__________ Itapema, suas histórias... __________

sábado, 29 de setembro de 2018

ZECA, ilhéu itapemense

REGIÃO DO BAIRRO PRAINHA - ESTUÁRIO MARGEM ESQUERDA DA ILHA DE SANTO AMARO [ITAPEMA/SP].

Às 7:00 h. da matina, as notícias não eram nada boas...
"...Política!" - Pensou Zeca calando o rádio motorola na cabeceira. - "Nunca muda, mas os políticos traíras arrumam uma desculpa qualquer... E ficam a favor dos tubarões."
Do lado de fora pelo quintal, numa perseguição frenética, o cachorro botava o gato do vizinho pra correr. Na certa estivera fuçando no lixo da casa, sendo surpreendido.
"Se melhora pra alguns contam prosa de que foi pra todos... O prejuízo sempre fica é pros mesmos." - Ninguém a quem recorrer bem sabia. Tinha que dar seu jeito. Assim, ele se martirizava tentando acordar.
O sol crepita as finas telhas de amianto brasilit, enquanto o ventilador ruidosamente soprava inútil. Mais outra manhã que rompia na rachadura do bloco nu.
"...Ainda ameaçam cortar as horas... Diacho de vida contra a maré!." - Ao saber que a greve ia dar em nada, se levantou com aquela decisão bem própria dos derrotados pela milionésima vez. E sua intenção íntima não cogita o reboco do quinto andar. Nem assembléia e blábláblá.
- Só tu que é besta! - Maldisse uma voz abafada pelo travesseiro.
Parece que o Zeca teria de ouvir a ladainha da mulher a vida inteira. E exato nas primeiras horas do dia... Duro era admitir! Somente queria o melhor pra todo mundo.
"Saracura desgraçada!!... Nem convalescida emudece." - Ruminou as ideias ainda babando o creme dental kolynos. Antes a mulher, ao menos, tranquilizava com as saliências. Tinha gosto em conversar, daí salgou a língua, vixe! - "...Digo pra não ser assim, ela não ouve." - Além do seio a cirurgia arrancara-lhe o prazer. Tal operação fez piorar o gênio dela... Um amigo seu tinha razão e ele apenas confirmava, casamento é de escolha própria!...
- Pai!... Despertou então. - Vamô no mangue? - O filho esticava-lhe a barra da camisa aos trancos. Manteve o silêncio cuspindo fora a espuma do dentifrício... Mangue? Manguezal fora antes das máquinas enterrarem metade na construção do terminal de cargas. Os guindastes erguidos assomar o horizonte da paisagem do Distrito. Testemunhou da sua janela na Prainha, o alagado sumir e as guapirás, avicênias minguarem. Juntamente com ele os marrequinhos de bico-vermelho, os jaçanãs, as garças.
MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE - ILHA DE SANTO AMARO - LITORAL PAULISTA.

Terminado o café passou a mão nuns trocados. Pôs o garoto na garupa da monark vermelha, que se danasse a maldita responsabilidade. Estava de luto pela categoria. Decretara feriado.
- Some infeliz! Faz alguma coisa que preste... - Praguejou de dentro a tirana, ao sair da cama calçando os chinelos gastos, à procura do enchimento do sutiã.
Zeca adentrou numa picada no resto da restinga até o mangue, ali passou bom tempo, a cara mais enfiada na lama do que caranguejos na toca. Sob o olhar atento do menino curioso.
- Tem uça aí, Pai?... Tem? - Insistia o garoto, bem orgulhoso dele. Mal reparando na careta do Zeca no instante que um caranguejo pinçara seu dedo tenazmente...
Quando com muito custo completou duas fieiras resolveu ir simbora. Não sem antes se divertir com o menino na maré, esperto dentro d'água feito um biguá atrás do peixe. Tendo a imagem da mulher na cabeça, mais o grasnir dum quero-quero pelas margens do estuário da Ilha, partiu em direção ao centro da cidade. Acreditando naquela voz fantasmagórica da esposa, que lhe estimulava forçosamente fazer algum dinheiro.
TRADICIONAL VENDEDOR DE CARANGUEJO - ITAPEMA/SP [2017].

