__________ Itapema, suas histórias... __________

quarta-feira, 9 de julho de 2014

CONSTITUCIONALISTAS DA ILHA [1932]

A ILHA DE SANTO AMARO CEDEU SEUS BRAVOS JOVENS AO FRONT CONSTITUCIONALISTA.

A História da Guerra Civil de 1932 (denominada Revolução Constitucionalista), envolvendo o Estado de São Paulo e outros Estados do Brasil começa antes, retroagindo 40 anos quando os militares brasileiros derrubaram o Imperador D. Pedro II e deram início a República (1889). Por trás do Golpe Republicano dos Militares estavam os Fazendeiros e Comerciantes ligados ao café paulista. Naquele momento São Paulo deixava de ser coadjuvante e passava a ator principal da História do Brasil.
Nos primeiros 40 anos da República Brasileira mudavam-se os Presidentes, mas o modo de Governar era sempre o mesmo. Defender a qualquer custo a Economia do Café, principal produto de exportação do país. A produção de café que não era vendida no Mercado Internacional, o Governo comprava. E queimava se fosse preciso. O importante era manter o preço lá em cima.
De nada adiantava reclamar porque as eleições eram fajutas, menos de 5% dos brasileiros votavam e os resultados eram manipulados pelos Partidos Republicanos Estaduais, controlados pelos Fazendeiros. Vivia-se o auge do Coronelismo e do "voto de cabresto"...
WASHINGTON LUÍS, DE BENGALA E EMPUNHANDO A CARTOLA - VISITA AO 'HOTEL LA PLAGE', NA ESTÂNCIA BALNEÁRIA DA ILHA DE SANTO AMARO.

As cidades cresciam. Milhares de imigrantes chegavam, o país mudava, porém os Coronéis não percebiam. Em 1929, a Bolsa de Nova Iorque quebrou. O abalo da Economia Internacional causou forte crise no Mercado do Café. O desemprego e a fome aumentaram. No Brasil as reivindicações dos Trabalhadores eram resolvidas pela Polícia com prisões e pancadas. A Classe Média que já não tinha espaço político sentiu-se estrangulada economicamente. Uma das poucas alternativas que os jovens da Classe Média tinham era seguir a carreira militar: Cabo, Sargento, Tenente.
Foram justamente os Tenentes, que usavam arma como ferramenta de trabalho, a dar um basta na Velha República. Neste mesmo 1929, os Fazendeiros do Café Paulista brigaram com os Pecuaristas do Leite, de Minas Gerais. Os Tenentes aproveitaram que a Política do "Café com Leite" azedou e fizeram uma grande rebelião, tomando o controle dos Quartéis do Brasil inteiro. Era a Revolução Tenentista de 1930. A ação dos Tenentes nos Quartéis recebeu imediato apoio da população nas urnas. O Presidente Washington Luís foi derrubado e mandado para o exílio. A República Velha morria, de morte matada, aos 41 anos de prevalência.

[Miguel Costa, Góes Monteiro, Getúlio Vargas e o Francisco Morato fazem tratativas para o apoio ao Governo Provisório]

Com tamanha euforia que os populares de São Paulo saudou a vitória da Revolução Tenentista de 1930. Quando a notícia da prisão do Presidente Washington Luís chegou a Capital Paulista, uma multidão saiu às ruas para comemorar. Em meio aos festejos a Delegacia do Cambuci foi atacada e depredada para vingar os presos torturados. A placa de identificação da Delegacia foi arrancada e levada pelas ruas da cidade como um troféu da vitória.
O General Miguel Costa é carregado em triunfo pelos populares nas ruas.Derrotado no Movimento Militar de 1924, Miguel Costa percorreu o país à frente da Coluna que levava o seu nome e o de Luiz Carlos Prestes. Após viver no exílio em Buenos Aires, o General Miguel Costa aderiu a Aliança Liberal e voltou a São Paulo em 1930 como um herói vitorioso. Quando o trem da vitória trazendo Getúlio Vargas, do Sul passou por São Paulo, foi feito a foto oficial do Alto-Comando Militar e Político daquela Revolução. Ao lado de Miguel Costa, posaram para a História o Tenente-Coronel Góes Monteiro, Getúlio Vargas e Francisco Morato (Presidente do Partido Democrático), que fora ao encontro de Vargas na expectativa de ser confirmado como Interventor do Governo Provisório, de São Paulo.
Nas Eleições Presidenciais de 1930, o Partido Democrático (PD) apesar de Paulista apoiava o gaúcho Getúlio Vargas, candidato da Aliança Liberal contra o paulista Júlio Prestes, candidato da Situação e do Partido Republicano Paulista. O PRP representava os interesses da Oligarquia de São Paulo, de Minas Gerais, que na República Velha fazia os Presidentes a seu bel-prazer.
Já o Partido Democrático fundado em 1926 era uma dissidência do PRP, que abrigava a Burguesia mais esclarecida e Profissionais Liberais de Classe Média (quadros mais jovens, advogados, professores, jornalistas) sensível ao Ideário Constitucionalista, da Verdade Eleitoral e da Representação Social.
Os Tenentes colocaram na Presidência da República, o candidato que tinha enfrentado os velhos Republicanos na eleição anterior, o gaúcho Getúlio Vargas, junto com Ele, todos os Grupos que deram sustentação a Revolução Tenentista. Sentiam-se perto do poder. De Sindicalistas Comunistas a Fazendeiros e Empresários Liberais. Neste verdadeiro "saco de gatos" que estava por trás da Revolução de 30, todo mundo queria saber uma coisa: Quem de fato iria ficar com o Poder?
Por ter avalizado a candidatura de Getúlio, o Partido Democrático acreditou que havia chegado a sua hora de passar da Oposição para a Situação. Todavia, os Líderes Tenentistas (Batista Lazardo, Góes Monteiro, Juarez Távora e Oswaldo Aranha) não confiavam nos Democratas Paulistas. Aos olhos dos Tenentes, os Políticos de São Paulo eram todos "farinha do mesmo saco". E no fundo só pensavam numa coisa, conquistar o Poder Estadual e Federal. Para impedir que isso acontecesse os Tenentes reivindicaram o 'Palácio dos Campos Elíseos', Sede do Governo de São Paulo e foram atendidos pelo Governo Provisório de Getúlio Vargas. Os jovens Liberais do Partido Democrático esperavam que se nomeasse para o Governo do Estado Francisco Morato, Homem do Partido.
O Interventor não seria Civil, nem tão pouco Paulista.  Em vês disso, Militar e Pernambucano. Getúlio nomeou o Coronel João Alberto, ex-chefe de Destacamento da Coluna Miguel Costa/Prestes. O Comando da Força Pública foi entregue a Miguel Costa, que contava ainda com a sustentação política de uma Força Pára-Militar, a Legião Revolucionária. A decisão irritou os Liberais Paulistas.
CHARGE SATIRIZA O MOMENTO POLÍTICO VIVIDO POR SÃO PAULO, NOS ANOS INICIAIS DE 1930.

Novembro de 1930. João Alberto Governou apenas poucos meses. Nesse período tomou medidas que deixaram as Classes Dirigentes assustadas. Decretou um Aumento Salarial de 5%, Jornada de Trabalho de 40 Horas semanais para os Trabalhadores das Fábricas. Autorizou um comício do Partido Comunista na Praça da Sé e permitiu que se instalasse em São Paulo uma Seção do Partido Comunista. Ainda distribuiu para os Tenentes Revolucionários, terras de Fazendeiros endividados com o Banco do Estado.
Os Liberais do Partido Democrático desejavam que a Revolução de 1930 desse uma leve modernizada no País, sem mudanças radicais ameaçando seus privilégios classistas. Para os Tenentes o sentido democrático era uma Democracia Social, dar Poder e revitalizar Classes e novos Grupos Sociais que jamais tinham tido vez. Com isso neutralizar as velhas Oligarquias. Para os Grupos Paulistas seria uma Democracia formal, Jurídica, que nada tinha a ver com Democracia Social.
Não eram só as Elites que estavam descontentes com o Tenente-Interventor de São Paulo, os pequenos Comerciantes e Funcionários Públicos Paulistas também se irritaram quando João Alberto começou a distribuir os Cargos Públicos do Governo Paulista entre seus colegas militares que chegavam de outros Estados.
No final de 1930, as Elites e boa parte da Classe Média Paulista andavam contrariadas com os descaminhos da Revolução Tenentista. Os Liberais começaram a desconfiar que os Tenentes pudessem estar ligados aos Comunistas buscando mudanças profundas. Também o que mais se ouvia na Federação das Indústrias de São Paulo era que os Tenentes haviam trocado seu antigo Ideário Liberal por um Programa de Reformas Sociais de cunho socializante. Muito embora, houvesse sérias divergências entre Vargas e o Líder Comunista, Luiz Carlos Prestes. Cuja Coluna Militar percorreu grande parte do país pregando mudanças sociais e que entrou em cisma com Miguel Costa, um de seus Oficiais.
Além do receio de que o Comunismo rondava o País, o Empresariado Paulista sofria os efeitos mais duros da Depressão Econômica Internacional.
 A MUSA CONSTITUCIONALISTA INSPIRA OS DIREITOS DOS CIDADÃOS PAULISTAS.

