ITAPEMA/SP).
MEANDROS DA GAMBOA NA REGIÃO DE MORRINHOS (ITAPEMA/SP).
GARÇAS NUM CÓRREGO CANALIZADO EM MORRINHOS.
UM MOMENTO POÉTICO NA GAMBOA (MORRINHOS).
PERCURSO DO RIO DA POUCA SAÚDE (GAMBOA NO JUCA) EM CONCEIÇÃOZINHA (ITAPEMA/SP).
CURSO DO RIO DA POUCA SAÚDE NA ÁREA URBANA DE ITAPEMA/SP.
CURSO DO RIO DA POUCA SAÚDE NA ÁREA URBANA ITAPEMENSE.
GRAFITE DE WILIS NA "DESEMBOCADURA" DO RIO DA POUCA SAÚDE (ITAPEMA/SP).
LAGOA SALOBRA NOS MEANDROS DA GAMBOA DO JUCA (RIO DA POUCA SAÚDE) SUCUMBIU AOS TRILHOS DA ANTIGA RFFSA.
 TRECHO DO RIO DA POUCA SAÚDE (GAMBOA DO JUCA) NOS MEANDROS PELA CONCEIÇÃOZINHA.
RIO DA POUCA SAÚDE (GAMBOA DO JUCA) NO SEU TRECHO NAVEGÁVEL PELOS MEANDROS DA CONCEIÇÃOZINHA.
AÇÃO PRESERVACIONISTA NAS MARGENS E ÁGUAS DO RIO DA POUCA SAÚDE.
RIO DA POUCA SAÚDE NA SUA INTERLIGAÇÃO COM O ESTUÁRIO DO PORTO (ITAPEMA/SP).

Quando em vez avistam-se em suas margens lodosas, Garças, Irerês, Biguás, Quero-queros, Jaçanãs, dentre outras espécies. Outrora as águas tranquilas e escuras do Estuário (Guarapiçumã) já foram abundantes em Tainhas, Robalos, Garoupas, Sardinhas, Siris-candeias, Camarões, até botos Tucuxis e Cações eram encontrados. 
Muito tem se perdido definitivamente com o avanço do Porto, terminal de contêineres, fertilizantes, químicos, armazéns de grãos, açúcar e instalações retro-portuárias. Daí, este trecho anteriormente ocupado pela Mata de Restinga estendendo-se até as bordas do Estuário (Guarapiçumã), com suas "picadas" misteriosas, charcos, manguezais e gamboas que ladeava a Estrada do Itapema, tal como parte da região interna da Vargem Grande do sítio itapemense, sucumbe ao progresso.
MARGEM ITAPEMENSE (SP) BANHADA PELO ESTUÁRIO DO PORTO.
MARGEM ESQUERDA DO ESTUÁRIO DO PORTO (PRAINHA) ITAPEMA/SP.
MARGEM DE ITAPEMA /SP NO ESTUÁRIO DO PORTO (GUARAPIÇUMÃ).
MARGEM ITAPEMENSE (SP) DO ESTUÁRIO DO PORTO.
PESCADOR NA MARGEM ITAPEMENSE LANÇA SUA REDE NAS ÁGUAS DO ESTUÁRIO DO PORTO (GUARAPIÇUMÃ).
VEGETAÇÃO REMANESCENTE NA MARGEM ITAPEMENSE DO ESTUÁRIO DO PORTO (ITAPEMA/SP).
 MARGEM ITAPEMENSE (BOCAINA) ESTUÁRIO DO PORTO (ITAPEMA/SP).
BIGUÁS NA MARGEM ITAPEMENSE DO ESTUÁRIO DO PORTO.
GARÇA-CINZA NA MARGEM ITAPEMENSE DO ESTUÁRIO DO PORTO (BOCAINA).

Levantamento mapeado de 1963 por meio de fotografia da Cruzeiro do Sul S.A (restituição do Profº Roberto Lopes Moraes, sob direção do Dr. Antonio Rocha Penteado e desenho de Rufino) assinala os antigos elementos do sitio urbano itapemense. Nossas áreas abrangiam muito mais bancos de areia, manguezais, mata de restinga e capoeiras, além de terrenos cultivados (bananais).
Sobre terras agricultáveis na Ilha, por muito tempo ITAPEMA/SP esteve vocacionada como zona rural. Sítios, fazendas, engenhos. O início do cultivo de banana em larga escala, no final do Século XIX, marca uma segunda transição de lavoura em terras itapemenses.
À DIREITA ITAPEMA/SP E OS ELEMENTOS ORIGINAIS ASSINALADOS DO SÍTIO URBANO.

O império da Banana viveu seus dias de glória entre os anos de 1905 e 1950. Sustentou por décadas economicamente a região do Litoral Paulista.
Negócio aqui implementado pela Família Backheuser e Proost de Souza (aparentados entre si), num extenso bananal abrangendo o 'Sítio Paicará'.
A Condessa Áurea Conde, foi uma das maiores latifundiárias de bananicultura do Litoral Sul paulista. Não se sabe ao certo estimar o número de hectares que pertenciam a Dona Áurea Gonzales Conde, mas segundo depoimentos de moradores, sobretudo de Vicente de Carvalho (Itapema) suas terras (BanÁurea) iam da divisa da Bertioga até onde hoje está localizada a Vila Edna. Bem ao estilo "Banana is my business", a Família Áurea Conde até o final da década de 1960 exportava bananas para o continente europeu e Estados Unidos.
Juntamente com as Famílias Backheuser, Vasquez e Alonso dominavam o cultivo de banana no Litoral do Estado de São Paulo.
PLANTAÇÃO DE BANANAS NO LITORAL PAULISTA, INÍCIO DO SÉCULO XX.
AGRICULTORES EM BANANAL DA REGIÃO.
TROLEY CARREGADO DE CACHOS DE BANANA PUXADO POR ANIMAL. 

A Ilha de Santo Amaro, especialmente, Itapema e Cachoeirinha, cidades do entorno, além do Vale do Ribeira produziam milhões de cachos de bananas por ano. Desde o princípio é instalado um Píer bananeiro para escoamento da safra (ao lado da "enseadinha" do Forte de Itapema), sob administração e instalações da Wilson Sons. A banana era o 3º produto mais exportado pelo Porto.
No mangue, a Leste da ferrovia, existiam inúmeras linhas de "deucaville" (decaville). Ou seja, ramais com troleys puxados por animais, locomotivas pequenas, muitas vezes movidas à gasolina e com bitola de 60cm para transporte de cachos de bananas, principalmente na região de Itapema. Ainda existentes em meados dos anos de 1960.
Registra o Poeta, Lydio Martins Corrêa num seu poema dedicado ao ITAPEMA:
"(...)Terra da Vargem Grande, a cobiçada
Dos grandes plantadores de verdade,
Da "Musa sapien tum", a qualidade
Que aqui logo encontrou sua morada.

E os bananais as áreas dominaram
De tal forma que, até mesmo, obstaram
Plantações de quaisquer outros produtos.

Desdobraram-se, aqui, esses eventos
Que deram a este solo os elementos
De ser inigualado nesses frutos..."  
BANANAL DA CONDESSA ÁUREA CONDE GONZALES - BANÁUREA (ITAPEMA/SP).
TRANSPORTE DE BANANA NO RIO ACARAÚ, PRODUZIDAS PELA BANÁUREA.
MAPA ASSINALANDO AS LINHAS DE DECAVILLE PARA ESCOAMENTO DA SAFRA DE BANANA EM ITAPEMA/SP.
PÍER BANANEIRO EM ITAPEMA/SP PARA TRANSBORDO DA SAFRA (1929).

Na metade do Século XX, parte da chamada Zona Rural na Ilha de Santo Amaro persiste exclusivamente com a produção de bananas, exportada para Argentina, Uruguai, Europa ou enviada para São Paulo.
A colheita de bananas na Ilha (em 1949), pelo Censo Agrícola de 1950 registrou a produção de 951. 109 cachos. Dados do IBGE, de 1957, dão conta que o comércio rendeu 12 milhões de Cruzeiros naquele ano.
Em 1967 estávamos entre os principais municípios do Litoral exportadores da "Musa Paradisíaca", nossa produção sempre foi de grande relevância para o mercado internacional.
  EMBARQUE DE BANANA DO ITAPEMA NO PORTO.
CHATÕES COM BANANAS PARA TRANSBORDO EM NAVIOS DO PORTO.

ITAPEMA/SP vinha apenas reafirmando sua vocação agrícola extrativista, a partir da lavoura canavieira implementada na Capitania de Santo Amaro.
Devido a concessão de glebas na metade do Século XVI, a atividade agrícola cresceu valendo-se da mão-de-obra escrava, Itapema contribuiu com a produção açucareira da Ilha e arraiais do entorno. Pelos seus canaviais, implementação de Engenhos, Feitoria de curtume, além de roças e criações. É nesta época, seja pela proximidade com o Porto e comodidade de movimentação de produtos dos fazendeiros da Ilha de Santo Amaro, que Itapema insere-se na atividade econômica do Litoral quinhentista na condição de sesmaria de Jorge Ferreira. Anos mais tarde, Francisco Nunes Cubas adquiriu aqui terras compradas dos seus descendentes.
Relatório - 'Descrição de Todo Marítimo da Terra de S. Crus Chamado Vulgarmente Brasil', relata ser a Capitania de Santo Amaro de terras férteis, "e tem esta ilha boas fazendas e engenhos de açúcar." - Parte considerável em território da "Vargem grande".
 A ILHA DE SANTO AMARO NUM MAPA DE 1631 ONDE SE REGISTRA OS LIMITES DE SUA CAPITANIA, ALÉM DO SÍTIO ITAPEMENSE.

Segundo Luiz D'Alincourt, mantínhamos plantações, conjuntamente com Santos e adjacências, de café, mandioca, do melhor arroz, cacau, algodão, milho, feijão, banana, cana para fabrico de açúcar, água-ardente e pequena criação avícola e bovina.
Em 1765, descreve o Censo, a paisagem era de alguns sítios com canaviais e suas moendas, com seus charcos cobertos de arrozais, plantações de café e atividade pesqueira, que davam para o consumo da região.
Já na metade do Século XVIII era possuidor de terras o Capitão José Bonifácio de Andrada (avô do Patriarca da Independência Brasileira), cujas terras estavam situadas no Sítio do Porto de Santo Amaro (extensão de terra conhecida como "Casa Grande").
Alexandre Luís de Souza Menezes menciona uma Fazenda Conceição (1756), gleba pertencente aos Jesuítas, estuário acima, pros lados de Itapema.
O Censo da Capitania de S. Paulo naquele ano de 1772 identifica ainda prosperarem na Ilha de Santo Amaro, Engenhos de açúcar em que começavam a trabalhar pretos africanos, chegados para substituir os índios, raros já, os quais não podiam ser escravos.
 ÁREA DA ANTIGA FAZENDA 'VARGEM GRANDE' (ITAPEMA/SP).