Emergia do mangue pra se atolar no asfalto. Numa esquina do "Pontão das Barcas" largou as dúzias de caranguejos que foram obrigados sambar o "miudinho" cadenciado com as seis patas, tal a quentura da calçada.
- Tá barato aqui na minha mão, hein!... Caranguejo fresquinho!! - Nosso ilhéu arriscou no pregão improvisado. Palmeando alto afim de chamar a atenção. Por vezes encoberto pelo rilhar do trem ao cruzar a ferrovia de carga.
Uma certa hora da espera pelos interessados na iguaria (já não tão fresca), os trocados valeram a si duas canas ali no Bar do Careca e uma tubaína pro filho. Nada demais, avaliou. Até o encorajara pedir cigarro a um pedestre... Matutava na vertigem da embriaguez, assistindo convicto a sorte dos bichos.
"Camarão que cochila a onda leva..." Escapuliu indolente o refrão do pagode de partido alto.
Muito tempo também passou até o Zeca estar convencido de que ninguém tinha fome dos uçás. E mesmo os próprios haviam desistido de fugir daquela sauna inquietante no calçamento. Chamou o filho que distraía-se com a maré de sapatos dos transeuntes saídos da catráia e da Barca Itapema. O jeito seria pôr os caranguejos numa panela, preparar um bom angu com o caldo... A janta tava garantida.
"Se a maré tá braba, são os cabeças-de-bagre que a onda arrasta..." - Foi refletindo nisso que encostou a bicicleta junto à cerca de ripas. O vira-lata raquítico saudava fiel seu heroísmo diário. Logo apareceu a mulher, olhar fulminante baforando a fumaça do cigarro continental na intenção de apressar as ofensas. Velhaco, ele estendeu na direção dela as fieiras.
- Olha aí, meu chamego... Graúdos como tu gosta.
Por perto os últimos pardais e bem-te-vis num jerivá sonorizavam a tarde derribada sobre os morros além da vargem grande. Ao final do dia só o cachorro parecia estar satisfeito.
MARGEM ESQUERDA DA ILHA DE SANTO AMARO [ITAPEMA/SP].
    

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CRÔNICAS DA BARCA ITAPEMENSE

SEO MIGUEL DA BARCA - TIMONEIRO DAS MUITAS HISTÓRIAS DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE.

Existente desde Setembro de 1893, a travessia de Barcas ITAPEMA/SP até a vizinha Santos/SP, reserva ao longo das décadas fatos e histórias nesta sua rota pelas águas do estuário (Guarapissumã), águas de Enguaguassú e Largo de Caneú.
Nos primeiros tempos serviu como acesso à Vila Balneária (através do Distrito itapemense) para o veraneio da Alta Sociedade Paulista, na Ilha de Santo Amaro. Vindo da Estação santista em frente à Alfândega (Pça. República) e chegando à ITAPEMA/SP.  Este seria o único trajeto à Estância Balneária até 1918.
BARCA ITAPEMENSE SINGRA AS ÁGUAS DO ESTUÁRIO [DÉCADA DE 1920].

Além dos turistas, as Barcas transportavam os moradores locais e passou a interligar facilmente o Distrito itapemense à Baixada Paulista, com a movimentação dos habitantes das cidades litorâneas.
Pelo decorrer dos anos, o número de passageiros foi cada vez mais aumentando seu contingente, constituído de grande massa trabalhadora (do Porto, comércio, serviços etc) seja de pedestres quanto de ciclistas.
ITAPEMA/SP E SUA ESTAÇÃO DE BARCAS NA MARGEM ESQUERDA DA ILHA DE SANTO AMARO [ANOS DE 1920].

Esse vai-e-vem de pessoas, momentâneos encontros, na travessia marítima de Barcas ITAPEMA/SP [Vicente de Carvalho] e a cidade de Santos/SP, nos 15 minutos de duração do percurso, as vezes retardada consideravelmente pelo tráfego de navios no Porto, senão quando baixa intenso nevoeiro sobre o estuário, possibilitou algumas curiosidades envolvendo a travessia itapemense, suas Barcas e a Estação.
BARCA ITAPEMENSE UTILIZADA NA TRAVESSIA MARÍTIMA [DÉCADA DE 1910].

O CIR - Clube Internacional de Regatas, com sede náutica na margem esquerda itapemense (à época) utilizava das Barcas na realização de suas competições a remo para acomodar juízes de prova, autoridades e convidados. Tanto como em passeios no estuário do Porto. No mês de Novembro de 1913, sócios do Clube Internacional de Regatas (o "Gigante de Itapema") promoveram animado passeio pelas águas do estuário a bordo da Barca 'Paquetá'.
BARCA 'ITAPEMA' ACOMPANHA PROVA A REMO [ESTUÁRIO DO PORTO] 1914.
CONVITE SOCIAL DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS PARA PARTICIPAÇÃO NUM SEU EVENTO ESPORTIVO [NOVEMBRO DE 1919].
BARCA 'ITAPEMA' UTILIZADA EM REGATA NO ESTUÁRIO DO PORTO [JULHO DE 1915].
SÓCIOS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS A BORDO DA BARCA 'PAQUETÁ' [NOVEMBRO DE 1913].
SÓCIOS DO DO CIR ORGANIZADORES DE FESTA A BORDO DA BARCA 'ITAPEMA' PELO ESTUÁRIO DO PORTO.