Entre 1928 e 1930, as Exportações Brasileiras haviam caído de 96 milhões para 65 milhões de Libras. Quando Vargas tomou posse, 30 milhões de sacas de café sem compradores ameaçavam apodrecer nos armazéns. Como a Revolução Tenentista pretendia limitar o poder dos Barões do Café, mas não a pujança do nosso principal produto de exportação, um Paulista foi nomeado para o Ministério da Fazenda e outro para a Presidência do Banco do Brasil. Por algum tempo os preços do Café foram sustentados artificialmente pelo Governo Provisório e não apenas através de subsídios. Para diminuir o estoque o Governo ordenou a queima de toneladas de café. Nem assim os preços subiram. A temperatura política, no entanto continuou a subir.
Quinta-feira, 1 de Janeiro de 1931. No primeiro dia daquele ano, o Jornal 'O Estado de São Paulo' publicou um Artigo que pedia a Eleição de um Congresso Constituinte. Getúlio Vargas havia fechado o Congresso e nomeado Interventores para os Estados Brasileiros. Segundo o Jornal, já era hora do País voltar ao normalidade democrática. A defesa da Constituinte repercutiu em todo o país.
Na semana seguinte, o Presidente Vargas respondeu ao Jornal Paulista através de um Tenente de sua confiança, Juarez Távora. O Tenente declarou ser cedo para Eleições, alegando que a Máquina dos velhos Republicanos ainda podia manipular os resultados eleitorais. Disse ainda que os Paulistas só pensavam em si, e não no Brasil. O tiro saiu pela culatra. Ao atacar São Paulo, o Porta-voz de Getúlio promoveu a união dos Paulistas contra os Tenentes e o próprio Vargas.
Os Estudantes de Direito do 'Largo São Francisco' passaram a fazer pequenos comícios contra o autoritarismo de Getúlio Vargas, pedindo a Constituição urgente. Inflamavam a população a tal ponto, que o Interventor João Alberto decidiu passar à repressão policial. Entre os dias 3 e 4 de Abril de 1931, dezoito pessoas ligadas ao Partido Democrático foram presas. O Jornal 'A Gazeta', que fazia Oposição ao Tenentes foi invadido e destruído por ordem de João Alberto.
Em 28 de Abril, o 6º Batalhão de Infantaria da Força Pública subleva-se no Cambuci, na Capital Paulista, com a participação de Membros do Partido Democrático. Não dá em nada. Mas é o primeiro sinal de que os Paulistas estavam dispostos a tudo para se livrar da tutela dos Tenentes. Como precaução o Interventor João Alberto ordenou a retirada das armas do Exército do Estado de São Paulo, deixando os Quartéis Paulistas com o mínimo poder de fogo possível. Pois conhecia muito bem o perigo das rebeliões na Caserna.
A Causa Paulista por Eleições e Constituição ganhou adeptos no Rio Grande do Sul e no próprio Rio de Janeiro, Capital do País à época. Getúlio e os Tenentes viam o cerco se fechar contra eles. Para evitar que a casa caísse e acalmar os ânimos dos Paulistas, Vargas resolveu tirar João Alberto de São Paulo e nomeá-lo Chefe de Polícia no Rio de Janeiro.
Embora Gaúchos e também Mineiros estivessem decepcionados com os rumos da Revolução de 1930, foram os Paulistas que mais se agitaram contra o autoritarismo do Governo Provisório Varguista. Nenhum dos Sucessores de João Alberto conseguiu esquentar a cadeira de Interventor de São Paulo. Escolheu-se para novo Interventor o Civil e Paulista Lauro de Camargo. Sem contar com o apoio dos Políticos Paulistas, este renuncia ao cargo 3 meses depois. Em seu lugar entrou o Coronel Manuel Rabelo, ligado aos Tenentes, mas durou pouco tempo no Poder. O Liberais Paulistas achavam que Getúlio estava trocando 6 por meia-dúzia, tentando empurrá-los com a barriga.
COMITÊ DA FRENTE ÚNICA PAULISTA (F.U.P.) - 1932.

Em 17 de Janeiro de 1932, os Liberais do Partido Democrático romperam de vez com Getúlio Vargas. Juntaram-se aos velhos Republicanos do PRP, nasce a Frente Única Paulista (F.U.P.) para lutar pela Constituição e um Governador eleito para São Paulo. O pacto entre os dois Partidos é selado num gigantesco comício na Praça da Sé justamente no Dia do Aniversário de São Paulo, 25 de Janeiro, contra os Tenentes e a Ditadura de Vargas, a favor da Constituição. Uma chuva torrencial não impediu a maior Manifestação Política já vista na cidade. A Palavra de Ordem fazia a multidão vibrar, era "Tudo por São Paulo!" Um dos oradores gritou: "Os Tenentes são eunucos de Getúlio!"
A mídia multiplicava os efeitos dos Comícios na população. Para cutucar o orgulho dos Paulistas incita o Debate sobre a Constituinte, quanto perdia o mais importante Estado do Brasil enfraquecido pelo Governo Provisório Varguista. A "Locomotiva de São Paulo" sem trilhos, para seus rumos.
A POPULAÇÃO MOBILIZA-SE NA CAPITAL PAULISTA [DÉCADA DE 30]. 

Getúlio e os Tenentes temiam que a fúria Paulista contaminasse o País. No dia 25 de Fevereiro, a meia-noite, comandados por Membros do Grupo '3 de Outubro', principal reduto dos Tenentistas, caminhões com Tropas do Governo Federal pararam na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, desceram 12 Oficiais e 80 Soldados, entraram no Jornal 'Diário Carioca', simpático aos Ideais Constitucionalistas e que atacava os Tenentes. Queimaram tudo, 5 Redatores e 6 Tipógrafos ficaram feridos.A mesma coisa havia acontecido poucos dias antes em Belo Horizonte.
Em Março de 1932, Vargas nomeia outro Interventor para São Paulo, que atende as duas exigências fundamentais da Frente Única Paulista. Pedro de Toledo era Civil e paulista. Mas vivia fora do Estado à vinte anos e não tinha ligações diretas com os Políticos de São Paulo. Quando nomeado Interventor, Pedro de Toledo formou um Secretariado em que predominavam Membros da Legião Revolucionária. Miguel Costa continua à frente da Força Pública. Para desgosto dos Tenentes, o novo Interventor de São Paulo estabeleceu contatos com a Frente Única Paulista, que aquela altura decidira pegar em armas se Getúlio exonerasse Pedro de Toledo ou afasta-se o Coronel Bertoldo Klinger, do Comando Militar de Mato Grosso.
Os Líderes de Oposição Militar passaram a articular suas forças com intuito de derrubar o Ditador Getúlio Vargas. O clima das ruas contagiava os Militares. Em diversos pontos do país havia Militares que não gostavam de ver os Tenentes mandando mais que os Generais.
Em São Paulo, o General Isidoro Dias Lopes e o Coronel Euclides Figueiredo conversavam com o General Bertoldo Klinger preparando um Plano Militar para uma Rebelião contra os Tenentes e Getúlio. O General Klinger deveria começar um Movimento Revolucionário, no Mato Grosso, trazendo para São Paulo 5 mil soldados bem armados, que se juntariam no Vale do Paraíba à 10 mil Soldados Paulistas rebelados. O General Flores da Cunha (Interventor Gaúcho) dizia que mandaria Tropas Gaúchas em apoio. O Interventor de Minas Gerais também mandava recados que enviaria Tropas Mineiras para sustentar a Revolta contra o Governo Provisório Getulista. A data prevista para o Levante Militar seria 14 de Julho, Data da Revolução Francesa. Contudo, as coisas não aconteceram bem assim.
CHARGE IRONIZA A MANIPULAÇÃO DE VARGAS PARA COM A CONSTITUINTE [1932].

Boatos sobre a Conspiração chegavam até a Capital Federal (Rio de Janeiro). Para enfraquecer a Aliança formada pela Frente Única Paulista com Forças Militares e Civis de outros Estados, Getúlio Vargas promete ao País realizar Eleições e um Congresso Constituinte, no ano seguinte (1933). Mas, os Paulistas não confiavam nada nas promessas de Vargas. Era tarde demais.
No dia 22 de Maio, o Ministro da Fazenda do Governo Federal, Oswaldo Aranha chega a São Paulo para tentar um acordo entre a FUP e os Tenentes. Recebido com vaias e xingamentos, o Emissário de Getúlio fracassa na sua missão e volta ao 'Palácio do Catete' de mãos abanando. Neste mesmo dia é convocado um Comício na Praça do Patriarca. Os Estudantes Paulistas saíram em passeatas pela "Constituinte Já!" Invadiram cinemas distribuindo panfletos, convocando a população. Ocuparam a Rádio Record e discursaram para soldados na frente dos Quartéis.
O comércio fecha suas portas e as ruas da cidade são tomadas de assalto por uma onda de agitações. Segundo uma testemunha naquele dia as salvas que se ouviam não eram de bombas juninas. Muitas moças sacavam revólveres da bolsa e atiravam para o alto. Enquanto prosseguem os Comícios outra multidão chega aos Campos Elíseos, onde Francisco Morato anuncia o novo Secretariado do Interventor, Pedro de Toledo, formado apenas por Representantes autênticos de São Paulo. Miguel Costa é afastado da Força Pública. Apesar dessa vitória as Manifestações continuam. Sem policiamento a cidade é tomada pela desordem. Jornais ligados ao Governo Provisório são empastelados, casas de armas e munições são invadidas.
OS POPULARES DE SÃO PAULO ADERIRAM A CAUSA CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