No ano de 1854, relevante era o comércio de açúcar na região, produzindo-o ainda alguns Engenhos da Ilha de Santo Amaro. Nesses idos (1866) possuía terras em Itapema a Ordem Terceira do Carmo.
Esta lá, na obra famosa do francês Jean Baptiste Debret, 'Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil', no capítulo 'Observações Geográficas', o curioso elogio ao arroz "santista", senão por uma qualidade específica, mas o gosto que lhe pareceu saboroso, produzido em parte no Itapema. Narra ele:
"(...)Província de São Paulo, é sua Capital a cidade de São Paulo, Santos [e aí leia-se também nossos arrabaldes], que produz o arroz mais apreciado do Brasil..." - E é o entreposto da Província de São Paulo.
A estranheza é que embora "Santos" até contasse com algum cultivo de arroz iniciado em 1536 por Brás Cubas, nas suas terras da atual Ilha Barnabé com grãos trazidos da Ilha de Cabo Verde, a Rizicultura sempre foi tratada na região como atividade de subsistência, em pequena escala, já que em matéria agrícola era bem mais importante a cana-de-açúcar.
Todavia, tempos mais tarde no Pae Cará (um arrabalde do então Distrito) era montado em 1900, pelo empresário Hermano Backheuser, um equipamento beneficiador de arroz, conforme registrou o antigo Jornal 'Cidade de Santos', no dia 28 de Julho de 1900:
INFORME NO JORNAL 'CIDADE DE SANTOS' SOBRE A EMPRESA BENEFICIADORA DE ARROZ EM ITAPEMA/SP.

Assim foi que ITAPEMA/SP viveu sua fase agrícola de subsistência (roças, plantações, criações de animais), pequenas propriedades de sitiantes e alguma monocultura com a cana-de-açúcar e o cultivo de banana. A agricultura em terras itapemenses perdurou até meados da década de 1970. Marcou mesmo a denominação de alguns dos seus bairros por serem originários de sítios antes existentes (Sítio Pae Cará, Sítio Conceiçãozinha, Sítio Boa Esperança).
O Sr. Antonio Omine, filho do imigrante japonês Keisho Omine, conta numa reportagem que quando chegou por aqui em 1966, ele e seus familiares passaram "a cultivar chuchu, em uma área próxima a Avenida Santos Dumont, em Vicente de Carvalho [Itapema]..."
   OMINES, ANTIGOS SITIANTES EM ITAPEMA/SP.









Desde a empreitada de Jorge Ferreira [imagem à direita] em meados de 1533, Itapema sempre foi considerado um modesto arrabalde. Constituído por residentes do Forte e Guarnição, trabalhadores das fazendas, bem como dos engenhos existentes, alguns sitiantes, artesões navais e pescadores. Tendo passado por um gradativo processo de povoamento iniciado no período colonial, o que se confirma em alguns Censos então realizados.
DETALHE DE MAPA (1631) ONDE SE REPRESENTA AS TERRAS DE ITAPEMA/SP NA ILHA DE SANTO AMARO.
PESCADORES DAS IMEDIAÇÕES LANÇAM SUAS REDES NO LARGO DE CANEÚ.
VILA DA BOCAINA, CÉLULA-MATER ITAPEMENSE.

No extremo noroeste da Ilha, pelo avançar dos tempos, residiam os moradores da Vila da Bocaina, núcleo originador do Distrito, foi um antigo reduto de Caiçaras, que viviam do plantio de roças, pesca, de onde tiravam o sustento. Alguns remanescentes das primeiras ocupações, desde o Século XVI, os quais ergueram ali em tempos remotos a Capela de Santa Cruz do Riacho, provavelmente em referência a antiga denominação do Forte de Itapema. Ajuntaram-se tempos depois imigrantes portugueses, italianos e japoneses, como trabalhadores de carpintaria naval, do cais, marítimos e agricultores dos bananais vizinhos.
ANTIGOS MORADORES DA VILA DA BOCAINA - ITAPEMA/SP.
NAVEGANDO NA BOCAINA - ITAPEMA/SP (ANOS 60).
Outros pescadores (portugueses com índios, mestiços de escravos) instalaram-se especialmente em Sítio Conceiçãozinha (antiga fazenda jesuítica) à sudoeste de Itapema formando outra remota povoação itapemense, vivendo da atividade marítima, da coleta de víveres do mangue, da mata ao redor e do roçado. Além dos migrantes nordestinos chegados mais tarde, empregados como pedreiros, empregadas domésticas, motoristas, faxineiros, cozinheiros etc.
CONCEIÇÃOZINHA NA MARGEM ITAPEMENSE.
ANTIGOS MORADORES DO SÍTIO CONCEIÇÃOZINHA.

Aviso Régio de 21 de Outubro de 1817 descreve denominações, extensões, senhorios, títulos de terra da região da Ilha de Santo Amaro. Sítios, Fazendas ou localidades eram em 12. Não distingue o número de habitantes livres, porém o de escravos soma 79.
Itapema será dado estatisticamente como habitado pelo Censo de 1822, primeiro ano do Império Brasileiro de D. Pedro I. Conforme recenseamento em Lista Geral dos habitantes existentes, suas ocupações, condição, empregos, abrangendo Itapema até as cercanias da Praia de Guarujá. Deduz-se serem 9, as moradias ou sítios. Viviam por aqui 16 Homens e 16 Mulheres, além de 9 escravos anotados. Num total de 41 habitantes.
 ESTAÇÃO DAS BARCAS EM ITAPEMA/SP.
PONTÃO DAS BARCAS EM ITAPEMA/SP.
AV, THIAGO FERREIRA - ITAPEMA/SP (MAIO/1995).

É ao tornar-se, em Setembro de 1893, rota de acesso à Vila Balneária, caminho obrigatório da elite cafeeira paulistana (E.F. Itapema, SP-2066) para o Hotel La Plage e às praias, que ganha importância enquanto núcleo populacional.
Publicação de 1898 assinala:
"Toma-se no caes das Docas uma lancha que após curta travessia chega ao lugar Itapema, defronte da cidade. Ahi segue-se pela Estrada de Ferro da Companhia Balneária até Guarujá, seu ponto terminal." - E seria exatamente este o único trajeto até 1918.
O ANTIGO BAIRRO ITAPEMA JUNTO AO FORTE.
IMEDIAÇÕES DO BAIRRO ITAPEMA EM DETALHE DO QUADRO DE CALIXTO.

Nas proximidades do Largo da Estação das Barcas e Rua Itapema surgiram algumas moradias que se constituíram em habitações de empregados do Sistema de transporte Marítimo e Ferroviário, conformando o Bairro de Itapema (compreendendo as terras da Wilson, Sons & Co. com limite final na Av. São Pedro). Concomitantemente nos antigos loteamentos da Vila Pae Cará e Jardim Santense (promovidos pelas  Famílias Backheuser, Proost de Souza e City of Santos Inprovements Co., no início do Século XX). O empreendimento balneário demandou mão-de-obra e muita gente veio do interior do Estado de São Paulo, dando marcha assim ao processo migratório da Ilha de Santo Amaro.
ANÚNCIO EM 'A TRIBUNA'  DO LOTEAMENTO VILA PAE CARÁ (1918) ITAPEMA/SP.

Com o advento da Base Aérea no ano de 1925, muitos residentes desapropriados da Bocaina, após anos de resistência, passaram a morar ao longo da via férrea (atual Av. Thiago Ferreira) até a Rua Mato Grosso, nos limites da Rua Cunhambebe, ocupando a região central em que se formou o Bairro Vila Alice. A compôr assim, a parte mais antiga: o velho Itapema.
BASE AÉREA INSTALADA NA BOCAINA - ITAPEMA/SP.
CHALÉS COM JARDIM À FRENTE AO LONGO DA AV. THIAGO FERREIRA - ITAPEMA/SP (ANOS 60).
ANTIGOS MORADORES DA AV. THIAGO FERREIRA - ITAPEMA/SP (1930).
 ANTIGOS CHALÉS NA AV. THIAGO FERREIRA  (DÉCADA DE 80).

Tempos depois (década de 40) surgiu o loteamento do Sítio do Pai Elesbão, convertido em Parque Estuário. Até o final dos anos 40, a população itapemense era formada por funcionários públicos, alguns comerciantes (atividade desenvolvida em grande parte por portugueses e espanhóis), trabalhadores navais e do Porto (estiva, navegação), ambulantes, agricultores dos bananais, pescadores, profissionais autônomos e prestadores de serviço.
PARQUE ESTUÁRIO À PARTIR DA ANTIGA RUA "8" - ITAPEMA/SP (DEZ/1949).
AV. PRESIDENTE VARGAS (ANTIGA AVENIDA "A") PQ. ESTUÁRIO - ITAPEMA/SP (DEZ/1949).
BAIRRO PQ. ESTUÁRIO AV. PRESIDENTE VARGAS (DEZ/2011) ITAPEMA/SP.

Intensifica-se a migração nordestina, datada de 1940. Em geral os homens chegam como mão-de-obra para a construção de prédios na orla da praia, as mulheres para o serviço doméstico.
A partir de então, o notável crescimento de Itapema deveu-se ao preço acessível dos terrenos, às crescentes invasões, sua localização defronte a zona portuária e serviços regulares de comunicação com o entorno. Possibilitando a massa trabalhadora permanecer e empregar-se na atividade industrial, de estiva e turística.
ITAPEMA/SP ACESSO MARÍTIMO PELAS CATRÁIAS (ANOS 60).

A expansão balneária do litoral paulista, bem como a implantação industrial na região criaram novas condições de emprego. Por outro lado, o aumento da população regional e a supervalorização das grandes áreas limitaram as opções de moradia deste contingente em busca de melhores oportunidades. A ausência de fiscalização em terrenos abandonados, antigos bananais e áreas de mangue, Itapema apresentou-se como opção para esta transferência residencial.
ANTIGO BRASÃO DE ITAPEMA/SP.