Um fato curioso é que antigamente algumas pessoas de famílias importantes do Distrito Itapemense eram enterradas nos cemitérios da vizinha cidade santista. O caixões também somente vendidos lá, quando necessitava-se de algum este era encomendado e ao chegar ficava pendurado na Estação de ITAPEMA/SP, até a família do falecido ir buscar. Fazendo assim a definitiva "travessia do Aqueronte".
No saguão de entrada da Estação sempre houve um quadro de avisos (desaparecidos, shows, casas para alugar, empregos, informações diversas). Quando dos temíveis "anos de chumbo", perseguidos pela Ditadura Militar brasileira, os revolucionários da esquerda figuraram em cartazes na parede da Estação das Barcas. Entre estes Dilma Roussef, que depois se elegeria Presidenta do Brasil.
ESTAÇÃO DAS BARCAS EM ITAPEMA/SP [MARGEM ESQUERDA DA ILHA DE SANTO AMARO].

Nesses anos todos o Serviço de Travessia Marítima itapemense empregou muitos trabalhadores da região. Houve quem se estabelecesse e constituísse família no Distrito. Bons marinheiros que contornando o Porto, bem como constante movimentação de embarcações (seja desde o cais da Alfândega santista) enfrentam o mal-tempo repentino, as correntezas do estuário. Pelos turnos de serviço a singrar à noite as águas ardentias iluminadas das margens, até uma segura atracação ao sabor do sacudir das marés na Estação de ITAPEMA/SP.
FUNCIONÁRIOS DA TRAVESSIA MARÍTIMA DE BARCAS (CIA. PRADO CHAVES) - MARGEM ITAPEMENSE [1909].
ANTIGO FUNCIONÁRIO DO SERVIÇO DE TRAVESSIA MARÍTIMA DE BARCAS [ITAPEMA/SP].
TRIPULAÇÃO DA BARCA ADHEMAR DE BARROS - PÍER DA ESTAÇÃO ITAPEMENSE/SP [ANOS DE 1960].
ALBINO DA BARCA FUNCIONÁRIO DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP.
DOQUEIRO NO CONVÉS DA BARCA - MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP.

A "Feitiço da Ilha", G.R.C.E.S. 'MOCIDADE AMAZONENSE' (sediada no Distrito) sempre teve disponibilizada Barcas extras no dia do Desfile de Carnaval, em Santos, para levar seus integrantes até a Praça da República. Afim de tomarem os ônibus especiais rumo à Passarela do Samba, o mesmo acontecendo no retorno.
FOLIÕES DA "FEITIÇO DA ILHA" A BORDO DA BARCA ITAPEMENSE RUMO AO DESFILE CARNAVALESCO.
   
Noutros tempos (década de 1980), confluência dos moradores de ITAPEMA/SP, o itinerário das Barcas suscitava namoricos, amizades e picantes fofocas cochichadas a bordo. Especialmente, no período da manhã (entre 7:30 às 8:00 horas) e o regresso à tarde (18 horas), quando muitos jovens do lugar trabalhavam no antigo centro comercial da cidade santense.
Havia ainda aqueles e aquelas, aproveitando o ambiente de "ver e ser visto" desfilavam um visual descolado: corte de cabelo, penteados, sapatos finos, relógios caros, embalos dançantes num walkman, seus tênis e roupas de marcas famosas, sempre numa pose escolhida visando impressionar. Frequentadores assíduos dos bailes Disco do Brasil A. C e Socia.
Devido a concentração de pessoas no horário do "rush" marítimo itapemense, alguns casamentos e rusgas resultaram destas travessias diárias, que ganharam o imaginário da cidade.
BARCA PAICARÁ CENÁRIO DE MUITAS HISTÓRIAS DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP [2008].
 BARCA PAICARÁ NAVEGA NO ESTUÁRIO DO PORTO - TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP [2004].
BARCA PAICARÁ NO PERCURSO DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP.
BARCA PAICARÁ RETORNA A ESTAÇÃO EM ITAPEMA/SP.
BARCA ITAPEMENSE/SP NAVEGA NAS ÁGUAS DO ESTUÁRIO. 
EMBARCAÇÕES (ITAPEMA I, CUBATÃO, CANEÚ) UTILIZADAS NA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP [2011].
FROTA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE - BARCAS ITAPEMA I, PAICARÁ, ADHEMAR DE BARROS.
EMBARCAÇÕES DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE RECOLHIDAS À MARGEM ESQUERDA.
BARCA PIAÇAGUERA PERTENCENTE À TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE [2011].