Empolgados com a participação popular os Estudantes armam-se de fuzis e revólveres e decidiram invadir naquela mesma noite a Sede Política dos Tenentes, que abrigava a Legião Revolucionária, no endereço da Rua Barão de Itapetininga, na Praça da República. Dentro da Sede Política Tenentista, os partidários do Governo Federal tinham fuzis e uma sub-metralhadora. O prédio é atacado. Os Estudantes disparavam da Praça da República, de peito aberto. Eram alvos fáceis para os Tenentistas trancados no 4º andar. O tiroteio foi longo.
"Era muita gente, nós eramos muitos. Quisemos abrir a porta do prédio, não conseguimos. Apareceram as escadas, o primeiro a subir foi o Martins. Subiu por uma das escadas e também não demorou a cair com o peito picotado por uma rajada..." - Conta João Silveira Peixoto, participante do evento.
A Batalha terminou às 4:00 Horas da Manhã, do dia 23 de Maio, com os corpos de 4 Estudantes estendidos no chão da Praça, mortos. Um deles tinha apenas 14 anos de idade. Naquele 23 de Maio de 1932, São Paulo parou para o enterro dos 4 Estudantes. Mário Martins, Euclides Miragaia, Dráusio de Souza e Antônio Camargo. São os primeiros mártires da Guerra Civil prestes a eclodir. Nos dias seguintes os Estudantes fundaram o M.M.D.C., sigla formada com as iniciais de batismo dos 4 Estudantes paulistas. A Missão do M.M.D.C. era conclamar a população à Guerra, arregimentar combatentes civis e apoiar o Levante Armado.
OS PRIMEIROS MÁRTIRES DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 DERAM ORIGEM AO M.M.D.C.

A morte dos Estudantes contra os Tenentistas pressionou os Militares que conspiravam para destituir Getúlio Vargas do Poder, a anteciparem a data da Revolução Constitucionalista. No dia 8 de Julho, o General Bertoldo Klinger recusou-se obedecer ordens de Getúlio e foi demitido do posto.
Em 9 de Julho, o General Isidoro Dias Lopes convocou uma Reunião de Líderes Revolucionários, na Rua Sergipe Nº 37, em São Paulo. O General Lopes propõe a imediata deflagração do Movimento Armado Paulista, temendo que Vargas demitisse todos os Militares que conspiravam. Alguns Militares receavam que a precipitação pudesse deixar de fora as Tropas Gaúchas e Mineiras. Mas, o argumento do General Lopes saiu vencedor. Já era tarde demais para São Paulo recuar. Foi decidido, na noite daquele 9 de Julho seria aceso o estopim de uma Nova Revolução. Frustrada a decisão política pelo voto, o caminho era a Guerra Civil.
A Revolução Constitucionalista saiu às ruas. Uma Tropa de Motociclistas e Ciclistas passou a tarde inteira, num entra e sai do QG improvisado na Rua Sergipe. Levando ordens e trazendo notícias. Foi acertado que os Civis do M.M.D.C. deveriam tomar Rádios, Centrais Telefônicas e Estações Telegráficas naquela noite. E difundir o Movimento aos Chefes Municipais de todo o Estado Bandeirante. O General Lopes mandou chamar o Coronel Euclides Figueiredo para assumir imediatamente o Comando dos Quartéis ao seu lado. Os dois lideram a Revolta do Exército. O Comando das Operações fica a cargo do General Klinger. Às 23:40 h., o Coronel Euclides Figueiredo entrou no Comando da Região Militar de São Paulo, de dentro do Comando o Coronel Euclides passou a noite telegrafando aos Comandantes dos Quartéis Paulistas, comunicando o início da Revolução Constitucionalista de 1932.
Sem um único tiro, no dia 10 de Julho, São Paulo amanheceu ocupada por Tropas Militares Constitucionalistas sob o Comando do Coronel Euclides Figueiredo. A adesão foi total. Os Revolucionários desfilavam pela cidade para delírio da multidão. O General da confiança de Vargas, Miguel Costa é preso em sua casa de onde não seria libertado até o fim da Guerra Civil. A Força Pública de São Paulo, que era a Polícia da época também aderiu ao Levante Armado. O M.M.D.C. instala sua Central na Faculdade de Direito do Largo São Francisco para onde se dirigem os voluntários alistados. Os Estudantes proclamam que irão mostrar como se faz uma Constituição com a Pena e o Fuzil. As primeiras Tropas partem de trem para a Serra da Mantiqueira (Frente Norte), a meio caminho da Capital Federal, onde ocuparão o Túnel Ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil. Ponto Estratégico para deslocamento de Tropas entre Rio de Janeiro e São Paulo. A Ordem era esperar a chegada dos Militares Mineiros e Gaúchos afim de avançar sobre a Capital Federal.
O Forte Itaipu (Praia Grande/SP), cuja Oficialidade aderiu a Revolução de 1932, estava em constante prontidão. Um Avião Constitucionalista deveria a partir de 11 Julho, fazer Voos de Reconhecimento por toda Frente Costeira. 
O JORNAL 'O ESTADO DE SÃO PAULO' NOTICIA A INSTALAÇÃO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA [1932]. 
  
Informado do Levante Getúlio Vargas telefona para o Interventor Pedro de Toledo, este revela ao Chefe do Governo Provisório a sua disposição pessoal de ficar ao lado dos Paulistas. Depois de renunciar ao Título de Interventor, Pedro de Toledo é aclamado em Praça Pública, Governador de São Paulo. João Alberto, Chefe de Polícia no Rio, ex-Interventor de São Paulo, mandou prender todos os Homens ligados à Causa Paulista na cidade Carioca. Da Sede do Governo Federal Góes Monteiro, Comandante do Exército Getulista, começou a contabilizar Forças e mobilizar as Tropas Federais para enfrentar os Paulistas. Enquanto isso, Getúlio estabelece conversações com o General Gaúcho Flores da Cunha, tentando a todo custo dissuadi-lo de sua decisão de apoiar a Guerra dos Paulistas. Telegramas são enviados também ao Interventor de Minas Gerais, Olegário Maciel para que mobilizasse suas Forças contra a São Paulo.
CHARGE COMENTA AS MANOBRAS POLÍTICAS DE VARGAS [JULHO/1932].

O Movimento Nacionalista ganha corpo naqueles dias. Cresce o entusiasmo da população pela Cruzada Cívica encabeçada por São Paulo e Tropas do Mato Grosso. Para a volta do País ao Regime Constitucional. 
Mas há boatos de que Gaúchos e Mineiros se acertam com o Ditador Vargas. Proliferam os boatos. O Coronel Gaspar Dutra, Comandante do Exército Mineiro, envia seus soldados ao encontro das Tropas Constitucionalistas. Não se sabe se vêm como Aliado ou Inimigo. Depois de ocupar posições no alto das escarpas na região do Túnel, o Comando Militar Paulista passou a enviar Batalhões de Voluntários e Soldados da Força Pública para o Sul do Estado, fronteira com o Paraná (Frente Sul). Os Homens partiam alegres, achavam que estavam indo confraternizar-se com as Tropas Aliadas chegando do Sul. Mas assim que chegaram ao Destino, o Comando Militar ordenou que cavassem trincheiras e ocupassem posições para um possível Combate. O Comando Revolucionário Paulista ainda não sabia se os Riograndenses chegariam como Aliados para a confraternização, ou Inimigos dispostos a matá-los.
"ISENTO DE AMBIÇÕES, FUNDE TODAS AS CLASSES NUM SÓ CORPO, E DE PÉ, EM PORFIAS TENACES..." - MARTINS FONTES.
   
Em 12 de Julho, o General Bertoldo Klinger desembarcou vindo do Mato Grosso. Mas acompanhado apenas de alguns Oficiais. Como havia sido demitido antes da hora por Getúlio, o General Klinger não teve êxito em Levantar os Quartéis Matogrossenses. Por isso a esperada Tropa de 5 mil soldados não vieram. Nem a Artilharia Pesada de dezenas de canhões, que os Comandantes Paulistas tanto aguardavam. Sequer mesmo Armamento. Como se fosse pouco, do Rio de Janeiro ainda chegava mais uma notícia ameaçadora. Navios da Esquadra Naval e Aviões haviam partido da Baía da Guanabara, em direção ao Litoral Paulista.
Por essa data, na Frente Costeira, a Estação de Fornecimento de Energia Elétrica (Usina 'Henry Borden), em Cubatão/SP, já estava guardada por Tropas Constitucionalistas estacionadas na raiz da Serra do Mar. 
13 de Julho. Além dos Navios de Guerra e aparato aéreo, o Comandante do Exército Getulista, Góes Monteiro enviou uma primeira Tropa em direção a São Paulo pela Estrada de Rodagem, já que os Paulistas tinham ocupado a passagem ferroviária do Túnel. Na altura de São José do Barreiro toparam de frente com a Infantaria da Força Pública Paulista. Cariocas e Paulistas trocaram naquele 13 de Julho, os primeiros tiros da Guerra. A Tropa enviada por Góes Monteiro não conseguiu avançar pela Rodovia e recuou.  
Frente Costeira. Ao largo do Porto de São Sebastião (perto da Ilha do Montão de Trigo), fundearam 6 Destróieres, 6 Hidroaviões, Navios-Patrulha e embarcações auxiliares da Esquadra Naval, conjunto da Força Marítima e Aérea Ditatorial, Tendo Por Base aquela região, onde a Frota ancora para abastecimento, manutenção e retaguarda de seus Ataques. O Comandante do Forte Itaipu, na perspectiva de uma ofensiva posta a Fortificação caiçara em prontidão. A Guarnição do Forte põem-se em alerta e poderosos holofotes devassam  a Barra à noite, num Trabalho de Vigilância dos céus e das águas.
RETAGUARDA DA ESQUADRA E AVIAÇÃO NAVAL - FRENTE COSTEIRA [1932].