Em 30 de Dezembro de 1953, Itapema é alçado a condição distrital dentro da Ilha de Santo Amaro (Lei Estadual Nº 2456) e rebatizado com o nome do "Poeta do Mar", Vicente de Carvalho. O aparecimento do "Distrito de Paz" foi basicamente determinado pelo contexto político-econômico, pois ganhava feições de conglomerado urbano. Ao deixar a condição rural, melhores impostos poderiam ser auferidos pela Sede balneária.
NO ESTUÁRIO DO PORTO AO FUNDO ITAPEMA/SP.
DO OUTRO LADO, A REGIÃO DA BOCAINA NA MARGEM ITAPEMENSE (DÉCADA DE 1900).
NO ESTUÁRIO DO PORTO A REGIÃO DA BOCAINA EM ITAPEMA/SP.
PANORÂMICA ESTUÁRIO DO PORTO (AO FUNDO) À DIREITA BOCAINA NA MARGEM ITAPEMENSE.
AO FUNDO ITAPEMA/SP NA MARGEM DO ESTUÁRIO DO PORTO.
PANORÂMICA DO ESTUÁRIO DO PORTO AO FUNDO ITAPEMA/SP.
PANORÂMICA DO SÍTIO ITAPEMENSE.
NO ESTUÁRIO DO PORTO (BOCAINA) BASE AÉREA - ITAPEMA/SP.
MARGEM ESQUERDA DO ESTUÁRIO DO PORTO SÍTIO ITAPEMENSE.
ESTUÁRIO DO PORTO AO FUNDO SÍTIO ITAPEMENSE.
ITAPEMA/SP NA MARGEM ESQUERDA DO ESTUÁRIO DO PORTO.
DO OUTRO LADO A OCUPAÇÃO DO SÍTIO ITAPEMENSE.

O fenômeno da ocupação desordenada ampliou-se no ano de 1956 por ocasião de mais um desabamento de morros santistas. As famílias atingidas transferem-se maciçamente para o Pae-Cará, agravando as condições sociais. Segue-se ao Decreto Estadual expropriatório para regularização desta área (de 29 de Julho de 1956) sucessivo fluxo migratório inesperado (acentuadamente de nordestinos) para trabalhar no Porto e na Construção Civil.
INÍCIO DA URBANIZAÇÃO DO BAIRRO PAE-CARÁ (ANOS 60) ITAPEMA/SP.
CRIANÇAS E JOVENS BRINCAM EM RUA DO BAIRRO PAE-CARÁ (ITAPEMA/SP).
 CRUZAMENTO DA LUIZ GAMA COM AV. OSWALDO CRUZ (2011) ITAPEMA/SP. 

O início de urbanização do Pae-Cará não solucionou as complexas dificuldades existentes, apenas configurou a ocupação definitiva e até por assim dizer, aflorou os problemas sociais de ITAPEMA/SP, seu espaço urbano ganhou traços de verdadeira cidade.
Considerando os Censos de 1950 e 1960, enquanto a população do Distrito sofreu aumento de 97% (passando de 6.431 para 12.709 habitantes), o aumento de domicílios foi da ordem 147,7% (passando de 2.051 para 5.082) - Dados do IBGE recolhidos por Diva B. Medeiros no livro, 'A Baixada Santista, aspectos geográficos", USP.
Expandiu-se além, por loteamentos razoavelmente planejados como Jardim Monteiro da Cruz ao final dos anos 50 e diversas urbanizações que surgiram enquanto bairros, por volta de 1960 em diante, vindo a compôr na atualidade as glebas itapemenses: Jardim Cunhambebe, Jardim Enguaguassú (entrada da velha Bocaina), Jardim Maravilha, Esplanada do Castelo, Vila Áurea (em terras da Banáurea,  bananal da Condessa Áurea Conde), Boa Esperança, Jardim Santana, Jardim Alvorada, Jardim Conceiçãozinha, Jardim Progresso e Morrinhos.
 BAIRRO MONTEIRO DA CRUZ - RUA JÚLIO PEDRO PONTES E SEU PEQUENO COMÉRCIO.
AV, ÁUREA GONZALEZ DE CONDE - BAIRRO VILA ÁUREA (ITAPEMA/SP).
RUA NO JARDIM BOA ESPERANÇA - ITAPEMA/SP (2011).
AV. VICENTE DE CARVALHO - JARDIM SANTANA - ITAPEMA/SP.
BAIRRO JARDIM ESPLANADA DO CASTELO - ITAPEMA/SP (2011).
BAIRRO JARDIM ALVORADA - ITAPEMA/SP (2011)
COTIDIANO NO BAIRRO DE MORRINHOS - ITAPEMA/SP.
  
A cidade ganhou 27% a mais de moradores em uma década, passando de 130.391 para 166.007 pessoas, na comparação entre os Censos de 2000 e 2010, números divulgados pelo IBGE.
O acirramento das contradições sociais do Distrito, e sua explicação não está apenas no fato de ITAPEMA/SP ter recebido mais gente, seja por nascimento ou migrações. Isso se deve, sobretudo ao Plano Diretor aprovado em 2007, que definiu o bairramento do município.
A partir do Plano Diretor, locais que tinham moderada concentração de gente anos antes, como Vila Zilda e Cachoeira passaram a ter peso populacional e foram integrados oficialmente ao Distrito.
Desconsiderando a vontade popular e desconhecedora da história de ITAPEMA/SP, a Câmara Municipal por Decreto resolveu fundir, bem como renomear antigos bairros, estabelecendo novos limites para estas glebas. Todavia, tal mudança não surtiu efeito, uma vez que a população no dia-à-dia continua a se referir ao seu bairro com o nome de sempre.
MAPA DE ITAPEMA/SP COM NOVO BAIRRAMENTO, SEM LEVAR EM CONSIDERAÇÃO A VONTADE POPULAR.

Atitude recorrente da Sede Administrativa, no que concerne ao Distrito e sua velha prática tuteladora, afim de auferir ganhos fiscais com os desmandos perpetrados contra ITAPEMA/SP.
Há décadas passadas, o Distrito já foi considerado, erroneamente, dada a característica de ocupação de suas áreas, a maior favela do país. Sendo utilizado para conseguir verbas em Brasília, dizendo destinarem-se para ITAPEMA/SP, quando na realidade eram para a Sede Balneária.
ESTUÁRIO DO PORTO, À DIREITA ITAPEMA/SP.
  
A movimentação marítima na margem esquerda itapemense deu-se de início, modestamente, como emprego marinho de subsistência. Desempenhada pelos sitiantes, pescadores, artesões navais, que viviam do plantio de roças, pesca, carpintaria naval, donde tiravam o sustento.  Utilizando-se de pequenos barcos ou bergantins para travessia do Canal do Estuário, entre ITAPEMA e os arrabaldes de outrora. Fosse com os pescadores do Sítio 'Conceiçãozinha', ou mais a noroeste da Ilha com os outros caiçaras da Vila da Bocaina.
Evoluindo pois, numa pequena atividade pesqueira que supria o consumo da região. Onde vivia-se da pescaria, além de outros misteres afins ou relacionados com a vida do mar. Os que exerciam a atividade de pescador aventuravam-se em pequenos barcos pela costa.
  PESCADORES ITAPEMENSES (1957).
PESCADORES NA MARGEM ITAPEMENSE DO ESTUÁRIO DO PORTO.

A partir de 1543, tendo sido o Porto santense deslocado da Ponta da Praia para o povoado de Enguaguaçú, no Largo de Caneú, além dos fatores de proteção contra ataques Corsos ficou mais cômodo a movimentação de produtos dos fazendeiros da Ilha de Santo Amaro e arraiais do entorno, havendo como ligação ITAPEMA.
Seja pela proximidade com o Porto da Vila de Santos, ITAPEMA/SP insere-se na atividade econômica do Litoral quinhentista, integrado a Capitania de Santo Amaro, contribuindo para a produção agrícola (cana-de-açúcar), funcionamento de Engenhos, manejo de animais, plantio de subsistência (arroz, mandioca, banana), requerendo necessário escoamento de produtos em atracadouros de suas margens.
  ESTUÁRIO DO PORTO (1775).
ESTUÁRIO DO PORTO SÉCULO XVIII.

Desde os primórdios do Porto santista, a margem esquerda itapemense, dentro da atividade portuária, serviu ao trabalho de carpintaria marítima, reparos de velas, mão-de-obra dos trabalhadores navais e do Porto (estiva, navegação).
MAPA DO PORTO - À DIREITA ITAPEMA/SP (1954).
VISTA DO PORTO AO FUNDO ITAPEMA/SP.

A necessidade de um Sistema de Transporte Marítimo regular demandou funções na condução e atracação no píer da Estação das Barcas, na travessia Itapema - Stos. Desembarque dos turistas paulistanos em direção à Estância Balneária, naqueles tempos remotos de 1893. Servindo hoje ao transporte de passageiros entre as cidades da Baixada Paulista.
ESTAÇÃO DAS BARCAS NA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE.
PONTÃO DAS BARCAS - ITAPEMA/SP.
BARCA CRUZA O ESTUÁRIO, AO FUNDO MARGEM ITAPEMENSE.
BARCA RETORNA À ITAPEMA/SP.
IMEDIAÇÕES DO PÍER ITAPEMENSE DA ESTAÇÃO DAS BARCAS.
ÁREA DE EMBARCAGEM DAS BARCAS E CATRÁIAS EM ITAPEMA/SP. 