Dentre sua atividade usual, as Barcas itapemenses prestaram-se (nos anos de 1990 particularmente) a passeios pelo estuário do Porto e orla marítima das cidades vizinhas, promovendo atrações culturais. A bordo aconteciam exposições, apresentações artísticas, música etc.
RESTOS DA ANTIGA BARCA ITAPEMA/SP ENCALHADO NA MARGEM ESQUERDA DO ESTUÁRIO DO PORTO.
PINTURA ILUSTRA A BARCA PIAÇAGUERA PERTENCENTE A TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP.

Passado tantos anos da Travessia Marítima itapemense, sua Estação de passageiros sofreu ampliações e consideráveis reformas, que de certo modo descaracterizaram a arquitetura original. Seja no prédio desprovido do decorativo neoclássico, quanto no píer de atracação das Barcas e rampa de acesso. De forma mais significativa na parte posterior que dá para o chamado "Pontão das Barcas", o largo atrás da Estação em ITAPEMA/SP.
Por esta longeva importância histórica merece a muito um olhar de cuidado afim de promover a preservação, seu tombamento como patrimônio histórico.
ESTAÇÃO DAS BARCAS EM ITAPEMA SP - MARGEM ESQUERDA DA ILHA DE SANTO AMARO.
PRÉDIO ESTAÇÃO DAS BARCAS [ITAPEMA/SP] 2011.
BRASÃO ITAPEMENSE NO FRONTISPÍCIO DA ESTAÇÃO DAS BARCAS [2011].
PAREDE LATERAL PRÉDIO DA ESTAÇÃO DAS BARCAS [ITAPEMA/SP] 2012.
SAGUÃO DE ENTRADA ESTAÇÃO DAS BARCAS [ITAPEMA/SP].
JARDIM NA ESTAÇÃO DAS BARCAS EM ITAPEMA/SP.
PARTE POSTERIOR ESTAÇÃO DAS BARCAS [ITAPEMA/SP].

Vez ou outra o Serviço de Travessia Marítima de Barcas deixa a desejar, com enguiço de embarcações, má conservação, desconforto, atrasos, aumento de tarifa, tal insatisfação registrada na obra de artistas populares como fez num seu cordel ("Perigo nas Barcas"), o poeta Bem-te-vi:
BARCA ADHEMAR DE BARROS NOUTROS TEMPOS - O USO FREQUENTE DAS EMBARCAÇÕES SOMADA A MARESIA PROVOCA DESGASTES.
BARCA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE PRÓXIMO AO CAIS DA ALFÂNDEGA SANTISTA [MAIO DE 2006].

                         "As Barcas do Itapema,
                          Quando estão a navegar,
                          Atravessando pra Santos
                          Ou vindo de lá pra cá,
                          Amedrontam a qualquer um
                          Que por elas viajar.

                          Apresentam mau aspecto,

                          Estão deterioradas,
                          Não há mais manutenção
                          A pintura é desbotada,
                          Há gente e bicicleta
                          Numa mistura danada.

                          As bóias de salva-vidas,

                          Em cada embarcação,
                          Pra atender aos passageiros
                          Em caso de precisão,
                          Não chegam nem a um terço
                          Dos que dela dentro vão.

                          Ninguém toma providências,

                          Embora estejam sabendo;
                          O perigo ronda a todos,
                          Fingem que não estão vendo.
                          Será que estão aguardando
                          Acontecer algo horrendo?

                          O atracadouro das Barcas

                          Está todo em podridão,
                          Lá na Ponta da Praia,
                          Onde reina escuridão;
                          Bicicleta, gente e moto
                          Ali passam de montão.

                          A omissão é um crime,

                          Conforme o legislativo,
                          "Seguro morreu de velho,
                          Desconfiado ainda é vivo."
                          Sabendo deste ditado
                          Do perigo eu me esquivo."