As Tropas do Coronel Mineiro Eurico Dutra chegaram a região do Túnel, no dia 15 de Julho, ao meio-dia, acabando com as dúvidas sobre o recado que o Coronel havia mandado três dias antes. Os Mineiros chegaram atirando. Os Soldados Paulistas não tiveram tempo para lamentações. Metralhadoras e fuzis pipocaram  de ambos os lados durante 4 dias seguidos. Os Paulistas perderam algumas posições, entretanto conseguiram manter o estratégico Túnel sob seu controle. Combatentes Constitucionalistas protegem a retaguarda em Cunha. Ainda nesta data, o Delegado de Guaratinguetá acompanhado de 15 Civis armados descobriu a presença de Fuzileiros Navais da Marinha de Getúlio, na região de Cunha, Os Fuzileiros haviam desembarcado em Parati e subido a Serra, os dois Grupos entraram em Combate. Ambos os lados receberam reforços e posicionaram metralhadoras para um longo Conflito.
TÚNEL DA ESTRADA DE FERRO 'CENTRAL DO BRASIL' [FRENTE NORTE] REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

Na Frente Sul, os Paulistas que aguardavam os Gaúchos para a festa também tiveram uma grande surpresa. Chegaram mais de 6 mil soldados vindos dos Estados sulinos. Vinham por todos os lados mandando bala nos Paulistas sublevados. O Exército Constitucionalista tem seu primeiro revés. Em Itararé, diante da chegada de Tropas sulinas e o poder de fogo superior algumas Tropas Paulistas se rendem, outras batem em retirada. O Batalhão '14 de Julho' depois de dois dias de combates, se retira. Na cidade de Buri, os Paulistas não se renderam e iniciam uma trágica e longa resistência.
Na Frente Costeira, nos dias 28 e 29 de Julho, Aviões da Ditadura sobrevoaram a região à grande altura, chamando a atenção dos habitantes locais. Depois de evoluírem nos céus do Litoral Paulista, os hidroaviões escoltados por aeroplanos Corsair incursionaram em direção da Serra do Mar. Voando sobre Cubatão/SP lançaram bombas num Ataque Aéreo a Usina Hidroelétrica 'Henry Borden', tentando cortar o fornecimento de Energia Elétrica para São Paulo, sem maiores consequências ou resultados significativos. Explosões ecoaram no paredão da Serra do Mar. Uma dessas bombas atingiu um Galpão ali existente.
 USINA HIDROELÉTRICA 'HENRY BORDEN' EM CUBATÃO/SP - NO PAREDÃO DA SERRA DO MAR [FRENTE COSTEIRA] PONTO ESTRATÉGICO.

A Revolução Constitucionalista de 1932 mobilizou diversas cidades do Estado de São Paulo, inclusive no Litoral Bandeirante. Autoridades Civis e Militares, Instituições, agregaram-se entorno da Causa Paulista pela Constituição. Comícios de Propaganda pela Mobilização Civil foram realizados na vizinha Santos, reunindo centenas de cidadãos e inúmeras famílias entusiasmadas com o Movimento Revolucionário.
O ESTADO PAULISTA MOBILIZADO PELA CAUSA DA CONSTITUIÇÃO [1932].

"(...)Nesse primeiro dia de novidade, emoção, conversas e controvérsias, discussões e comentários tudo girando em torno do acontecimento e das primeiras notícias, nos lares, nas portas, nas praças, nos bares e nas ruas..." - Relata o Historiador Francisco Martins dos Santos. Assim como na Capital Paulista, na região da Baixada muitos foram tomados de comoção cívica. O Espírito de Sacrifício envolveu homens e mulheres de todas as idades e de todas as classes. Estudantes, Profissionais Liberais, Professores, Advogados, Jornalistas, Trabalhadores, Idosos e inocentes crianças. Afinal não era um Movimento Separatista, mas de Integridade Nacional. Portanto, Federalista e Civilista. Diante de um Governo dito Provisório caracterizado por ser centralizados, autoritário e dominado por Militares.
ITAPEMA/SP [À ESQUERDA], NA ILHA DE SANTO AMARO ENGROSSOU AS FILEIRAS DA CAUSA CONSTITUCIONALISTA EM 1932.

Os jornais anunciavam a Guerra e conclamavam os Jovens Paulistas a se alistarem e seguirem para o Campo de Batalha. Não faltavam voluntários. Houve quem falsificasse a idade para lutar no Front. A Ilha de Santo Amaro, na região da Baixada Paulista, cedeu para as fileiras Bandeirantes seus bravos jovens em defesa da Revolução Paulista de 1932. Segundo Hernani Donato, naquele momento dizia-se aos poucos moços que se viam nas ruas: "Se ponha Saia! Se não veste a Farda, veste Saia!"
Em todos os pontos da cidade, onde quer que houvesse um aparelho de rádio ligado ouvia-se incessantemente a palavra flamejante dos oradores da Revolução, entremeada de Hinos e Marchas Militares incitando a população à Guerra Cívica.
Regimentos Paulistas da região Litorânea lutaram nas Frentes de Guerra contra as Tropas Federais do Ditador Getúlio Vargas. Diversos contingentes seguiram para o Front no Interior de São Paulo. Tiro de Guerra Nº 11, 598 (DOCAS). Milícia Cívica Santista, que contribuiu fornecendo vários contingentes, organizando, equipando e municiando. Tiro Naval. 1º Batalhão de Voluntários de Stos, depois classificado para 7º Batalhão de Caçadores da Reserva de Stos (7º B.C.R.) formado pelas 1ª, 2ª e 3ª Cias. Falange Acadêmica, constituída por Professores, Advogados e Estudiosos. Legião Negra e outros Batalhões constituídos por voluntários e reservistas das cidades da Baixada Paulista.
CAMPANHAS SÃO REALIZADAS EM SANTOS/SP (SEDE ADMINISTRATIVA) CONVOCANDO VOLUNTÁRIOS DA REGIÃO [1932].

Na cidade de Santos/SP, consignada Sede Administrativa naqueles tempos fez-se a centralização do recrutamento de voluntários. Formou-se os primeiros contingentes de soldados. Atraindo combatentes das cidades vizinhas da região. Alguns de ITAPEMA/SP ou ligados a este, bem como de toda Ilha de Santo Amaro.
Criou-se o 1º Batalhão de Voluntários, que teve em Alberto Lage (Sargento Reservista do Exército Brasileiro) um dos seus mais ardorosos organizadores, ajudado por outros da Sociedade. Poucos dias depois de 9 de Julho, é colocado de prontidão os voluntários santenses e do Litoral de São Paulo. O Coronel Favilla seria o Comandante do Batalhão.
A Mocidade Paulista impelida por um entusiasmo intraduzível correu a alistar-se decidida, corajosamente, a seguir para as trincheiras. Unida e Forte. E a Juventude tudo queria dar por e para a Terra Bandeirante. Tudo lhe deu realmente. Até o seu sangue generoso. Com uma Bravura admirável. Dignificando-se a si mesma.
Uma Proclamação da 'Milícia Cívica Santista' (quando foi criada), emitida em 11 de Julho seria a chamada para o Recrutamento Constitucionalista.
Os Acadêmicos desta cidade, congratulando-se em torno da Causa de São Paulo, duma Constituição pela Letra da Lei ou o Fuzil, organizaram a 'Falange Acadêmica'. Constituída por Professores, Advogados e Estudiosos.   
Foi assim que, em 13 de Julho, já 300 e tantos rapazes estavam alistados no 1º Batalhão recém organizado. Houve mesmo, alguns que não o esperaram, foram antes para a Capital Piratininga. E ali se incorporaram aos contingentes que seguiam para as Frentes de Batalha. Também neste dia 13, resolvia o Tiro de Guerra Nº 11 providenciar a mobilização dos seus reservistas iniciando a Convocação e Inscrição do voluntariado.
No dia 14 de Julho reúnem-se os reservistas do Tiro Naval. Nesta mesma data partiam para São Paulo os primeiros Voluntários do Batalhão arregimentado pelo Partido Democrático, em número de 53 partidários destinados ao Acantonamento na Escola Normal, transformada em Quartel.
Nesse ambiente eletrizante de inabalável Civismo, que empolgava a cidade santense e outras localidades da Baixada Paulista, formou-se inicialmente no Litoral um contingente de quase 500 moços e homens de meia-idade. Queriam ser a Linha de Frente a repelir o Adversário Ditatorial. Empunhando um fuzil, manejando uma metralhadora ou trocar golpes de baioneta. Sem se preocuparem com as consequências da Luta. Como morrem os Heróis autênticos. Tombada a Matéria. De pé o indestrutível Ideal.
Em 16 de Julho, são organizados os Batalhões de Reservistas, dos Operários e 'Legião Negra'.
O Tiro Naval realizou às 15:00 Horas da Tarde, Passeata pelas ruas centrais da cidade, sendo vivamente aclamado pelo Povo. O 1º Sargento do Tiro Naval, Armando Erbisti enviou Comunicado à Imprensa pactuando seu Compromisso de Honra.
CONVOCAÇÃO PUBLICADA NO JORNAL 'A TRIBUNA' DURANTE A REVOLUÇÃO DE 1932.