Conjuntamente deu-se o funcionamento das catráias, nossas "gôndolas caiçaras" (antes movidas a remo), que levam passageiros por baixo do Porto de Stos (antigo Rio dos Soldados) até a Bacia do Mercado. Cortando o chão da Vila de Santos pelo Rio dos Soldados - que antigamente era chamado Guranchim, "(...)e o Rio de São Jerônimo, o Rio Salgado, dividido em 2 braços". Este acesso funcionava desde o começo de 1900 sendo regulamentado a partir de Abril de 1913. Houve durante muito tempo um intenso comércio de pescado e banana na Bacia do Macuco.
ANTIGO ATRACADOURO DAS CATRÁIAS EM ITAPEMA/SP (ANOS 70).
ÁREA ATUAL DO ATRACADOURO CATRAIEIRO - ITAPEMA/SP.
CATRÁIA NO ATRACADOURO ITAPEMENSE.
MANOBRA DE SAÍDA DA CATRÁIA DO PÍER EM ITAPEMA/SP.
CATRÁIA ITAPEMENSE NAVEGA NO ESTUÁRIO DO PORTO.
ENTRADA DA CATRÁIA ITAPEMENSE NO TÚNEL SOB O PORTO SANTENSE.
CATRÁIA ITAPEMENSE PASSAGEM SOB O PORTO.
CATRÁIA ITAPEMENSE RETORNO PELO TÚNEL DO PORTO.
CATRÁIA ITAPEMENSE NAVEGA PELO TÚNEL DO PORTO.
CATRÁIA ITAPEMENSE SAÍDA DO TÚNEL DO PORTO SANTENSE.
CATRÁIA CHEGA AO ATRACADOURO EM ITAPEMA/SP.
DESEMBARQUE NO ATRACADOURO CATRAIEIRO ITAPEMENSE.
 PASSAGEIROS DESEMBARCAM DA CATRÁIA EM ITAPEMA/SP.
TERMINAL DE PASSAGEIROS DAS CATRÁIAS - ITAPEMA/SP.
ANTIGA CATRÁIA A REMO MARGEM ITAPEMENSE.
CATRÁIA NO ANTIGO ATRACADOURO EM ITAPEMA/SP.
CATRÁIA MANOBRA NA MARGEM ITAPEMENSE.
CATRÁIAS ANCORADAS NA MARGEM ITAPEMENSE.
CATRÁIAS EM ITAPEMA/SP.
CATRÁIA ITAPEMENSE AO FUNDO FORTE DE ITAPEMA/SP.

Firme na margem esquerda resiste o longevo, Forte de Itapema/sp construído para proteger a região, provavelmente na metade do Século XVI (1557) - é mais comum considerar-se a data de 1670. Concluída em 1908 a torre de 14 metros, com a instalação do Farol serviu como referência para navegação no Porto.
FORTE ITAPEMA/SP NA MARGEM ESQUERDA DO PORTO.
ANCORAGEM DE EMBARCAÇÕES NA ENSEADA DO FORTE ITAPEMA/SP.
IMEDIAÇÕES DO FORTE ITAPEMA/SP NA MARGEM ITAPEMENSE.
ENSEADA DO FORTE ITAPEMA/SP NA MARGEM ESQUERDA.

A grande produção do cultivo de banana em terras itapemenses, entre 1905 e 1950, levou a instalação de um Píer bananeiro. Abastecido por linhas férreas "decaville", vindas dos bananais vizinhos, para escoamento da safra em chatões ou navios, ao lado (da "enseadinha") do Forte Itapema, sob administração da Wilson Sons.

O CAPÍTULO CONTINUA...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sociedade @lternativa ITAPEMA [Ao Vivo]





De uns tempos pra cá ir ao '&ociedade @lternativa', não tem tido a menor graça. Pra ser sincero é fastidioso. Por todas as mesas a discussão tem girado em torno dessa atual febre de voyerismo televisado.
Minha rejeição ao negócio, me dá a impressão de estar sintonizado na emissora errada... D. Iaci, pretendia um circuito-fechado de vídeo no ambiente do &.@. Imbuída do seu tino comercial discutia planos com uma tv local de instalar câmeras indiscretas no bar. Porque não, exibir o "Essa é sua vida..." pra divertir os outros.
Reconheço que ofendi, dizendo não passar de uma cretinice global. Mas, foi difícil me conter.
- Tu é uma primata de auditório, viu Iaci! Tá seguindo a claque!!
- Ora, Seo Urbain... Isso aqui é um negócio! Primeiro vamos cuidar da segurança.
- Essa eu só engulo, se tomo uma cachaça com mel e limão... Põe aí! 
MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA NO BAR '&ociedade @lternativa'.

Quem teria estômago de ver Altério bodeando, a cara enfiada no vaso sanitário, os bofes pelo avesso? As farpas amorosas entre Ormeo e Eloísa quando o barraco desabasse e a bodega também (confesso que neste caso, talvez tivesse alguma audiência), certamente um capítulo à parte. Melhor que vivam nas minhas crônicas baristas... Afora isso, as vis artimanhas da típica dupla de seriado trash, Bródis Pink e Floyd. Ou Bartô dando uma canja no Karaokê (que não se ofenda comigo, mas ele está mais pra Ofélia na cozinha do que pra Altemar Dutra dos palcos da vida). Qual não foi meu espanto... Tetê via nisso um modo prático de pregar a revolução  via-satélite. Citou inclusive Maquiavel, "os fins justificariam os meios" de comunicação. E havia quem quisesse fazer daquilo inédito Teatro, o cúmulo ululante!
-...Tenham ao menos "raciosímio", como eu!
- O tal acha que vai consertar o mundo... - Destilou o seu fel conformista.
- Já botei pra funcionar muito televisor, quando exercia a profissão, Dona Iaci.
- É um criador de caso, isso sim.
LOCAL ONDE FUNCIONOU O BAR E RESTAURANTE 'ESTAÇÃO ITAPEMA' [2001] ESPAÇO ABERTO AOS ARTISTAS. CENÁRIO DO UNIVERSO PARALELO DE PERSONAGENS DO BAR '5.@' ITAPEMA/SP.

Eu fico cismado se as pessoas corrigem-se mesmo espiando os maus exemplos dos demais. Uma vez que é competição, a malandragem do jogo é justificativa na ápice da disputa. Parece que a ficção perdeu o atrativo e a vida, essa rotina medíocre que nos sufoca, nos personagens reais vira arte.
Convenhamos que meu gosto seja duvidoso, todavia prefiro o cotidiano livresco de um Oswald de Andrade, Dostoiéviski etc. Curto bisbilhotar a alma das pessoas ao invés de vê-las dormindo, escovando os dentes. Articulando intrigas pessoais carregadas de primeiras impressões. Onde algumas passam do limite, enquanto outros olham pelo buraco da fechadura toparem tudo por dinheiro. Pois no final todo mundo é irmão e que vença o menos futil... Se ainda fosse filmado por Woddy Allen.
- Você só se presta a cobaia, minha gente... Quando há um fim útil a ciência! E essa me parece uma experiência bizarra. De ratinhos numa jaula!
- Pode-se descobrir um novo amor... - Eloísa arriscou comentar.
- Trair o que fica esperando, né Eloísa! - Apartou Ormeo surpreendido.
- Olha só!... Você disse aquele dia que não eramos almas siamesas. As paredes deste bar são testemunhas!
- Vai descobrir o quê?... Que entre quatro paredes as relações se desgastam... - Danaram-se pra lá no seu bate-boca passional entre beijos, mais goles de cerveja.
A CIDADE INTERLIGADA NUM CIRCUITO-FECHADO DE VÍDEO.

Vivemos época duma concedida liberdade vigiada. Todos querem espionar um pouco. Enquadrado pelas oculares das máquinas fotográficas. Filmado em close-up num caixa eletrônico, takes durante as compras no supermercado, panorâmica no cruzamento da Av. Santos Dumont com a Av. São Jorge, também personagens nessa novela citadina diária.










Quanto mais vejo a realidade das ruas deste país contraditório, me certifico que esta é ilusória. Será que nós é quem somos fictícios? A onipresença de um olho que tudo vê, agora se faz real... Engraçado, logo eu que na garotice fui telespectador cativo do 'Homem-Invisível' (seriado "B" estrelado por David MacCallum) ou 'GeminiMan', na pele de Ben Murphy nos anos 70 e vi tantas reprises de 'O Homem com Olhos de Raio-X', papel de James Stewart). Essas sim, possibilidades instigantes... Tenho dito, errar é humano.
       

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

WEGA NERY, a esquecida da Ilhaverde

'WEGA NERY AUTO-RETRATO' - EXPRESSIONISTA ABSTRATO (46X64cm).

Fato é que minha escrita pouco se refere as coisas de Guarujá/SP. Creio ser a recíproca bastante verdadeira, uma vez que a mim (URBAIN G.) pouco dão crédito. Tanto mais relegado à condição de enteado-munícipe, ilhéu residente em ITAPEMA/SP (rebatizado Distrito de Vicente de Carvalho). Não encaro isso como karma, então não cometerei igual pecado. Abrindo uma exceção ao falar de Wega Nery, por apreço aos deserdados que nossa incorrigível Sede-madrasta é capaz de ignorar.
Wega Nery Gomes Pinto, nasceu em 10/03/1912, em Corumbá (MT). Após passar os primeiros anos de vida em fazendas do pantanal mato-grossense, a família muda-se para Bauru (SP) e Wega Nery enviada para a Capital paulista ingressa no Colégio Sion.
No início da década de 1930, conclui o Curso Ginasial. Estuda psicologia, pedagogia e didática. Torna-se Professora, mais tarde é nomeada Inspetora Federal de Ensino. Nesse período, retoma o hábito de desenhar e pintar de maneira autodidata.
Simultaneamente, escreve e publica poemas na Revista carioca 'O Malho' (Parnaso Feminino), sob o pseudônimo de Vera Nunes, isso em 1932.
['Auto-retrato Wega Nery' - grafite sobre papel]

De 1943 à 1945 passou mais de um ano hospitalizada, em decorrência de uma série de complicações cirúrgicas. Levando-lhe a utilizar o desenho como forma de distração, quando pintaria seus primeiros óleos sobre tela.
Em 1946, matricula-se na Escola de Belas Artes, em São Paulo, onde estuda com Theodora Braga. Tem aulas particulares com Renée Lefèvre e Joaquim da Rocha Ferreira. Nesta busca da vocação tanto os arredores da capital bandeirante, quanto os cenários das cidades do litoral paulista serviram de modelo ao pincel de Wega. Participa de sua primeira Exposição, a Coletiva da Associação Paulista de Belas Artes.
Foi numa conversa com Sérgio Milliet, consagrado crítico de arte, que Wega Nery enveredou definitivamente pela pintura:
"(...)Mas foi o Sérgio Milliet que fez com que eu resolvesse dedicar-me à pintura, e só a ela. Resolvi levar um dia alguns desenhos e também minhas poesias para que ele os visse. E perguntei qual o caminho que, achava, eu deveria seguir. Sérgio respondeu-me que eu transmitia mais pelos desenhos do que pelas poesias. E daí por diante abandonei a Literatura e fiquei só com a pintura. Não senti falta da poesia porque a pintura, para mim, tem muito de poesia e de música..."
'A MENINA DA TRANÇA' 1949 - ÓLEO SOBRE TELA (57X50cm).
'PAISAGEM DE SANTO AMARO' 1951 - ÓLEO SOBRE TELA (50X60cm). BAIRRO PAULISTA ONDE MOROU WEGA NERY.