BARCA PAICARÁ DISPONDO DE CAPACIDADE MÁXIMA DE PASSAGEIROS [ANOS DE 1980].
BARCA ITAPEMENSE/SP RECOLHIDA AO ESTALEIRO.
CABINE DO TIMONEIRO EM UMA ANTIGA BARCA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPMENSE/SP.
ANDAR INFERIOR DE UMA BARCA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE/SP.
ANDAR SUPERIOR DE UMA ANTIGA BARCA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE
DESATIVAÇÃO DE ANTIGAS EMBARCAÇÕES DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE - LITORAL PAULISTA.
ANTIGA BARCA DA TRAVESSIA MARÍTIMA ITAPEMENSE AUXILIA EMBARCAÇÃO DA NOVA GERAÇÃO.
BARCA (ADHEMAR DE BARROS) NO ESTALEIRO - MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE/SP [PINTURA DE ATHAYDE LOPES]. 

No dia 23/03/2012, a Estação das Barcas em ITAPEMA/SP virou cenário do humorístico 'Casseta & Planeta', da Rede Globo de Televisão. Conforme explicou à imprensa o produtor Eduardo Santoro, o elenco gravou o quadro "Arca de Noé", do programa 'Casseta & Planeta - Vai fundo', episódio Ecologia, que irá ao ar em Abril. A locação foi escolhida porque, no enredo, Noé seleciona os personagens para embarcarem em sua "Nova Arca" (nossa Barca), após o fim do mundo. Tanto mais, por satisfazer as necessidades da produção, que precisava de uma embarcação grande e o fluxo de pessoas. Participaram da atração os humoristas Beto Silva, Hélio de La Peña e Miá Melo.
O HUMORÍSTICO 'CASSETA & PLANETA' (REDE GLOBO) GRAVA QUADRO PARA O PROGRAMA NA ESTAÇÃO DAS BARCAS DE ITAPEMA/SP [2012]. 

A secular Travessia Marítima de ITAPEMA/SP, uma das mais antigas do Estado paulista, permanece atendendo os moradores do Distrito, bem como das cidades do entorno. Cenário de tantas histórias, algumas peculiaridades que fazem as crônicas da Barca itapemense.

sábado, 30 de setembro de 2017

UM BAR DE ITAPEMA


Omitirei os detalhes sobre a localização deste boteco. Mas estejam certos, ficava em Itapema. Drinks, petiscos, comidas típicas compunham o seu cardápio popular. A especialidade da casa: bolinho de bacalhau. Não era assim a realeza do quitute lusitano, porém até descia com cerveja estupidamente gelada. Essa crítica gastronômica é porque ainda trago na lembrança os bolinhos de bacalhau de Dona Rosa, antiga moradora da Rua Epitácio Pessoa, ali no Bairro Pae Cará.
Como quase todo dono de bar, D* era chegado nuns gorós. Pelo que sofria da mulher intensa repreensão. Levava à risca, sem saber, a sugestão de Henry Miller: "Beber gelado, mijar quente". De tanto servir e ver os outros beberem, dizia ter ficado "aguado".
Figura simpática, é sabido, também bastante peculiar. Venerava apaixonado o escudo do clube querido sob à guarda de São Jorge. Ao sabor de alguma bebida adicionada ao noticiário da televisão, entre rótulos de garrafas alcoólicas, não se furtava as opiniões a respeito da conjuntura nacional. Como se os seus julgamentos fossem imprescindíveis.
Recebia além dos concervejais habituantes, personalidades do Distrito itapemense (picaretas e gente boa) as quais sentavam em sua mesa para flagrantes fotográficos descontraídos, fixados num mural do estabelecimento. 
Espontâneo, bastava beber e tinha a mania de contar piadas, soltando ao final uma risada desmedida, extrapolando em graça.
Acaso a música na jukebox estivesse alta, mandava baixar o volume. Pois fazia questão de ser ouvido:
- A fulana tinha o traseiro tão avantajado... - Começava D* pondo ênfase ao predicado. - Que se peidasse, e saísse confete. Era Carnaval o ano inteiro... Há, há, há!! - Tinha preferência por datas comemorativas. De olho preocupado no calendário (impresso num cenário paradisíaco) e o vencimento de datas para saldar os fornecedores.
- Sabe por que o Papai Noel não faz filhos?... Hein, ô "Bebé". - Pausa cômica segurando o riso. Ao que o interlocutor embriagado arriscava um palpite.
- Ele já tá véio, pô...
- Por que o saco dele é de brinquedo! - E daí emendava uma larga risada.
Claro, ria-se a clake de fregueses até com mais entusiasmo para não perderem o fiado.
OS BARES DE ITAPEMA E SEUS PERSONAGENS PECULIARES.