Numa cena que se repetiria conforme descrito no Livro sobre a Revolução Paulista - de Santos Amorim, ex Combatente morador de ITAPEMA/SP...
Às 9:00 Horas, de 18 de Julho, uma Segunda-feira. Defronte a 'Galeria Odeon'. Era o encontro marcado dos Voluntários do 1º Batalhão Stos para seguirem viagem até a Capital São Paulo.
E no Dia e Hora marcada estavam a Postos, naquele movimentado trecho da Rua do Comércio, todos os voluntários inscritos. Manhã esplêndida de sol. Uma vibração intensa nas ruas da cidade. As pessoas dos arrabaldes e região chegando-se cada vez mais volumosa. Compartilhavam esperançosas, do entusiasmo irreprimível dos bravos voluntários. Vinham trazer-lhes a homenagem confortadora da sua presença. No instante quase sempre doloroso da partida.
Entraram em forma à paisana, colocando-se em Coluna mas sem Disciplina Militar. Todos falavam a um só tempo. Trocavam abraços. Riam. Faziam trejeitos cômicos. Diziam palavras alegres. Despediam-se repetidas vezes de mão semi-curva na aba do chapéu, à guisa de continência. Já eram Soldados. Exerciam um direito.
"(...)Um ambiente festivo, de bom humor contagiante. E havia ali, sem dúvida, muitos corações amargurados pela dor imensa da separação. De saudade. Noivos que deixavam a eleita da sua alma. Com eles, filhos que iam partir levando gravada no espírito a imagem suavíssima de suas mães. Que choravam no Lar contristado. Pais e esposos que também se iam, conservando ainda nos lábios o ressaibo dulçuroso dos beijos inocentes dos pequenitos, que eram o seu maior encanto. E da companheira dedicada que era a razão de ser da sua vida. Irmãos e amigos que ficavam. Que não podiam ir. E que desejavam, sinceramente, acompanhá-los..." - Formados em frente a 'Galeria Odeon'. Essa era a Ordem. Tinham de cumpri-la. Dentro de 1 Hora partiriam para a Glória ou para o Abismo. Irredutível na defesa do seu Ideal, combater por São Paulo. Enquanto restasse, de pé, um Paulista!
[Gare São Paulo Railway, de onde partiam os Voluntários Santistas e da Região da Baixada]
Recebem então. do Colaborador Cívico Orlando Esteves, um Bornal de pano cáqui. Feito pelas Senhorinhas da cidade, no Domingo à noite. Equipamento de muita utilidade, que lhes dava um traço de militarismo.
São 10:00 Horas. A Tropa move-se em passo cadenciado. Vai para a Estação da Inglesa (São Paulo Railway - S.P.R.), um Trem especial os espera. Seriam oficialmente os primeiros daqui a marchar rumo à Capital Piratininga, com destino ao Front. O Largo do Rosário e a Rua do Comércio estão quase intransitáveis. A multidão é grande. E acompanha, entre falas de incitamento e "Vivas São Paulo!", durante o trajeto.
Palavras são ditas, outras trocadas entre amigos, parentes, encorajadoras, de breve retorno e coragem no Combate... Abraços distribuídos sem parar. Lágrimas suspensas. Confortos afetuosos.
Chegam ao Largo de Monte Alegre. Centenas de pessoas ali se detinham...
"(...)O elemento feminino predominando em quantidade. Exclamações de entusiasmo repercutem em todas as direções. Senhoras respeitáveis e distintíssimas Senhorinhas acercavam-se, sofregamente, dos Voluntários. Abraçam-nos, comovidas. Muitas sem poder articular uma palavra de despedida..." - Penetram o interior da Estação a custo imenso. Depois de atravessar a gentama de populares, rapidamente enche-se a composição da S.P.R.
O povo, em massa, soube glorificar os que daqui saíram. Sem se preocuparem se voltariam ou não. Dispostos a tudo para que São Paulo triunfasse. Mesmo que para esse triunfo ficassem insepultos nas Trincheiras. No fundo do Sertão Paulista, a centenas de quilômetros distante de casa... A multidão em volta se comprimia ao comboio de vagões. Enquanto isso, falam aos voluntários e a massa, vários oradores. Discursos vibrantes. De estímulo e de confiança integral no triunfo decisivo da Causa Constitucionalista...
[Estrada de Ferro São Paulo Railway, anos de 1930]
"(...)A Locomotiva dá o sinal de partida. A enorme multidão, bracejante, impetuosa, corre para a frente. Quer acompanhar o Trem, pelo leito da Via Férrea. Até onde lhe for possível..." - Centenas de pessoas aos "Vivas" estridentes. E o comboio toma maior velocidade... Ficam ali, como que petrificadas ao solo. A acenar lenços de todas as cores. Num Adeus que parece eterno.
O Trem avança pela estrada de ferro na Serra do Mar... Para enfim adentrarem a Gare da Luz, no coração de São Paulo.
Segue também neste dia 18, para o Front Constitucionalista, os Reservistas do Tiro Naval, debaixo de estrondosa ovação da compacta multidão que afluiu à Gare da Inglesa (S.P.R.) São Paulo Railway, para levar-lhes despedidas e palavras de entusiasmo. 
Em 21 de Julho, embarcou em trem da Sorocabana, passando por Juquiá/SP, a 1ª Cia. da 'Milícia Cívica Santista', que foi fortificar o Litoral Sul de São Paulo. Prossegue com grande entusiasmo o alistamento no Batalhão Operário.
24 de Julho, embarcaram para a Capital, rumo aos Campos de Batalha, reservistas pertencentes ao Tiro de Guerra Nº 11 e Tiro de Guerra Nº 598 (Cia. DOCAS) e contingente da 'Legião Negra', aquartelada em São Paulo, na Chácara Carvalho.
No dia 25, partiram novas Tropas Constitucionalistas no trem das 9:30 Horas da Sorocabana para fortalecer o Litoral Paulista.
Frente Costeira. Dentre as Operações de Guerra deste mês, Batalhões do Tiro Naval, Tiro de Guerra Nº 35 e Nº 359, partiram na mata entre os dias 22 e 30 de Julho. 
No final do mês, 30 de Julho, outro contingente de Tropas formadas por voluntários e reservistas é enviado daqui para os Campos de Batalha.
Em 12 de Agosto, rumava para a Capital Paulista a 1ª Cia. do Batalhão de Operários.
Alistaram-se dentre outros, os seguintes Voluntários Constitucionalistas da Ilha de Santo Amaro:
THIAGO FERREIRA [imagem a esquerda] - Nasceu no dia 01/05/1909, em Santos/SP. Filho de Manoel Paulo Ferreira (Marítimo) e de Dona Anna Margarida Ferreira (Italiana). Tendo como irmãos: Marieta, Albertina Cristina Edith, Oscar, Juvenal, Onofre Guilherme e Pedro.
Aos 8 anos de idade mudou-se com a Família, por motivos de trabalho do pai, para ITAPEMA/SP (hoje Vicente de Carvalho/SP) residindo próximo ao "Pontão das Barcas", no Distrito.
Durante a mocidade prestou Serviço Militar pelo Tiro Naval (na cidade Santense). Frequentava o CIR - Clube Internacional de Regatas, ainda sediado no Itapema e integrou uma de suas Equipes de Remo. Também foi Presidente do Centenário ITAPEMA FUTEBOL CLUBE (I.F.C). 
Com a morte do Pai assumiu a responsabilidade de liderar a Família Ferreira. Muito querido por todos colaborava em Obras de Benemerência aos que mais necessitavam, principalmente em ITAPEMA/SP prestando Auxílio Farmacêutico. Trabalhou na Inspetoria de Saúde, exercendo o cargo de Funcionário de Saúde do Porto. 
À época mantinha Compromisso de Noivado com a Senhorita Zilda Almeida.
ANTIGO BUSTO DE THIAGO FERREIRA EM ITAPEMA/SP.

Levado pelo Civismo para com São Paulo, Thiago Ferreira aos 23 anos de idade resolve engajar-se como Voluntário na Revolução Constitucionalista de 1932. Apesar da oposição feita por amigos como o Sr. Edgard Perdigão (Chefe do Posto Fiscal, em Itapema). Por considerar que Thiago era jovem demais. Mesmo diante do sofrimento da Mãe, ingressou nas Fileiras do Batalhão Naval, onde recebeu o Nº 710.