No ano de 1950, ganha a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes. À convite da também pintora Alzira Pecorari, entra para o Grupo Guanabara, reunido em torno de Yoshiya Takaoka e integrado ainda por Arcângelo Ianelli, Ismênia Coaracy, Manabu Mabe e Fukushima entre outros.
"(...)Foi quando conheci o grande Takaoka. Ele achou que eu sabia pintar mas não conhecia o aproveitamento das cores. E então começou para mim uma fase importante, onde aprendi a desenhar tirando tudo da linha, realçando a linha, sentindo a figura. E aprendendo a usar as cores..."
Depois de um tempo no Grupo Guanabara, frequenta o Atelier Abstração, de Samson Flexor, produz então as primeiras obras abstratas de tendência geométrica.
"(...)No Atelier dele, desde o primeiro desenho me senti livre, na criação. Por outro lado, Flexor começou a organizar-me, comecei a sentir a disciplina do desenho... (...)Mas não demorou muito tempo a que eu me desinteressasse pela disciplina do Abstracionismo da mesma forma como havia me desinteressado pelo Figurativismo. Queria pintar coisas absolutamente livres.
A primeira Exposição individual ocorreu no Masp em 1955.
 'COMPOSIÇÃO GEOMÉTRICA' 1955 - NANQUIM SOBRE PAPEL (35X49cm).
'SEM TÍTULO' 1955 - NANQUIM SOBRE PAPEL (22X29,5cm).

A partir de 1961, iniciou sua série de pinturas informais chamadas 'Paisagens Imaginárias'. A artista contava que a primeira paisagem foi pintada depois de ficar algum tempo observando a cidade. Mas o que ela acabou pintando na tela seria o interior de si mesma.
"A primeira impressão que as telas causam são a do gesto amplo e violento. Mas uma inspeção mais atenta revela que este gesto aparentemente caótico se dá sobre um fundo de ordem cuidadosamente escondida. Pois é isto que caracteriza a essência do Romantismo: não é um movimento ingênuo, ou "vital", como ele próprio pretendia, mas é um movimento altamente sofisticado. Pois nessa cena que ameaça fechar-se, Wega Nery representa uma abertura. Propõe contra o estruturalismo formalizante e ao primitivismo acionante um renascimento do Romantismo em novo nível de significado. E assim creio que devem ser lidas essas telas, em contexto. São testemunhas do desespero que toma atualmente todo artista verdadeiro." - Villém Flusser (Agosto de 1968).
A obra da pintora pode ser vista na chave expressionista abstrata, informal ou, ainda, abstrato-lírica - termos importantes para o debate da Abstração nos anos de 1960, por meio dos quais a crítica opõe artistas de tendência estritamente geométrica, aos de orientação gestual. No trabalho destes últimos, entendia-se que a expressão efetiva-se por meio do gesto e, por isso, era valorizada a criação individual. No entanto, para Wega, a presença da gestualidade ocasional não descarta por completo a existência de um projeto.
  'VITRAL' 1960 - ÓLEO SOBRE TELA E MADEIRA (90X72cm). 
'PERSPECTIVAS' 1963 - ÓLEO SOBRE TELA (1,74X1,79m).

Na década de 1970, ao lado do companheiro Geraldo Ferraz (crítico de arte e escritor) estabelece-se em Guarujá (SP), cidade litorânea. Ali constrói residência na Praia de Pernambuco, com planta assinada pelo renomado arquiteto Gregori Warchavchik. A casa é batizada de "Ilhaverde", em alusão a um dos livros de Victor Hugo. É o local onde Wega produziu boa parte de seus trabalhos, tida como entidade pela pintora. Na qual recebia amigos para conversar sobre artes, próxima ao mar, em que gozou de sua vida doméstica. Essa casa emblemática serviu como um território de inspirações, resultando em produções oníricas e abstratas da artista. Nesse território imagético, a "Ilhaverde", encontrava-se no ápice de tão bem sucedida e extensa trajetória artística, que se caracterizou pela transmutação de linguagens pictóricas, entre as fases figurativa e abstrata de sua arte.
INTERIOR DA "ILHAVERDE" - RESIDÊNCIA E ATELIER DE WEGA NERY.

Para abordar mais especificamente o talento e a obra de Wega Nery, nos valeremos do senso crítico de Geraldo Ferraz. Além dos comentários de outros especialistas.
Em seus trabalhos desponta a condição, sua evidência de exceção. Atingindo uma "formulação exclusiva".
"(...)Crescera nos trabalhos de Wega, desdobrara-se, em sua preferência temática, aquela "formulação exclusiva", imaginária, simbólica, que nem sempre era admitida..." - Pela difícil aceitação do raro, das "paisagens que não existem".
"(...)Que Wega insistia em abordar, de quadro para quadro, numa ininterrupta obsessão criadora, emanada da convicção mais arraigada..."
Donde a continuidade em vinte anos de trabalho, as duas décadas que se ligam, dos primeiros desenhos das pedras às virtualidades inerentes à paisagem transfigurada, imagens que são decorrência da inteira entrega, no espaço-movimento, a topologia do onírico, pelo domínio do olhar e do gesto à avaliação dos condutores, que a segurança da fundamentação gráfica trazia informada, basicamente.
WEGA NERY - NOS PRIMEIROS ANOS EM SUA "ILHAVERDE".

"(...)Produto de uma consistência tirada do caos, singularmente complexa na dinâmica ou vertiginosa captação dos trechos maiores e dos fragmentos, a tornar o espaço viajável, hoje, cosmicamente viajável..." - Avalia inicialmente, Geraldo Ferraz no prefácio do seu livro, 'Wega Liberta em Arte', publicado em 1975.
"(...)de uma liberdade em plenitude do movimento apreendido, de uma certeza visionária acerca de como conduzi-lo, maiormente , ao manejo da espátula, na combinatória das matérias densas, logo avizinhadas a transparência incrivelmente obtidas, para o resultado final expressivo..."
O fim da Arte superior é libertar, pensava Fernando Pessoa em suas reflexões estéticas.
Pintura, portanto, exceção, exclusividade. Sobretudo, alheia à estrita observância gestual de um acaso, "ela espraia o sensível em sua insondável e desconcertante alteridade", categoria de uma cosmogonia.
'TARDE NA ILHA DO SOL' 1970 - ÓLEO SOBRE TELA (95X76cm) COLEÇÃO TAMARA WIRTH. UMA DAS "PAISAGENS IMAGINÁRIAS", DE WEGA NERY.

Consequência de uma fundamentação em resultado efetivo. Não de uma pesquisa, mas de uma cristalização: pintura original, única, livre de qualquer coincidência à uniformidade das modas de vanguarda.
"A consciencialização dos condicionalismos de qualquer forma de arte deve ser posta ao serviço da superação desses mesmos condicionalismos e não a uma submissão passiva e masoquista perante a sua inevitabilidade. Em arte como na vida." - Assinala Margarida Losa, e assim coloca a obra de Wega Nery na atualidade.

[Geraldo Ferraz - escritor e companheiro de Wega Nery]

Não se identifica, o primeiro esforço de libertação em Wega, escreve Geraldo Ferraz, em etapa alguma anterior, em que ela era considerada "diferente", nem mesmo naqueles óleos mais rigorosamente adstritos à geometrização, alheados a tema. Será necessário encontrar a Wega de antes, anterior a esta, nos desenhos produzidos a partir de 1954-55. São contudo transposição de imagens para a abstração, o tema, sem a denúncia referencial, não seria reconhecível, pois não passa de um agenciamento de manchas chegando à formas via texturas.
'ROCHAS' 1954 - NANQUIM SOBRE PAPEL.

"(...)Em 'Rochas', a concatenação de formas pode sacrificar a referência, tão abstratas estão estas pedras, quanto em si, na opção desqualificada, constituem abstrações." - Para identificar Wega na estrada de sua libertação, faz-se imprescindível deter nossa atenção primeiro para estes desenhos. Desvencilhado da diretriz ortodoxa da abstração, a qual Wega se recusava por insubmissão a expressão sob medida. É uma situação já inteiramente modificada nestes desenhos.
"(...)Por eles passará então o balizamento libertador - surgira alguma coisa de novo na gráfica brasileira.
Em alguns desses desenhos podia-se sentir a procura de uma estruturação original, em que um sentimento ainda carregado de limitações dava notícias de soluções próprias, advindas de um esforço de criatividade que reagia, em sua frágil maceração de linhas e texturações, para afirmar-se, autonomamente, capacitada a conquistar o seu espaço."
Estes desenhos de incisão inédita, enviados à III Bienal de São Paulo foram recusados pelo Júri de Seleção. Contudo, levados ao juízo crítico do Diretor do Museu de Arte, P.M. Bardi, ele os examinou, confirmou sua alta qualidade e acabou convidando a pintora para uma Exposição de seus desenhos, no Museu. Foi a primeira Individual de Wega.
  'CARNAVAL' 1957 - NANQUIM SOBRE PAPEL.