[Thiago Ferreira, Herói Itapemense de 1932]

Lutou na Frente Norte da Guerra Civil Paulista (Vale do Paraíba), sob Comando do Coronel Andrade. Sucumbiu em Ação Bélica travada na região da cidade de Silveiras/SP, durante o 12º Combate no qual tomava parte o Batalhão do Tiro Naval, após o dia 19 de Agosto de 1932. Foi testemunha o Sr. Américo de Oliveira Ratto, que o viu tombar mortalmente ferido. Primeiro nas mãos e, logo após, metralhado pelo fogo das Tropas Getulistas. O corpo de Thiago Ferreira jamais foi encontrado depois do acirrado ataque. Tornando-se Figura Insigne Constitucionalista do "Soldado Desaparecido".


[Itapema/SP cedeu seus Bravos Voluntários à Causa Paulista de 1932]

FRANCISCO ITAPEMA ALVES - (nomeada Rua do Distrito, no Jardim Santense). Fez questão que seu nome fosse assim grafado nos Anais da Revolução Constitucionalista de 1932. Pertencia a 'Bandeira Cívica Paulista', que visitava cidades da região (uma delas São Vicente/SP) e Meios de Comunicação em Propaganda da Revolução. Ocupando função de Auxiliar no Departamento de Mobilização Civil, da 15ª Zona. Os jornais registram o trabalho de Francisco Itapema Alves e outros Constitucionalista naqueles dias. Conforme notícia publicada no Jornal Paulistano 'Folha da Manhã' (Sucursal Santos/SP), de Atividade da "Bandeira Cívica" no dia11 de Julho de 1932:
INFORME DE JORNAL DÁ CONTA DA ATIVIDADE REVOLUCIONÁRIA DE FRANCISCO ITAPEMA ALVES [1932].

"11[Segunda-Feira] (Da sucursal da 'Folha da Manhã') - Está promovendo Comícios nesta cidade a "Bandeira Cívica". Composta dos Drs. José Soares de Mello (Chefe), José A. Prado Forjaz, Candido Leme Junior, Francisco Itapema Alves, Constantino Fraga Junior, Synesio Rocha e Theodorico de Oliveira. Essa "Bandeira" tem visitado as Autoridades e Imprensas locais, bem como a "Milícia Santista", que já conta com mais de 500 Alistados." - Nos dias seguintes, o Jornal continua repercutindo o Trabalho Revolucionário da "Bandeira Cívica", de Propaganda e Mobilização da Sociedade em prol da Revolução, que esteve em 16 de Julho, num Sábado, às 20:00 Horas na vizinha cidade de São Vicente/SP, onde realizou uma Reunião no 'Cine Central', falando diversos Oradores. Entre eles, Francisco Itapema Alves.
"23 [Sábado] (Da sucursal da 'Folha da Manhã') - Está em Santos o Dr. José Soares de Mello, Promotor Público nessa Capital, o Delegado do Departamento de Mobilização Civil da 15ª Zona, com Sede em Santos e que tem como auxiliares os Drs. Francisco Itapema Alves e José Almeida Prado."
A 'BANDEIRA CÍVICA' [INTEGRADA POR FRANCISCO ITAPEMA ALVES] ATUA NAS CIDADES DO LITORAL PAULISTA - 1932.
NOTÍCIA SOBRE O TRABALHO DE FRANCISCO ITAPEMA ALVES DURANTE A REVOLUÇÃO DE 1932. 

ALEXANDRE MALPIGHI - Morador da Vila da Bocaina Nº 2, em ITAPEMA/SP. Soldado Constitucionalista, que ingressou nas fileiras do Tiro de Guerra, na vizinha Santos.

FRANCISCO GUARANÁ MENEZES [imagem à direita] - Participou do 7º B.C.R., Sergipano residindo no Guarujá, foi um dos primeiros combatentes da Ilha de Santo Amaro a ir para o embate na Frente Sul da Guerra Constitucionalista. Tinha 19 anos de idade e era um valente Soldado, tomando parte em importantes Missões. Tendo cavado uma trincheira em Porto Velho da Tapera, batizou-a "Hotel de La Plage".


ALEXANDRE MIGUES RODRIGUES - Morador na Praia do Tombo (Guarujá) lutou na Frente Costeira, Litoral Paulista. Prestou Serviço entrincheirado nas imediações do Morro do Monduba, na Ilha de Santo Amaro.
JOSÉ DE SOUZA - Morador de Guarujá. Filho de portugueses. Trabalhou como Fornecedor de Lenha na Ilha. Conheceu Santos=Dumont em visita à Estância Balneária e Edu Chaves. Foi Motorista da Cantora Lírica Bidu Sayão.

ANTONIO SANTOS AMORIM [imagem à esquerda] (Vicentino, Calunga de origem), nascido em 8 de Setembro de 1894. Morador de ITAPEMA/SP, à época da Revolução Constitucionalista de 1932, e com 38 anos de idade, Já trabalhava há 20 anos na Imprensa. Foi Repórter do Jornal Santense 'Gazeta Popular', cobria a Página Policial.
O Voluntário (então itapemense) começou a Guerra como Padioleiro do Serviço de Saúde, 4 dias depois passou as fileiras de Combate, integrando a 1ª Cia do 7º B.C.R.
Em Novembro de 1932, Antonio Santos Amorim, dois meses e meio após o término da Guerra Civil-Militar Constitucionalista de 32, publicou seu Livro intitulado 'Santistas nas Barrancas do Paranapanema - A Revolução Paulista'. Com 206 páginas. Editado pela 'Impressora Santista' (Rua Brás Cubas, 120 - Stos).
Escrito sob os céus de ITAPEMA/SP, narra a participação de parte dos Soldados Voluntários da Região da Baixada Paulista, pelo 7º B.C.R. (7º Batalhão de Caçadores da Reserva de Stos) formado pela 1ª, 2ª e 3ª Cias, envolvidos no Front do Paranapanema (limites do Paraná e o Estado de São Paulo), Frente Sul da Guerra. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que perdurou 73 dias de Campanha contra as Tropas Federais do Ditador Getúlio Vargas.
LIVRO DE SANTOS AMORIM [ANTIGO MORADOR ITAPEMENSE] SOBRE A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.
    
Constituindo-se num dos primeiríssimos relatos diários impresso sobre a Guerra Cívica Paulista. É uma narrativa detalhado o quanto possível. Absolutamente fiel, reprodução exatíssima dos episódios, que assistiu. Dos quais fez parte inúmeras vezes. Sem exageros, isenta de Fantasia. Cenas da memória recolhidas no transcorrer do Conflito Armado. Como o ex-Combatente reforça ser, uma Reportagem.

[Antonio Santos Amorim, Constitucionalista Itapemense]

"(...)É este um despretensioso trabalho de Repórter. Que eu sou. Mas de Repórter que não visa conquistar foros de celebridade literária. Que se contenta, depois de vinte anos de porfiosas lutas na Imprensa, em continuar sendo simples e apagado operário do Jornalismo..."
SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS PARTEM PARA AS FRENTES DA REVOLUÇÃO DE 1932, VIA ESTAÇÃO DA LUZ.

Terminado o primeiro mês de Guerra, o Comando Militar de São Paulo possuía um quadro nada animador da situação. Os Cruzadores e Hidroaviões da Marinha, que haviam deixado a Baía da Guanabara posicionavam-se na entrada do Porto de Santos impedindo a chegada e saída de mercadorias e armas no Estado de São Paulo. O Governo Provisório enviava mensagens indicando que os vavios desviem de rota. Getúlio Vargas baixara Decreto proibindo a navegação de Navios Nacionais e Estrangeiros em todos os Portos Paulistas. 
A Força Pública Paulista, Polícia da época, havia mandado 12 mil soldados armados para as trincheiras. O Exército de São Paulo contava com mais de 3.600 soldados, com pouco Armamento, porque o Tenente João Alberto havia esvaziado os Quartéis Paulistas. Deduz-se adesão de 8 mil combatentes da Guarnição do Mato Grosso.
50 mil voluntários civis se alistaram, com muito ânimo, mas nenhuma noção de Combate. E o pior, havia apenas 25 mil fuzis extras no Estado. A decisão do Comando foi de que os voluntários deveriam receber as armas e economizar as balas, por escassez de munição.
O Exército Revolucionário Constitucionalista formado por Militares, Soldados da Força Pública Paulista e Voluntários registrou estimados 73 mil combatentes em suas fileiras. Os Paulistas contavam ainda com 6 aviões no Campo de Marte, na Capital.
A MULHER PAULISTA, PRESENÇA MARCANTE NA REVOLUÇÃO DE 1932.