"Mais uma vez, portanto, uma artista deste século ia colocar-se diante do espaço em branco, para debater, em adstringente solidão, o problema fundamental da pintura - começariam humildemente numa linha em um ponto qualquer do papel, reincidente na lição de Kandinski, do ponto à linha, na Bauhaus."
Essa resolução íntima, pessoal, começou por um resultado ponderável: os trabalhos não aceitos na III Bienal e na afirmação que constituiu sua Exposição Individual.
"(...)para a predisposição artística de Wega, não conta um acaso ao traçar seus desenhos, adstrita a incidências no Abstracionismo Lírico e no Abstrato Geométrico, certamente, Wega seguia o conselho ambíguo de Heráclito - "se não esperas o inesperado não o encontrarás, porque é duro e difícil encontrá-lo."
Que é então que devia fazer após este passo importante? Afinal, embora a recusa dos trabalhos naquela Bienal, este novo traço era a descoberta duma expressão gráfica inédita.
"Cabia insistir na perquirição do desenho, mais e mais, visando a toda extensão da estrada aberta, porque havia feito alguma coisa de novo no plano gráfico, e embora a crítica de arte, pela precariedade que lhe era inerente, não o pusesse em relevo - persistira, como que instintivamente orientada para uma procura em escalada." - Atitude essa sine qua non para o amadurecimento artístico.
[Wega Nery no esplendor da Arte]

"Que renderia o desenho em folha maior, numa paginação bem mais ampla? O esforço libertador não conta, porém, apenas, com o sucesso de Exposição, coroando a possibilidade técnica expressada.
Havia de passar pelo sofrimento e Wega, naquele período, exatamente, achava-se em solidão: ela e seu filho, um adolescente. Dessa solidão é que vai sair o impulso vital de uma artista que até então só conhecera dores físicas; até a borda da inconsciência, ao permanecer pregada ao leito por dois anos. Agora enfrentava o amargor da solidão, entre o irreparável e a Arte. - A confirmar, sobretudo, ser o artista produto de sua vivência pessoal, acrescida da experiência estética.
"(...)Então se deu a libertação sobre essas folhas de papel em que o nanquim, obsessivamente, iria perseguir uma formulação no espaço, tirada do mundo interior. Este é o período de sedimentação, realmente, Wega antes de Wega, uma angustiante dialogação com o Abstrato, e, na sua expressão original, oposta ao teórico, ao visto, a toda tradição, escolas, mestres. Temos de imaginá-la, no seu ascetismo criativo, entregue apenas a ordem perceptiva visual, tecnicamente servida pela mão habilitada a dominar o traço mediante o comando do olhar, para fazê-lo visível. O ser humano que efetuava essa didática descobridora a ela se entregava totalmente ungida pela imaginação." - Dentro daquilo que se propôs a própria pintora, criar livremente. Fez-se assim como ressalta o crítico, original.
 'RITMOS' 1957 - NANQUIM SOBRE PAPEL.

"(...)O desenho Abstrato de Wega, decorrência daquele que lhe valeu a Exposição no Museu de Arte, nesse período de amarga solidão, é um desenho que se sustenta, unicamente, por sua força em grimpar as escarpas do imaginário. Poderemos, seguramente, lhe atribuir algumas, mesmo, numerosas figuras geométricas, mas sua projeção, seus tensos pontos de interesse, paralelas às vezes desafiantes, outras, declinações que vão fatalmente para a labilidade, não pertencem ao caráter da premunição. Vieram aí comparecer, somar-se, na perquirição destituída de arranjo pensado, recusam-se a ser alguma mensagem sempre fácil na acumulação de linhas, na tessitura de semi-esferas, nas diagonais, em oblongas solicitações de limite." - Embora neste viés abstracionista se afigura remodelado, emergindo em nova imagem.
"(...)O indescritível toma conta desses espaços, mas não nos deixemos enganar por uma perigosa insinuação: nenhuma fuga se faz possível mediante essa concatenação árdua e continuada de desenhos metafóricos. Ao desvelar o panorama de solidão amargurada em que foram traçadas, estas texturações adquirem e adiantam muito mais do que a sua expressão imediata pode revelar ao comentador crítico que não se restrinja à superficialidade de avaliar uma produção de condensações tramadas sutilmente, como virtuosismo de traço e orquestração dos seus conjuntos espiralados." - Dado seu caráter inovador e singular que impele o olhar à descrição da visagem.  
'FRASE' 1957 - NANQUIM SOBRE PAPEL (70X80cm).

"(...)No seu exame, não encontramos a uniformidade que uma produção contínua poderia ter deixado imiscuir-se de um para outro exemplo; o temário, igualmente, se faz arbitrário e disponível a toda sugestibilidade, na contemplação individuada. Aqui cada resultado é em si um ponto de partida quanto um desdobramento, e muitas vezes uma reflexão em meio..." - Não se basta também as ilações conceitudamente teóricas do universo das Artes Plásticas.
"(...)Mas não se enquadra em grupos, tais ou quais. Adquire bastante da imponderabilidade do delineamento anterior com se foram apenas elementos essenciais indefiníveis, que a artista adiantou para não referir  sua contenção, no pudor de não constranger nada a ninguém. Uma perturbadora delicadeza, portanto, capaz de tocar alguém acostumado a ver obras de arte..." - Observa o crítico Geraldo Ferraz, sobre a natureza dos desenhos de Wega Nery.
"(...)Essa necessidade de contemplação, mais prolongada, é  um dado essencial para uma aproximação suficiente de toda criação que participe de uma experiência transcendental, como pela primeira vez aparece abordada nos trabalhos de Wega. Insistindo, então, em seu desenho, a pintora vai alcançar um repertório pleno de possibilidades. Estas linhas caprichosas entre a fantasia e a procura da metáfora distendem um roteiro de descobertas."
WEGA NERY - PINTORA BRASILEIRA.

Na IV Bienal, para representação brasileira de desenhos, três dos trabalhos resistem à tendenciosa seleção do Jurí; denomina-se 'Carnaval', 'Ritmo' e 'Frase'. Inicialmente, é evidente, não tinham nome algum. A escolha do primeiro título tematicamente reage a situação de solitude, trocando-a por uma equivalência de vivência em massa, mas se trata apenas de uma palavra para encobrir essa resistência em si mesma - por que não um carnaval, que determina entrega à total embriaguez dos sentidos e à envolvência da massa humana, no fluxo que percorre a rua? - este como outros desenhos fazem o recenseamento intenso e minucioso dos caminhos, dos roteiros, das raízes e da abstração. Tem que ver, simbolicamente, entremeados de agitação que se distribui em articulações vivas, que desaguarão no seu inédito Expressionismo Abstrato. Os quais têm a função como delineamento de sustentação do discurso. Busca essa que se afigura, ao fim das séries - vão até 1961.
"(...)Como uma fase inteira que é, agora vemos, retrospectivamente, preparatória de um acontecimento, a entrosar-se numa atualidade das artes visuais, mediante uma providência consequentemente lógica, numa revivescência do antiquíssimo método gráfico de investida no imaginário." - A artista abre o campo, está na orla de um terreno desconhecido, vastos e estranhos domínios.
'REFLEXOS' 1958 - NANQUIM SOBRE PAPEL (64X48cm).

"Retoma Wega, como no caso de todos os artistas marcados pelo estigma da originalidade, o problema da criação a desdobrar de um marco zero - deflui de uma consideração intuitiva em profundidade menosprezando o ensinado e o conhecido, alvitrando por conta própria uma solução condicionada em poderes a arrancar de quanto se fez arte, até o momento, de quanto conseguiu ser expressão..."
Provindo as informações de áreas díspares quais o Expressionismo e o Abstracionismo acrescentará Wega também, a gestualidade, como contribuição técnica, portanto nem tão ocasional, a elaboração imaginária.
"(...)Por enquanto, o desenho que nos ocupa apenas adianta alguns dados que autorizam estas deduções. O desenho baseou a conscientização das possibilidades de uma pintura que ainda não poderia ser esboçada." - Salienta Geraldo Ferraz, demorava-se Wega em ver o quanto lhe proporcionaria aquele desenho que, afinal, surgiria reconhecido pelo Jurí Internacional da IV Bienal:
"A linha mais bela do mundo" - Declaração de Ludwig Grote, advindo do Museu Nacional de Nuremberg para presidir ao julgamento da Bienal em São Paulo.
Com uma primeira Exposição no Rio de Janeiro, então, a sua terceira Individual - na 'Petite Galerie', a artista foi surpreendida com a Láurea. Na Mostra apenas um cidadão italiano viera, ao último dia, à noite, adquirir um desenho.
O Prêmio adquiria uma significação especial - um mínimo de desenhos havia passado pela seleção, e era pela segunda vez que Wega Nery participava da Bienal. De Viena, manifestou-se imediatamente o interesse da Coleção Albertina. No Museu de Arte Moderna também se ostentavam noutra Exposição os desenhos de Wega. O crítico Osório César escreveria no jornal 'A Gazeta' (12/09/1957):
"(...)Uma das mais destacadas representantes do desenho abstrato no Brasil." - Estava consolidado o talento de Wega Nery, a qual surgira, como vimos, para o mundo das Artes Plásticas sob o signo da polêmica.
'ABSTRATO' 1957 - NANQUIM SOBRE PAPEL (67X41cm).

"Entretanto, o desenho era um processo libertador na conquista da expressão de Wega. A perturbadora dinâmica a que atingiram certos exemplares de seu desenho em 1957, da conformação mais densa à mais evanescente no seu amontoado de consistências, num caso que nem noutro leva-nos a admitir a admitir que a pintora, que se transviara por este caminho - há preferências críticas que caracterizam a técnica do desenho dominada pelo sentimento, como outras há que estabelecem suas fontes num predomínio intelectual - mergulhou em profundidade nas possibilidades da trama, "compondo", até onde era possível, desprezando, alhures, qualquer noção de composição, para só marcar trajetos arbitrários, ou de uma fulguração, ou de um jogo prismático em escalada, nas últimas consequências, em uma das derradeiras tentativas - 1961."
"(...)Sem uma conotação predominantemente, intelectualista ou sentimental, a insistência na área desse desenho e sua continuidade por assim dizer "temática", não obstante permanecer abstrata, inclinamo-nos a ver nestes produtos de arte uma antecipação elaborada para a organização futura de formas que viriam a invadir um repertório diferenciado - não mais o traço do nanquim sobre a epiderme do fabriano, mas cores e formas que chegariam à utilização daquele desenho, inconscientemente premeditado para servir a outra função."
"Daí tais desenhos não foram, contudo, simples exercícios... (...)concretamente, articulam-se em obras de arte, autônomas, relacionadas por um fio condutor sutil e, entretanto, poderoso. e que jamais perdeu sua vitalidade ao passar de uma experiência para outra, objetivamente dotados de uma linguagem  clara e sensível, estão longe de constituir, os desenhos das fases de 1951 a 1961, projetos para os quadros que virão, imediatamente, depois..."
WEGA NERY - ARTISTA PLÁSTICA LIBERTA EM ARTE.

Provindo, porém, desse mosaico de estímulos de que dispunha a artista, os elementos organizadores da forma determinaram, longamente, a sua experiência nas abstrações.
- Não sou uma desenhista. - Diria um dia Wega. - Eu sou pintora, por que continuo insistindo nestes desenhos?
"Já estava então fundamentada uma ponderável experiência. Daí por diante, a caracterização daquelas tessituras desenhadas deveria impor uma outra expressão exteriorizante..."

O CAPÍTULO CONTINUA...

domingo, 1 de setembro de 2013

A SÉTIMA ARTE EM ITAPEMA

COMO EM TODO O BRASIL, ITAPEMA/SP ASSISTIU O FECHAMENTO DE SUAS SALAS DE CINEMA.

Houve tempo que apesar do reduzido número de habitantes, ITAPEMA/SP tinha certa diversidade de entretenimento. Não era incomum danceteria, casa de show e bares com música ao vivo no centro. Claro, a Sétima Arte garantira o seu lugar.
Já tivemos ao longo de décadas alguns cinemas. Templos de luminosidade. Centelha singular da imaginação, imagens oníricas a projetar variadas emoções. Um universo de figuras míticas, deusas encantadoras e heróis improváveis.
Ainda remotamente no Bairro Vila Bocaina, havia o Cine '15 de Abril', com endereço à Av. Beira-mar.
Nota [à esquerda] do jornal 'A Tribuna' informa o programa deste antigo cinema. Num determinado dia apresentaria o Drama Musical 'Sacrifício e Honra', 1924, EUA, (Pal o' Mine), Direção Edward J. Le Saint, Estrelado por Irene Rich, Pauline Garon, Willard Louis, Albert Roscoe e Josef Swickard. E na próxima quinta-feira exibição do filme em séries 'O Mysterio do Diamante Esperança', 1921, USA, (The Hope Diamond Mystery), Suspense, Dirigido por Stuart Paton, com Grace Darmond, Boris Karloff, May Yohe, George Chesebro e Carmen Phillips. Outro registro de cinema nesta localidade, é do Cine 'Bocaina' pela década de 1930.
Em 1951, inaugurou-se o Cine-Teatro 'Itapema', o chamado "Cinema Grande", pertencente ao Sr. José Nunes, na Av. Thiago Ferreira, 21. Ali no "Pontão das Barcas", imediações do Largo da Estação. Praticamente o prédio ficava na esquina da antiga Rua Leonelópolis (atual "Rua da Base"). Construído em Art Decor, tinha o piso quadriculado preto e branco, além de mezanino acomodando uma platéia suspensa, conforme se recordam antigos frequentadores. Conta Luís Miguel Rubido Casás, "a porta da direita do prédio era do bar e da bomboniere do Emílio. Também tinha dois acessos: para os clientes da rua e para os espectadores que já tinham adentrado o hall e se preparam para assistir algum filme."
  CINE 'ITAPEMA', O CHAMADO "CINEMA GRANDE". INAUGURADO EM 1951 [ITAPEMA/SP].

O filme de estréia do Cine-Teatro 'Itapema' foi 'A Princesa da Selva', 1936, EUA, (Jungle Princess), Aventura, Direção Wilhelm Thiele, com Dorothy Lamour, Ray Milland, Akim Tamiroff, Molly Lamont, Lynne Overman e Hugh Buckler. Conforme recorda Vicente Ferreira Netto.
Filmes clássicos do cinema mundial, fitas de Mazzaropi, Maciste, desenhos animados foram exibidos em sua tela grande. Era costume as famílias irem aos finais de semana assistir as matinês e sessões noturnas... Antonio Bastos lembra-se de ter visto acompanhado dos pais e irmãos, a primeira versão de 1933 para o filme 'King Kong', USA, Aventura, Direção de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, Autores Merian C. Cooper e Edgard Wallance, Estrelando Fay Wray, Robert Armstrong e Bruce Cabot.
Há quem aproveitasse a ocasião com o intuito de também ganhar alguma grana. Como o garoto Elias Costa Costa, que vendia cocada e tapioca em frente ao "Cinema Grande".
Dados dos anos 60, extraídos do 'Blog Cine Mafalda' mostram os seguintes números sobre o Cine 'Itapema':
Lugares: 1.116 Média Anual de Sessões: 394 Espectadores: 29.084 Projetor: 35 m/m. Arnaldo Nascimento e Guilherme trabalharam como projecionistas à época.
Sendo uma das poucas diversões no Distrito, para ver o filme do 'Zorro', o menino Maurício Ferreira Carmelo Ferreira como o pai tinha dinheiro mas não lhe deu, contrariado foi à Praça da "Fonte Luminosa" engraxar sapatos e assim comprar o bilhete de entrada. O que custou-lhe uns safanões pela desobediência.
Outros campeões de bilheteria estamparam a tela do "Cinema Grande", destacamos o bang-bang 'Um Dólar furado', 1965, Italo-Francês, (Un Dollaro Bucato), Faroeste, Direção Giorgio Ferroni, Música de Gianni Ferrio, com Giuliano Gemma, Evelyn Stewart e Pierre Cressoy. 'Os Trapalhões, Ali Babá e os 40 Ladrões', 1972, Bra, Comédia, Produção Jarbas Barbosa Direção Victor Lima, com Renato Aragão, Dedé Santana, Neila Tavares, Luiz Delfino, Elza de Castro, Ângelo Antônio, Elisa Fernandes, Mariel Mariscot, Wilson Grey, Fernando José e Jece Valadão. 
Inclusive, o Cine 'Itapema' não se prestava somente a condição de cinema. Em suas dependências foram realizadas diversos bailes de carnaval, festas e shows.
Seria demolido em fins dos anos de 1970 para assentamento da linha férrea da RFFSA cruzando Itapema/sp.
  O CINE 'ITAPEMA', NO DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO, FOI DEMOLIDO EM FINS DA DÉCADA DE 1970.

Outra sala de cinema existente foi o Cine 'Avenida', localizado na Av. Thiago Ferreira Nº 136. Que funcionou à partir de 1950. Proprietária a Srª Rosa Dias. Nesse período aconteceram também apresentações de peças infantis.
Vejamos dados dos anos de 1960, obtidos do 'Blog Cine Mafalda' referentes a expressiva movimentação do Cine 'Avenida':
Lugares: 306 Média Anual de Sessões: 416 Espectadores: 17.623 Projetor: 35 m/m.
Há quem recorde-se de 'O Mágico de Oz', 1939, EUA, (The Wizard of Oz), Infantil, Direção Victor Fleming, Música Harold Arlen, com Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Jack Haley e Bert Lahr. 'O Ébrio', 1946, Bra, Drama, Direção Gilda de Abreu, com Vicente Celestino, Rodolfo Arena, Walter D'Ávila e Antonia Marzullo. 'As Neves do Kilimanjaro', 1952, USA, (The Snows of Kilimanjaro), Aventura, Produção Darryl F. Zanuck, Direção Henry King, estrelando Gregory Peck, Susan Hayward e Ava Gardner. 'Mazzaropi, O Noivo da Girafa', 1957, Bra, Comédia, Direção Victor Lima, Produção Oswaldo Massaini, com Amácio Mazzaropi, Glauce Rocha, Manoel Vieira, Celeneh Costa, Roberto Duval e Palmerim Silva.
Seu espaço serviu à Cerimônias de Formaturas Profissionais e Estudantis.
FOTO TIRADA EM FRENTE AO CINE 'AVENIDA' (CINE 'ESTÉR') - EXIBINDO FILME DE AMÁCIO MAZZAROPI - ITAPEMA/SP [1959].

Depois seria vendido e rebatizado com o nome de Cine 'Estér', endereço atualizado: Av. Thiago Ferreira, 696. Administrado pelo Sr. Michel Hulli (o popular, "Careca"). Muito frequentado pelos casais itapemenses pra namorar no escuro.
Era Lanterninha o "Negão Veludo", ele sempre surgia das sombras pra botar na rua os penetras, que pulavam o muro do Centro Espírita 'Santa Emília' (ao lado) e entravam pela Porta de Emergência, querendo assistir as sessões.
Quando a projeção falhava, mudança de rolo, instabilidade horizontal, fora de foco, a platéia tirava o sarro do "Careca" e seus profissionais dentro da cabine de operação. "Charuto" era um deles. Trabalhou como Zelador o Seo Alfredo.
O cinema serviu de referência ao universo dos garotos do Itapema. Antes do início das matinês a molecada trocava e fazia venda de gibis.
INTERIOR DO ANTIGO CINE 'ESTÉR' - ITAPEMA SP.