Do outro lado, as Tropas Federais do Governo Provisório, com o perfilamento dos Exércitos Gaúcho e Mineiro, ainda a chegada de diversos Batalhões do Nordeste somavam cerca de 200 mil Soldados regulares, farta munição, Artilharia pesada, Navios de Guerra e mais de 50 aviões.
Os planos do Levante previam uma ação rápida para derrubar Getúlio Vargas e erradicar a influência dos Tenentes. Ninguém pensava numa Guerra prolongada. Mas a Revolução Constitucionalista durou quase 3 meses e mobilizou estimados 270 mil homens. Nunca houve no Brasil, durante o Século XX, um Conflito Armado dessa dimensão. A Guerra prolongada, travada em trincheiras e alguns armamentos usados fizeram a Guerra Civil de 1932 parecer uma recriação da Primeira Grande Guerra Mundial. Refletindo os novos tempos e modos de Combate.
Para cumprir a carência de armamentos dos Paulistas foi criado o Departamento Central de Munições (DCM) ligado a Escola Politécnica, que contou com o engajamento de 740 Engenheiros e 340 Técnicos. Eram fabricados 160 mil cartuchos por dia, no final da Guerra 10 mil granadas-de-mão por dia. No saldo final foram contados 4 tanques de guerra, 6 trens blindados, morteiros, canhões e outros Armamentos.  
Atestada, tanto mais, através do papel decisivo que nela tiveram o Rádio, a Aviação e a Imprensa.
Apoiado por Jornais e Rádios, o Comando Paulista não relatava as dificuldades da situação para não esfriar os ânimos da população. Só as Vitórias eram divulgadas. Os feitos dos Heróicos Combatentes se espalhavam pelo Estado com incrível rapidez. As derrotas corriam como boatos atribuídos a traidores. A Mídia Paulista punha lenha na fogueira da Guerra, acusando Getúlio de ser Ditador, reforçando a necessidade de uma Constituição, usando a imagem dos Bandeirantes para despertar o Heroísmo nos combatentes e seu Civismo. A imagem feminina, bela e corajosa, contribuiu para o convencimento nos Cartazes e Panfletos na Campanha Constitucionalista de 1932. Explosão criativa da Indústria Gráfica e Fotográfica. Impossível dissociar a Revolução de 32 da nascente Cultura de Massa no Brasil. Sua Memória está guardada em centenas de Fotos, Cartões-Postais, Cartazes e Panfletos. Contida nos vários Hinos Marciais e Marchas Militares, especialmente compostos para encher os Paulistas de brios.
Os dois lados lançavam panfletos dos aviões no território inimigo, apresentando suas versões para a Guerra.
OS JORNAIS PAULISTAS ENALTECEM OS FEITOS DOS SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS EM 1932.

Sem a adesão dos Riograndenses e Mineiros não há possibilidade de Vitória Militar para São Paulo. Quando o General Flores da Cunha, Interventor do Rio Grande do Sul e Olegário Maciel, Interventor em Minas Gerais mobilizam suas Forças contra São Paulo, a sorte do Levante é selada.
Cercados em várias Frentes: Frente Sul (nos limites com o Paraná), Frente Mineira (na divisa com Minas Gerais), Frente Mato Grosso, Frente Costeira (Litoral de São Paulo), Frente Oeste, Frente Norte (nos limites com o Rio de Janeiro). E em Retaguardas não previstas, os Paulistas lutaram praticamente sozinhos até o fim. Com poucos soldados mantiveram o Túnel Ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil, ponto estratégico, a 1.800 metros de altitude na Serra da Mantiqueira. A luta no Túnel durou 2 meses, apesar dos árduos Combates, no final as Baixas chegaram a mais de 1 mil homens entre mortos e feridos. Do ponto de vista militar a Batalha do Túnel foi decisiva para o desenrolar do Conflito Constitucionalista.
3 de Agosto. Os Líderes Revolucionários dirigem Ultimato ao Governo Provisório. Há breves tréguas em todas as Frentes de Batalha. No outro dia, reiniciam-se as escaramuças.  
[Cartaz da Propaganda Constitucionalista de 1932]

Numa Retaguarda os Paulistas venceram todas as Batalhas, na resistência coesa de São Paulo, um Estado determinado. Nunca se havia visto tamanha mobilização em torno de uma Causa Política. Além dos milhares de voluntários civis, mulheres, idosos e até crianças atuaram na Retaguarda Paulista, seja para fabricarem uniformes e outros serviços. Fábricas, Metalúrgicas e Fundições são adaptadas para a produção de capacetes utilizados pelos Soldados Paulistas. Recarga de cartuchos usados. Fabricando as próprias granadas e Armamentos bélicos.
Para fazer frente aos gastos com a Guerra, quem podia não se recusou a doar um pouco de "Ouro Para o Bem de São Paulo", contribuindo com alianças de casamento, anéis de formatura, jóias, na Campanha de arrecadação. Instituiu também sua própria Moeda (dinheiro).
Donativos foram arrecadados junto a Sociedade para o esforço de Guerra, alimentos, produtos, eram solicitados aos negociantes. 
Craques de Futebol trocaram a Bola pelo fuzil. Como Arthur Friedenreich (El Tigre), Paulista, filho de imigrante alemão, com uma Lavadeira negra, filha de ex-escrava. Primeiro grande craque de Futebol do Brasil. 
Athiê Jorge Cury, jogador do Santos F. C., combatente nas Fileiras do 7º B.C.R., Frente Sul.
Esportistas patriotas, tal Joaquim Teixeira de Azevedo, o popular "Benfica", do União Santista F. C., que lutou na Frente Norte, incorporado ao 8º B.C.R. 
Neste sentido houve uma adesão geral das Classes Dominadas, sob a liderança das Classes Dominantes. E a Revolução de 1932 marca o último momento em que as Classes Dominantes conseguiram incorporar as Classes Dominadas ao seu Projeto Político, como se fosse um só bloco.
TRINCHEIRA CONSTITUCIONALISTA EM SILVEIRAS/SP - FRENTE NORTE [1932].

Apesar do otimismo dos discursos, desde cedo ficou claro que as Tropas de São Paulo não poderiam combater o avanço das Forças do Governo Provisório. Mesmo com os esforços dos Combatentes Paulistas e da População, invés de avançar as Tropas Constitucionalistas apenas se defendiam, a todo custo detendo as Forças Getulistas.
No dia 12 de Agosto, o Comandante das Forças Militares de São Paulo, Bertoldo Klinger daria o primeiro passo com vistas a um Armistício. Mas as condições humilhantes impostas por Getúlio Vargas, fazem o General Klinger desistir da proposta. A Guerra prossegue por mais um mês. 
18 de Agosto, são abatidas as primeiras Forças Goianas que marcharam contra Mato Grosso.
À 21 de Agosto, os Soldados Paulistas e Mato-grossenses combatem com heroísmo inédito, na Frente do Mato Grosso. O Confronto se estende por dias seguidos.
29 de Agosto. Em Coxim, no Mato Grosso, os Constitucionalistas avançam. As Tropas Revolucionárias suportam Ataques fortíssimos em Mococa/SP e Caconde/SP, na Frente Mineira.
CANHÃO 75 MM MANOBRADO NO BRAÇO - GUARNIÇÃO CONSTITUCIONALISTA FRENTE DE MATO GROSSO [1932].

Em 30 de Agosto, a Ditadura Varguista aumenta seus Ataques a Frente Oeste. Itapira/SP é foco de constantes e sangrentas investidas.
O Exército Paulista terminaria o mês de Agosto entrincheirado em 6 Frentes diferentes. Sob fogo cerrado de metralhadoras e bombardeios de Aviões e Canhões Federais.
Nos dias 3 e 5 de Setembro (Frente Costeira, Litoral Paulista), três hidroaviões Savoia-Marchetti, da Aviação Naval escoltados por um Corsair bombardearam com sucesso o Forte Itaipu (Praia Grande/SP), Sede do Quartel General dos Revolucionários Constitucionalistas. À tarde do dia 5, a partir das 14:30 Horas, quatro Hidroaviões Getulistas sobrevoaram a região dirigindo-se para a Fortificação caiçara, despejando cerca de 20 bombas, quase todas caídas nas rochas e dentro d'água, mas acertando algumas e destruindo a Rede Elétrica do Forte Itaipu, que dessa forma ficou temporariamente sem ação.
A Fortificação litorânea tem se valido de um embuste para ludibriar a Esquadra e a Aviação Naval, camuflando um grosso tronco de madeira, numa estrutura bélica a imitar o verdadeiro Canhão 150 mm Schneider, sua peça de Artilharia para defesa da Frente Costeira, requisitado para apoio à Frente Sul. Fiando-se o Forte Itaipu na Artilharia de menor monta para alvejar os aviões inimigos. 
FORTE ITAIPU (PRAIA GRANDE/SP) - FRENTE COSTEIRA - Q.G. REVOLUCIONÁRIO CONSTITUCIONALISTA.
BATERIA ANTI-AÉREA FORTE ITAIPU DURANTE A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932.
GUARNIÇÃO CONSTITUCIONALISTA FORTE SÃO JOÃO (BERTIOGA/SP) - FRENTE COSTEIRA [1932].
SOLDADOS CONSTITUCIONALISTAS ENTRINCHEIRADOS - FRENTE COSTEIRA [1932].
      