Também no Cine 'Estér' tive meus contatos iniciais com a Sétima Arte. Ainda que a maioria das produções em cartaz fizesse parte do circuito comercial (exibidos com defasagem) e Filmes "B".
Era o auge das películas de Artes Marciais. Na saída das matinês as latas de lixo e postes sofriam, tomados que estávamos pelas proezas de "Bruce Lee", Shaolins e Cia: 'A Fúria do Karate', 1974, Hong Kong, (Lang bei wei jian), Artes Marciais, Direção Wu Ma, Roteiro, On Szeto, com Henry Yu Young, Wua Ma, Sucy Mang, Tang Ching, Siak Kin, Li Meng, Fung Kin, Wang Sun e Kiang Nam. '18 Homens de Bronze', 1975, Hong Kong, (Shao Lin si shi ba tung ken), Artes Marciais, Direção Joseph Kuo, com Carter Wong, Polly Shang-Kuan Ling-Feng, Tien Peng e Chien Chin. 'A Expedição dos Dragões Condenados', 1978, China, (Shen Long), Artes Marciais, Direção Fei-Lung Huang, com Bruce Li, Chung-Tien Shih, Fei Lung, Jen-Ping Su, Ching Cheng e Tai-Liang Wang. 
Naquelas duplas sessões vi pistoleiros incríveis, monstros magníficos, carros extraordinários e duplas da pesada. Eis alguns títulos dos quais me recordo dentre tantos:
'King Kong', 1976, EUA, Aventura, Direção John Guillermin, Produção Dino de Laurentiis, com Jeff Bridges, Jessica Lange, Charles Grodin, Ed Lauter e René Auberjonois. 'As Novas Aventuras do Fusca', 1974, EUA, (Herbie Rides Again), Infantil, Direção Robert Stevenson, com Stefanie Powers, Ken Berry, Helen Hayes, Keenan Wynn e John McIntire. 'Comboio', 1978, EUA, (Convoy), Aventura, Direção Sam Peckinpah, com Ernest Borgnine, Kris Kristofferson, Rubber Duck, Ali MacGraw e Burt Young. 'Resgate Suicida', 1979, Inglaterra, (FFolkes), Aventura, Direção Andrew Maclaglen, com Roger Moore, James Mason, Anthony Perkins, Michael Parks, David Hedison e Jaçk Watson.
Que coisa fantástica eram as ovações extasiadas, quando o herói recobrava-se de um golpe fatídico e partia para a vitória. Puro furor foi assistir a Ursula Andress ser "devorada" por olhares juvenis em 'A Montanha dos Canibais', 1978, Itália, (La Montagna del Dio Cannibali), Aventura, Direção Sérgio Martino, com Stacy Keach, Cláudio Cassinelli, Antonio Marsina, Franco Fantasia, Lanfranco Spinola, Akushula Selayah e Gianfranco Conduti. 'O Último Mundo dos Canibais', 1977, Itália, (Ultimo Mondo Canibale), Terror, Direção Ruggero Deodato, com Massimo Foschi, Me Me Lai, Ivan Rassimov e Judy Rosly. 
Uma única vez deparei-me com algo diferente. Creio que foi mero acaso, nem o exibidor se deu conta. Colocara apenas para completar a Sessão. Depois vim a reconhecer como "Filme de Arte".
Era a produção italiana 'Una Giornatta Particolare', 1977, (Um Dia Muito Especial), Drama, de Ettore Scola, estrelada por Sophia Loren e Marcello Mastroianni.
Citemos ainda pelo inusitado, 'Quando as Metralhadoras Cospem', 1976, Britano-Estadunidense, (Bugsy Malone), Comédia Musical, Direção Alan Parker, Música Paul Williams, com elenco infanto-juvenil promissor Scott Baio, Florrie Dugger, Jodie Foster, John Cassissi, Martin Lev, Paul Murphy e Albin Humpty Jenkins. 
Nunca esqueço também das trilhas sonoras que tocavam antes da Sessão, dos pôsteres espalhados pelas paredes. Logo em seguida ao apagar das luminárias projetavam-se trailers, documentários. Sempre que lembro do Cine 'Estér' me vem a mente um desses sobre rinhas de galo ou ainda, os jogos do 'Canal 100', 1957 à 1986, Bra, Cinejornal, Criado por Carlos Niemeyer, apresentando documentários cinematográficos de eventos importantes do "Pais do Futebol".
Propaganda com Animação da D. D. Drin (dedetizadora), 1976, Bra, Criada por Ely Barbosa, Jingle de José Maugeri Neto, paródia do Grupo "Secos e Molhados" figurando uma Banda de Insetos.
A exposição de cartazes e fotos das novas atrações no pequeno hall aguçavam as expectativas. 
Filmes do gênero 'A Paixão de Cristo', entre as muitas versões. 'Marcelino, Pão e Vinho', 1955, ESP, (Marcelino Pan y Vino), Drama, Direção de Ladislao Vadja, com Pablito Calvo, Rafael Revelles e Antonio Vico, especialmente exibidos na Semana Santa eram assistidos com sofrida comoção.
"Os Trapalhões" e suas paródias cinematográficas atraíam grande público: 'O Trapalhão no Planalto dos Macacos', 1976, Bra, Comédia, Dirigido por J. B. Tanko, Estrelando Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Rosina Malbouisson, Carlos Kurt, Vera Capua, Milton Carneiro, Ferreira Duarte e Fátima Leite. 'Os Trapalhões na Guerra dos Planetas', 1978, Bra, Comédia, Diretor Adriano Stuart, Música Beto Strada, com Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum (Antonio Carlos), Zacarias (Mauro Gonçalves), Pedro Aguinaga, Maria Cristina (Rocha), Emil Rached, Arlete Moreira, Wilma Dias, Carlos Kurt e Tereza Mascarenhas Risa.
'Trinity' (Trinitá), personagem do Velho Oeste, do ator (roteirista e diretor italiano) Terence Hill, do gênero Western Spaghetti, aliado ao irmão Bud Spencer (ator), vivendo à margem da lei, sempre a ajudar indefesos, belas donzelas que encontram pelo caminho. Tal o sucesso originando sequências de filmes da dupla Bud Spencer & Terence Hill: 'Trinity Ainda é Meu Nome', 1971, Itália, (Continuavano a Chiamarlo Trinitá), Faroeste Espaguete, Direção Enzo Barboni, com Terence Hill, Bud Spencer, Yanti Somer, Jessica Dublin, Riccardo Pizzuti e Harry Carey Jr.
Produções hollywoodianas tendo animais como protagonistas ferozes. 'Orca, A Baleia Assassina', 1977, USA, (Orca), Aventura Dramática, Direção Michael Anderson, Música Ennio Morricone, Produção Dino de Laurentiis, com Richard Harris, Charlotte Rampling e Bo Derek. 'Piranha', 1978, EUA, Suspense, Dirigido por Joe Dante, Produção Executiva Roger Corman, com Bradford Dillman, Heather Menzies, Kevin McCarthy e Barbara Steele. 'Piranha 2, Assassinas Voadoras', 1981, USA, (Piranha 2, The Spawning), Suspense, Direção James Cameron, com Tricia O'Neil, Steve Marachuk, Lance Henriksen e Ricky Paull Goldin.  
O emblemático 'Godzilla', criado por Tomoyuki Tanaka e Eiji Tsuburaya, lançado pela Toho Company Ltda. 'A Guerra dos Monstros', 1965, Nipo-Estadunidense, (Kaijü Daisensö), Ficção Científica, Direção Ishiro Honda, com Nick Adams, Akira Takarada, Kumi Mizuno e Jun Tazaki. 'King Kong vs. Godzilla', 1962, Japão, (Kingu Kongu tai Gojira), Ficção Científica, Diretor Ishiro Honda, com Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki e Mie Hama. 'O Despertar dos Monstros', 1968, Japão, (Kaijü Sôshingeki), Ficção-Científica, Direção Ishiro Honda, Produtor Tomoyuki Tanaka, com Akira Kubo, Kyôko Ai, Andrew Hughes, Jun Tazaki, Chôtarô Tôgin e Yukiko Kobayashi.    

Já crescido e com a sensação de ser adulto estreei no universo proibido dos filmes eróticos nacionais: 
'Mulher Objeto'. 1981, Bra, Direção Silvio de Abreu, com Helena Ramos, Nuno Leal Maia, Kate Lyra, Hélio Souto e Wilma Dias. 'Aluga-se Moças', 1982, Bra, Direção Deni Cavalcanti, com Gretchen, Rita Cadillac, Índia Amazonense, Lia Hollywood, Tânia Gomide, Kleber Afonso e Nico Gomes. 'Erótica, a fêmea sensual', 1984, Bra, Direção Ody Fraga, com Matilde Mastrangi, Germano Vezani, Aryadne de Lima, Dênis Derkian e Selma Ribeiro. E o sofisticado 'Rio Babilônia', 1983, Bra, Direção Neville D'Almeida, com Jardel Filho, Christiane Torloni, Denise Dummont, Norma Bengell, Antonio Pitanga e Sérgio Mamberti.
Seguido do "boom" das produções pornográficas brasileiras. Foram tantas, cujos títulos embaralham-se na minha memória.
Entretenimento de saudosas gerações, o Cine 'Estér' manteve viva a chama da Sétima Arte por três décadas, mais alguns anos. 
'Rambo, Programado Para Matar', 1982, USA, (First Blood), Ação, Direção Ted Kotcheff, com Sylvester Stallone, Richard Crenna e Brian Dennehy. Último filme a ser exibido.
O Cine 'Estér' resistiu bravamente às novelas e vídeo-cassetes até a metade da década de 1980.
Anos mais tarde em que esta sala foi extinta surgiu o Cine-Teatro 'Milenium', no entrocamento da Av. São João com a Santos Dumont Nº 1016, exibindo fitas de sexo explícito e strip-tease ao vivo. Uma proeza para uma cidade sem zona de meretrício, e que bem a pouco conheceu in loco comércio sexual, com os pioneiros travestis atendendo solitários caminhoneiros que aqui chegam de todas as regiões do país... Mas o cine pornô não durou, foi uma ejaculação precoce. Raras não foram as vezes, que donas-de-casa enciumadas foram buscar seus maridos aos tapas, sobrando até para a stripper.
Efêmero foi também o CINEMAR ["Guarujá"], na Av. Santos Dumont Nº 957. Trouxe muitos lançamentos sem que o itapemense necessitasse mais migrar para a vizinha Santos, nem deslocar-se ao centro da Sede atrás de estréias do ano.
CINEMAR - SALA DE CINEMA [ITAPEMA/SP].

Estiveram em cartaz: 'A Família Addams 2', 1993, EUA, (Addams Family Values), Comédia, Direção Barry Sonnenfeld, Roteiro Paul Rudnick, Estrelando Raul Julia, Anjelica Huston, Christopher Lloyd, Christina Ricci, Carel Struycken, Jimmy Workman, Christopher Hart e Joan Cusack. 'Do Que as Mulheres Gostam', 2000, USA, (What Women Want), Comédia Romântica, Direção Nancy Meyers, com Helen Hunt, Mel Gibson, Marisa Tomei e Bette Midler. 'Prova de Vida', 2000, USA, (Proof of Life), Drama Romântico, Direção Taylor Hackford, Estrelado por Meg Ryan, Russell Crowe, David Morse, Pamela Reed e David Caruso. 'Drácula 2000', 2000, EUA, (Dracula 2000), Terror, Direção Patrick Lussier, com Gerard Butler, Christopher Plummer, Justine Waddell, Jonny Lee Miller, Jennifer Esposito e Omar Epps. 'A Era do Gelo', 2002, EUA, (Ice Age), Animação Digital, Diretor Chris Wedge, co-dirigido pelo animador brasileiro Carlos Saldanha. 'A Era do Gelo 2, O Degelo', 2006, USA, (Ice Age, The Meltdown), Animação Digital, Direção Carlos Saldanha.
Todavia, desligou o projetor. Seu proprietário alegava prejuízos.
Confirmando uma tendência, que se disseminou por todo o Brasil, do fechamento dos "cinemas de rua" passando a se instalarem nas reduzidas salas de shoppings.