Na Frente Sul, milhares de Soldados Getulistas comandados pelo Coronel Valdomiro Lima romperam a Resistência Paulista em Agosto, após violentos Combates e em Setembro já avançavam em direção a Botucatu/SP. Na Frente Mineira, os Paulistas também perdiam posições. Em Setembro as Tropas Federais do Governo Provisório fecharam o cerco sobre Campinas/SP. Os "Vermelhinhos" como eram chamados os Aviões Getulistas, começaram a sobrevoar e despejar bombas de mais de 40 Kg sobre a cidade Campineira. O Pátio de Manobras de onde partiam os trens para o Vale do Paraíba e o Largo da Estação foram os primeiros alvos. Uma residência foi atingida. No dia seguinte, campineiros que partiam da Estação em um bonde foram feridos num Bombardeio Aéreo. Morre um menino de 8 anos.
Essas informações chegavam a Capital Paulista causando um princípio de pânico na população, já apavorada desde que os "Vermelhinhos" Getulistas começaram a sobrevoar a cidade e lançar bombas no Aeroporto do Campo de Marte.
CANHÃO SCHNEIDER 150 MM ADAPTADO COM TRAÇÃO OPERA NA FRENTE CONSTITUCIONALISTA [1932].
SOLDADOS PAULISTAS CRUZAM O RIO PARANAPANEMA [FRENTE SUL] EM BALSAS IMPROVISADAS - REVOLUÇÃO DE 1932.

Em meio as escaramuças, passagem marcante ocorreu nas Colinas da cidade de Lavrinhas/SP (Frente Norte) próximo do Túnel, no dia 7 de Setembro, ao som de uma Corneta saudando a Bandeira do Brasil, hasteada num mastro improvisado, Tropas Paulistas e Getulistas numa breve trégua, se perfilaram no alto das trincheiras em respeito ao Pavilhão Nacional.
Em 11 de Setembro, as Tropas Ditatoriais perdem o controle de Porto Murtinho, em Mato Grosso. 
12 de Setembro, os Paulistas perderam o Túnel que as Tropas do Coronel Euclides Figueiredo haviam ocupado nos primeiros dias da Revolução. Foi uma perda dramática em que os Soldados Constitucionalistas recuaram sob o fogo cerrado da Metralha Getulista. Nos dias seguintes, Tropas Federais tomaram Cruzeiro/SP obrigando os Paulistas a abandonarem as posições que mantinham em Cunha/SP e recuar até Aparecida do Norte. Os confrontos na Frente do Vale do Paraíba causaram centenas de mortos durante os 3 meses de Combate.
NINHO DE METRALHADORA NA FRENTE NORTE CONSTITUCIONALISTA [1932].
CANHÃO 75 MM UNIDADE REVOLUCIONÁRIA EM PRONTIDÃO NAS MONTANHAS DA FRENTE MINEIRA [1932].

Noutros Combates São Paulo resiste, 13 de Setembro, as Tropas Federais atacam cerradamente toda a Zona da Mogiana (Frente Mineira). Recuam os Soldados Paulistas. No dia seguinte, há um fortíssimo Contra-Ataque dos Constitucionalistas na mesma região. Os Ditatoriais retiram-se para Minas Gerais, nas cidades de Guaxupé, Arceburgo e Guaranésia.
Durante Batalha Naval ocorrida em 24 de Setembro de 1932, foram abatidos sobre as águas da Ilha de Santo Amaro/SP (Frente Costeira), os Aviadores José Ângelo Gomes Ribeiro Junior (Piloto) e Mário Machado Bittencourt (Metralhador). Nela o Avião Constitucionalista, "Kavuré-y" incendiou-se nos ares e precipitou-se no mar, após um Ataque Antí-aéreo dos Hotchkiss do Cruzador 'Rio Grande do Sul', um dos Navios Bélicos bombardeados pelos Paulistas, que bloqueavam a Barra Grande da Ilha de Santo Amaro e o Porto de Santos/SP. As outras aeronaves lançaram suas bombas escapando em retorno ao Planalto Paulista. O avião batizado "Kavuré-y", do tipo Curtiss Falcon, de fabricação Norte-americana, afundou perto da Ilha da Moela, a uma profundidade entre 14 e 15 metros. Depois do Combate o que se encontrou de destroços veio boiar na Praia de Pitangueiras.
ILUSTRAÇÃO DOS ENVOLVIDOS NA BATALHA NAVAL REVOLUÇÃO DE 1932 [FRENTE COSTEIRA].
 MARCO DA BATALHA NAVAL DE 1932 EM ÁGUAS DA ILHA DE SANTO AMARO/SP - FRENTE COSTEIRA - DESAPARECIDO NA HISTÓRIA DA ESTÂNCIA BALNEÁRIA.

Outra empreitada aérea no dia 24, dois Aviões Constitucionalistas ainda atacaram as posições das Tropas Federais, recém conquistadas em Cruzeiro/SP, mas não adiantava mais, naquela altura os Paulistas já haviam perdido a Guerra. Rompidas todas as Frentes, cidades do Interior Paulista bombardeadas, o Comando Revolucionário e a População temiam o bombardeio também da cidade de São Paulo.
Tenta-se outra vez, um novo Armistício honroso. À 1:00 Hora da Madrugada, do dia 29 de Setembro, o General Klinger passava um telegrama ao Ditador Getúlio Vargas:
"Dr. Getúlio Vargas,
Com o fito de não causar a Nação mais sacrifícios de vidas, nem danos materiais, o Comando das Forças Constitucionalistas propõe imediata suspensão das hostilidades em todas as Frentes. Afim de serem assentadas as medidas para o término da Luta Armada.
                                                                                    General Bertoldo Klinger"
Às 7:30 da Manhã chegava um telegrama com a resposta de Getúlio, indicando envio de Emissário Constitucionalista ao General Góes Monteiro para as tratativas do Cessar Fogo. Os Emissários de Klinger foram até Cruzeiro/SP, onde o General Góes Monteiro havia postado seu Comando. O Protocolo de Exigências entregue pelo General Getulista, é considerado desonroso e os Planos de Paz voltam a estaca zero. Góes Monteiro não aceitou a proposta em que os dois lados deviam baixar armas. Exigia a Rendição Incondicional dos Paulistas. O Coronel Euclides Figueiredo que havia recuado com suas Tropas e estava entrincheirado perto de Aparecida do Norte preferia lutar. Lideranças Políticas de São Paulo também recusavam a Rendição e defendiam a luta até o fim.
INFORME DO SUPREMO COMANDO DAS FORÇAS CONSTITUCIONALISTAS 1932.

Oficialmente a Guerra Civil de 1932, terminou às 8:00 Horas do dia 2 de Outubro. O Comandante da Força Pública Paulista, Coronel Herculano de Carvalho manda seus 12 mil homens baixar armas e acatar a Derrota. Às 15:30 da Tarde, os Oficiais da Força Pública comunicam ao Palácio dos Campos Elíseos (Sede Estadual) a Derrocada do Governo Paulista. Meia-hora depois Emissoras de Rádio transmitiam Comunicado do Comando Militar do Governo Provisório.
Enquanto Soldados de São Paulo eram forçosamente desarmados e muitos Paulistas saem às ruas para protestar contra a Rendição. Na Frente de Guerra alguns combatentes se recusam a aceitar a Derrota e batem em retirada para a Frente do Mato Grosso, dispostos a resistir, Comandados por Euclides Figueiredo seguem em um trem com 55 vagões carregados com metralhadoras, canhões e Tropas, além do famoso Trem Blindado. Todavia, nas trincheiras os Paulistas se entregavam, ou simplesmente retornavam para suas casas por todo o Estado de São Paulo. Na Madrugada de 3 de Outubro, o Coronel Euclides Figueiredo recebeu informações que o Coronel Herculano de Carvalho, sob ordens de Góes Monteiro, posicionava as próprias Tropas da Força Pública Paulista para impedir sua passagem por Jacareí/SP. Euclides e seus Homens abandonaram o Trem no caminho e se dispersaram. 
A Guerra Acabava. Deixando saldo de cerca de 2 mil Combatentes mortos.
BANDEIRA CONSTITUCIONALISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO [1932].

No final de Outubro de 1932, depois de um tempo de prisão, os principais Líderes do Levante Armado partem para o Exílio em Lisboa. São 25 Militares e 41 Civis. Entre eles estavam Cásper Libero, Prudente de Morais Neto, Júlio Mesquita Filho, Guilherme de Almeida e Austragésilo de Atayde. Alguns dos Líderes do Levante partiram para o Desterro a bordo de um Navio ironicamente chamado 'Siqueira Campos', em homenagem ao Herói da Revolução de 1930.
Embora derrotado militarmente, São Paulo se saiu Vencedor na Pauta Política do Brasil daqueles tempos. Em 1933 ocorreu a Assembléia Nacional Constituinte. As Eleições de Maio sufragam os Partidos Políticos Paulistas. Novamente unidos (derrotados em 32), que compõe uma Chapa Única e elege 17, dos 22 Representantes de São Paulo.
No ano de 1934, mesmo com Getúlio Vargas eleito Presidente da República (pelo voto indireto da Constituinte) foi Promulgada a nova Constituição Brasileira. Princípio fundamental da Revolução Constitucionalista de 1932.
Contudo, a sanha autoritária do Presidente Vargas, não se aquietou. Como apontavam os Liberais Paulistas, Getúlio era de fato um Ditador. Em Novembro de 1937, Vargas fecha o Congresso Nacional Brasileiro, rasga a Constituição e instala o Estado Novo...

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